quarta-feira, 03/12/2025
Auditório da Escola de Ciências, Campus de Gualtar, Braga
Especialistas e estudantes discutiram desafios e soluções para a
preservação dos solos.
O
Departamento de Ciências da Terra da Escola de Ciências da Universidade do
Minho (ECUM) assinalou, a 3 de
dezembro, o Dia Mundial do Solo com um programa aberto à comunidade académica, que
visou sensibilizar e promover o diálogo sobre o papel essencial dos solos para
a sustentabilidade ambiental, a segurança alimentar, a gestão do território e a
resiliência urbana. O Dia Mundial do Solo é celebrado anualmente a 5 de
dezembro, data instituída pela Food and Agriculture Organization (FAO) e pelas Nações Unidas, e integra o
calendário mundial da FAO, sendo reconhecida internacionalmente e chamando a atenção
para a necessidade urgente de proteger este recurso natural finito.
A
sessão contou com a presença de duas oradoras com reconhecida experiência na
área. Sónia Silva,
da empresa Congeo,
apresentou a palestra “Exemplos
de aplicação prática de procedimentos de caracterização de solos em diferentes
contextos”. Já Marta
Vasconcelos Ottoni, investigadora da Companhia de Pesquisa de Recursos
Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB), falou sobre “Abordagens e Estudos de Caso em Solos
Tropicais Brasileiros, com Comparações ao Comportamento Hídrico de Solos de
Clima Temperado”.
O
programa integrou ainda comunicações orais de estudantes de mestrado e uma
sessão de pósteres dinamizada por alunos dos cursos de Ciências do Ambiente e
Geologia, promovendo a partilha de conhecimento científico e o debate sobre
desafios como a contaminação, os microplásticos, o risco ambiental em solos
urbanos, a saúde do solo e a avaliação geoquímica de áreas urbanizadas.
Teses
de alunos de mestrado em destaque
Michel
Serôdio Ferreira, do Mestrado em Ciências e Tecnologias do Ambiente, expôs o
tema “Risco ambiental
associado a solos urbanos”, sublinhando “os poluentes mais
relevantes, como o arsénio, o cádmio, o vanádio, o chumbo e o cobre” e a
necessidade de “reconhecer os riscos e promover consciencialização”, recorrendo
a exemplos académicos e a um estudo na Alemanha.
Ana Isabel Torres apresentou “Microplásticos
nos solos – risco ecológico e para a saúde humana”, explicando
“como os microplásticos afetam as propriedades físicas, químicas e biológicas
do solo” e os riscos para a cadeia alimentar. Referiu um estudo em parques
infantis de Los Angeles “para identificar hotspots de contaminação” e
alertou que “não há verdadeira noção do perigo”, defendendo “maior consciência
e mudança de hábitos”.
Bruna Cruz, que concluiu recentemente o mestrado em Geociências, partilhou a
sua investigação sobre “Avaliação
de solos urbanizados de Vila Nova de Gaia”, onde concluiu que
“jardins e parques são as áreas mais afetadas” devido à urbanização, tráfego e
obras recentes. Quanto à perceção pública, foi direta: “As pessoas ainda não
estão sensibilizadas.”
O
evento, realizado no auditório da ECUM com apoio de estudantes, núcleos
académicos (NECAUM e NEGUM) e parceiros
institucionais, reforçou o compromisso da Escola de Ciências com a educação
ambiental e lançou um concurso
de fotografia sobre solos, convidando a comunidade a refletir
visualmente sobre este recurso essencial.