quarta-feira, 24/07/2019
Estudo sobre nematodes saiu na revista Nature e tem coautoria de Sofia Costa, do CBMA-UMinho
Uma
equipa internacional, que inclui Sofia Costa, do Centro de Biologia Molecular e
Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho, publicou a 24 de julho na revista
“Nature” um estudo inédito sobre a presença e a atividade dos nematodes, os
animais mais abundantes do planeta. Estes pequeníssimos vermes do solo e da
água são muito resistentes, alguns parasitam animais e plantas, ajudam a
controlar populações e têm o “superpoder” de adaptar-se a todo o tipo de
ambientes e habitats.
Esta
investigação envolveu 70 cientistas de 57 países, sendo liderada pelo Instituto
Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça. O trabalho reuniu 6759 amostras de solo em todo o mundo. Concluiu-se que há
mais nematodes do que se pensava: são 57 mil milhões de vezes mais do
que os seres humanos e com uma biomassa estimada de 300 milhões de toneladas.
Além disso, a distribuição terrestre daqueles animais é, ao contrário dos
animais à superfície, mais frequente nas regiões subárticas (38%) – a sul do
Ártico, cobrindo a maioria do Alasca, Canadá, Islândia, Sibéria e norte da
Escandinávia – do que nas regiões temperadas (24%) e nas tropicais (21%).
Sofia
Costa disponibilizou para este estudo dados sobre comunidades de nematodes do
solo em vários pontos de Portugal. Essas amostras foram alvo de análise,
identificação e classificação funcional em laboratório. A investigadora estuda
nematodes há vários anos, incluindo o seu envolvimento como bioindicadores da
fertilidade do solo e da resiliência a impactos em sistemas naturais e
agrícolas. A sua equipa tem em curso dois projetos apoiados pela Fundação para
a Ciência e a Tecnologia, que visam explorar os parasitas do tomateiro e da
batateira, com vista a desenvolver estratégias de gestão sustentável daqueles
nematodes.
Bioindicadores
ambientais ímpares
Estes
animais microscópicos têm uma diversidade de funções e intervêm em
processos-chave nos ecossistemas terrestres. A sua atividade determina a
proporção de carbono sequestrada na matéria orgânica e nos organismos do solo,
além da que é emitida como dióxido de carbono. “Este estudo à escala global na Nature
acrescenta conhecimentos sobre o papel da atividade biológica no solo ao nível
dos ciclos de carbono e nutrientes do planeta, permitindo definir melhor as
previsões dos modelos de alterações globais”, diz Sofia Costa. Além disso,
estes pequenos seres vivos convertem-se em bioindicadores ambientais ímpares. A
análise das proporções de nematodes de vários tipos num dado local permite, por
exemplo, perceber se este está poluído, adubado em demasia ou se, por outro
lado, mantém boas condições para a atividade biológica e para o crescimento das
plantas.
Sofia
Costa nasceu há 43 anos em Coimbra e vive em Famalicão. É licenciada em
Biologia, mestre em Ecologia, pós-graduada em Agricultura Biológica e doutorada
em Ciências Biológicas pela Universidade de Lancaster (Reino Unido). Foi
diretora do Laboratório de Fitossanidade do Instituto Pedro Nunes e
investigadora no Rothamsted Research (Reino Unido), na Universidade de Coimbra,
na Universidade Nacional da Austrália e na Escola Superior Agrária de Ponte de
Lima. Está atualmente na UMinho, designadamente no CBMA, da Escola de Ciências da UMinho, e no IB-S - Instituto para a Biossustentabilidade. Tem três
dezenas de publicações e livros, tendo já participado em conferências em dez
países.