sexta-feira, 25/09/2026
Escola de Ciências da UMinho
Levar
a ciência para mais perto das pessoas exige conhecer os territórios, criar
parcerias e encontrar formas de envolver diferentes públicos. Estas foram
algumas das ideias transmitidas na mesa-redonda “Ciência para Todos: o papel
dos municípios na literacia científica”, realizada no âmbito da Noite Europeia
dos Investigadores (NEI2026), que reuniu representantes de seis
municípios parceiros da iniciativa: Braga, Guimarães, Famalicão, Ponte de Lima,
Fafe e Viana do Castelo. A conversa foi moderada por Paulo Salgado, do Centro
de Estudos de Comunicação e Ciência da Universidade do Minho.
A
ligação entre municípios, universidades, escolas, empresas e comunidades surgiu
como um dos caminhos para tornar a ciência mais próxima. Em Guimarães, essa
relação concretiza-se, entre outros exemplos, no trabalho desenvolvido pelo
Curtir Ciência e pelo Laboratório da Paisagem, em parceria com a Universidade
do Minho. “Esta comunhão, esta partilha de conhecimento destas atividades do
município, das universidades e da comunidade estudantil têm sido fundamentais”,
destacou Júnio Castro, da Câmara Municipal de Guimarães.
A
proximidade passa também por levar a ciência a diferentes públicos. Em Ponte de
Lima, a aposta é assumidamente intergeracional. “O Município de Ponte de Lima
aposta na ciência intergeracional, ou seja, tenta levar a ciência a todos, a
públicos de todas as idades”, explicou Filipa Velho, da Divisão de Educação,
Cultura e Ação Social do Serviço de Educação da Câmara Municipal de Ponte de
Lima. Já Paula Ramos Nogueira, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de
Fafe, chamou a atenção para a necessidade de adaptar essa aproximação às
características de cada lugar: “É impensável chegar a um território e não
perceber a sua diferença, não perceber as pessoas que o habitam, não perceber o
tipo de necessidade que elas têm e o tipo de oportunidades que nós, municípios,
podemos proporcionar às pessoas.” Daí a importância, defendeu, de falar também
em “Cultura Científica e Cidadania Científica”.
A ciência pode ainda ser uma ponte entre
conhecimento e inovação. Em Famalicão, o município procura reforçar essa
ligação ao tecido empresarial. “Temos um plano de ação muito concreto para a
divulgação e promoção da ciência. Levamos investigadores a empresas do concelho
e agora vamos levar as empresas aos laboratórios”, explicou Augusto Lima,
vereador da Educação e Ciência. Uma aproximação que, acrescentou, “pode dar
origem a inovação” e ajudar também a despertar o interesse dos jovens por áreas
importantes para o futuro dos municípios.
Nas escolas, essa aproximação depende
não apenas dos equipamentos, mas também das pessoas que os utilizam. João
Machado, Diretor Municipal do Desenvolvimento Económico, Turismo e
Sustentabilidade da Câmara Municipal de Braga, sublinhou que “acima do
equipamento está a formação que os docentes têm ou não para se adaptarem às
novas tecnologias e às novas maneiras de ensinar os alunos de forma mais
estimulante”.
E há ainda uma condição menos visível,
mas essencial: o tempo. Para José Carlos de Magalhães Loureiro, Diretor de
Departamento de Educação, Conhecimento, Cultura e Património da Câmara
Municipal de Viana do Castelo, “a ciência exige tempo. Nenhum cientista
consegue resultados em pouco tempo. São anos e anos de tentativa-erro”. Por
isso, defendeu, “temos que dar tempo à ciência, à experiência”.
Mais
do que apresentar uma única fórmula, a conversa mostrou diferentes formas de os
municípios contribuírem para uma ciência mais próxima, participada e ligada às
pessoas, desde a escola e a comunidade até às universidades e às empresas.