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Quando a ciência se experimenta Voltar

sexta-feira, 25/09/2026    Escola de Ciências da UMinho
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Astronomia, geologia, energias renováveis, biodiversidade, robótica ou impressão 3D. Na Noite Europeia dos Investigadores (NEI2026), o Planetário – Centro Ciência Viva de Braga, o Centro Ciência Viva dos Arcos – Oficinas de Criatividade Himalaya e o Curtir Ciência de Guimarães ajudaram a transformar diferentes áreas do conhecimento em experiências para ver, tocar, experimentar e questionar.
A participação dos três centros reforçou uma das dimensões centrais da NEI: aproximar a ciência das pessoas e mostrar que o conhecimento científico não está apenas nos laboratórios ou nas universidades.

Da Astronomia à robótica

Olhar para o Sol, explorar um charco, experimentar a impressão 3D ou descobrir algumas possibilidades da inteligência artificial. Na Noite Europeia dos Investigadores (NEI2026), o Planetário – Centro Ciência Viva de Braga levou ao Forum Braga experiências que cruzaram Astronomia, Biologia, Física, Robótica, Matemática e outras áreas da ciência e da tecnologia.

A participação do centro, que se prolonga há uma década, incluiu uma estação dedicada à rede de charcos pedagógicos, uma atividade sobre inteligência artificial dirigida aos mais jovens, experiências de impressão 3D e óculos de realidade virtual. Ao longo da tarde e da noite, o público foi ainda convidado a observar o céu, primeiro através da Observação Solar e, mais tarde, na Observação Noturna.

A diversidade das propostas refletiu o trabalho que o Centro Ciência Viva de Braga desenvolve ao longo do ano junto de escolas, famílias e público em geral. Para além do planetário imersivo digital e das oficinas pedagógicas, o centro promove atividades de educação ambiental e leva a Astronomia às escolas através de um planetário móvel.

“Comunicar ciência continua a ser um desafio, mas sentimos claramente que existe hoje um interesse crescente do público por atividades que aproximam a ciência das pessoas”, afirmou João Paulo Vieira, diretor da Casa da Ciência – Planetário de Braga. O responsável apontou como exemplo a participação nas atividades do centro, que já tinha ultrapassado as 46 mil pessoas este ano.

Na NEI, essa aproximação ganha uma dimensão particular, ao colocar investigadores e público frente a frente. “A Noite Europeia dos Investigadores aproxima a ciência e a investigação da sociedade”, destacou João Paulo Vieira, sublinhando também a importância de despertar a curiosidade dos mais jovens e mostrar que a investigação pode ajudar a compreender e transformar o mundo.

A experiência do centro mostra também uma procura crescente por formas de participação mais ativas. “O público procura cada vez mais experiências participativas, que permitam observar, experimentar, questionar e contactar diretamente com a ciência e com quem a faz”, explicou.

É nesse equilíbrio entre rigor e proximidade que João Paulo Vieira identifica um dos principais desafios da divulgação científica. As atividades devem ser acessíveis, mas também capazes de estimular a curiosidade e mostrar que “a ciência não é algo distante, mas parte integrante da nossa vida e da compreensão do mundo que nos rodeia”.

Mais do que apresentar experiências, a presença do Planetário na NEI2026 mostrou como a ciência pode ser comunicada através da descoberta e da participação. Entre uma observação do céu, uma experiência tecnológica ou uma conversa com quem desenvolve ciência, o objetivo é o mesmo: despertar a curiosidade e criar oportunidades para que o público se aproxime do conhecimento científico.

Himalaya a inspirar novas experiências

Pela primeira vez na Noite Europeia dos Investigadores (NEI2026), o Centro Ciência Viva dos Arcos – Oficinas de Criatividade Himalaya levou ao Forum Braga uma amostra das experiências que desenvolve em Arcos de Valdevez.

Entre as propostas apresentadas esteve “Himalaya a inspirar”, dedicada ao legado do Padre Manuel António Gomes, conhecido como Padre Himalaya, pioneiro na exploração da energia solar. Os visitantes puderam construir carrinhos solares e experimentar um forno solar, percebendo como a energia do Sol pode ser transformada em movimento e calor. “Ao levarmos os carrinhos solares, procuramos precisamente estabelecer esta ligação entre a investigação e inovação do passado e os desafios energéticos que enfrentamos atualmente”, explicou José Carlos Fernandes, diretor do Centro Ciência Viva dos Arcos – Oficinas de Criatividade Himalaya.

A Geologia esteve representada pela exposição “Minerais e Rochas – Coleção Silva Ferreira”, com centenas de amostras de minerais, rochas, fósseis e meteoritos provenientes de vários pontos do mundo e de diferentes regiões de Portugal. Na NEI, algumas puderam ser observadas através de um microscópio digital. A programação incluiu ainda a construção de pequenos hologramas, inspirada no holograma do Padre Himalaya existente no Núcleo Interpretativo Himalaya, e uma amostra da coleção de insetos do centro.

A biodiversidade do território esteve igualmente em destaque através da atividade “NaturLab – A fauna e a flora do rio Vez”, que convida a conhecer espécies da fauna e flora locais através de um jogo inspirado no “Quem é Quem?”. As propostas apresentadas procuraram, assim, dar a conhecer diferentes áreas do trabalho desenvolvido pelo centro, “desde a biologia e geologia às energias renováveis e à biodiversidade”, sempre através de atividades “práticas, participativas e acessíveis a diferentes públicos”.

Para José Carlos Fernandes, a estreia na NEI representa uma oportunidade de levar essa missão a novos públicos. “Iniciativas como a Noite Europeia dos Investigadores são fundamentais para aproximar a ciência das pessoas e mostrar que a ciência não é algo distante ou reservado apenas aos laboratórios e às universidades”, afirmou.

O responsável destaca também a dimensão europeia da iniciativa, que permite juntar diferentes instituições em torno da divulgação científica. “É também muito importante existir um momento em que, por toda a Europa, diferentes entidades se juntam com um objetivo comum: celebrar a ciência, partilhar conhecimento e despertar a curiosidade.” Para o Centro Ciência Viva dos Arcos, essa aproximação deve começar desde cedo, criando oportunidades para que “crianças, jovens, famílias e público em geral possam experimentar, questionar, observar e descobrir”.

A experiência de comunicação de ciência do centro mostra, contudo, que não existe uma fórmula única para chegar ao público. “Não existe uma única forma de chegar a todos os públicos e, por isso, é fundamental perceber quem temos à nossa frente e adaptar a linguagem”, explicou José Carlos Fernandes.

Mais do que transmitir conhecimento, acrescenta, estas iniciativas podem ajudar a criar uma relação de maior confiança com a ciência. “Acreditamos que as atividades e iniciativas como a NEI ajudam a criar uma relação de maior proximidade e confiança com a ciência”, sobretudo num contexto em que é cada vez mais importante “saber distinguir informação científica rigorosa de informação falsa ou enganadora”.

A estreia na NEI Braga permite, assim, ao Centro Ciência Viva dos Arcos juntar-se a uma celebração europeia da ciência e, simultaneamente, levar essa experiência ao seu próprio território, reforçando uma missão que está no centro da sua atividade: aproximar a ciência das pessoas através da experimentação, da curiosidade e da descoberta.

Ciência, tecnologia e património em Guimarães


Também o Curtir Ciência de Guimarães marcou presença na NEI2026 com duas propostas: em “Uma aventura azul”, os participantes acompanharam uma aventura num oceano poluído e utilizaram um robô Lego para ajudar na sua despoluição. Já a atividade de impressão 3D permitiu experimentar canetas e uma impressora 3D, aproximando o público de uma tecnologia cada vez mais presente na investigação e na indústria.


Estas propostas refletem a abordagem do Curtir Ciência, assente numa aprendizagem não formal que procura estimular a curiosidade e o pensamento crítico através da experimentação. A sua oferta inclui oficinas de robótica, sistemas elétricos, fenómenos naturais, biodiversidade e outras atividades práticas adaptadas a diferentes idades.

A presença dos centros de ciência na NEI2026 mostrou, assim, diferentes formas de fazer divulgação científica: olhar para o céu, observar um mineral ao microscópio, construir um carrinho solar, explorar um robô ou experimentar a impressão 3D. Em comum esteve a vontade de retirar a ciência dos espaços onde habitualmente é produzida e colocá-la ao alcance de todos.

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