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Detalhe do evento
Quando a ciência começa na escola
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sexta-feira, 25/09/2026
Escola de Ciências da UMinho
Na Mostra de Ciência da
Noite Europeia dos Investigadores
, as perguntas saíram das salas de aula e ganharam forma em protótipos, experiências, robôs e projetos desenvolvidos por alunos de diferentes escolas da região. De Vila Nova de Famalicão a Guimarães, Braga e Vila Verde, a ciência mostrou-se através da vontade de experimentar, testar ideias, resolver problemas e perceber o que acontece quando se aprende fazendo.
Produzir energia a partir dos passos, criar embalagens que ajudam a identificar alterações nos alimentos, programar robôs, transformar garrafas em carrinhos elétricos ou tornar visível o rasto de partículas foram alguns dos desafios apresentados ao público. Projetos diferentes, mas unidos pela mesma ideia: a ciência pode começar com uma pergunta simples e crescer através da curiosidade, da experimentação e da tentativa e erro.
Mais do que apresentar resultados, os alunos levaram à NEI2026 os caminhos que percorreram até chegar às soluções. E mostraram que fazer ciência também é construir, falhar, reformular e tentar novamente.
E se um passo pudesse acender uma luz?
Um passo. Parece pouco, mas, multiplicado pelos passos de centenas de pessoas, pode representar uma quantidade de energia que normalmente se perde. Foi a partir desta ideia que um grupo de alunos do
Agrupamento de Escolas Padre Benjamim Salgado
, em Vila Nova de Famalicão, começou a explorar uma pergunta simples: será possível transformar o movimento das pessoas em eletricidade?
A resposta começou a ganhar forma no projeto “Step Up Your Power”, através de um protótipo de piso que combina sistemas eletromagnéticos e piezoelétricos para produzir energia a partir dos passos. Mas esta não foi a única pergunta que levou os alunos a experimentar, testar e voltar a tentar.
No projeto “Embalagens Inteligentes Sustentáveis”, o desafio foi outro: criar materiais que possam ajudar a perceber se um alimento ainda está em boas condições. A solução passou pelo desenvolvimento de bioplásticos capazes de mudar de cor perante alterações de pH e temperatura, recorrendo também a pigmentos naturais, como os presentes na couve-roxa. “Os dois projetos nasceram do desafio que procuramos lançar aos alunos: partir de problemas atuais e tentar encontrar, através da ciência, soluções com potencial aplicação no quotidiano”, explicou o professor André Pereira.
E foi sobretudo no caminho até às soluções que aconteceu a parte mais importante da aprendizagem. Houve protótipos para ajustar, materiais para testar e resultados que obrigaram a recomeçar. “A investigação raramente segue um caminho linear: é necessário testar, analisar resultados, perceber o que não funciona, reformular e voltar a experimentar”, contou o docente.
Desenvolvidos sobretudo no Clube Hands On Science, os projetos deram aos alunos a oportunidade de fazer ciência de uma forma diferente. “Deixam de ser apenas recetores de conhecimento e passam a ter um papel ativo: são eles que experimentam, questionam, erram, reformulam e constroem”, sublinhou André Pereira.
Na Noite Europeia dos Investigadores, os protótipos saíram da escola e chegaram ao público. Foi também uma oportunidade para os alunos perceberem que as perguntas que fazem na escola podem dar origem a experiências, soluções e conversas muito semelhantes às que acontecem nos espaços de investigação científica. “É uma oportunidade dos nossos alunos saírem do contexto escolar e apresentar o seu trabalho diretamente ao público”, afirma o professor, destacando o contributo da experiência para a “autonomia, confiança e capacidade de comunicar aquilo que aprenderam”.
No fundo, foi isso que estes projetos levaram à NEI: não apenas respostas, mas perguntas. “A ciência é muito mais do que conteúdos, fórmulas ou experiências com resultados previamente conhecidos”. É também “colocar questões, procurar respostas e desenvolver soluções para problemas concretos”, concluiu o docente.
Sabonetes, pigmentos, plantas invasoras, microalgas, jogos e artefactos: a ciência do D. Maria II na NEI
Na Noite Europeia dos Investigadores, o
Agrupamento de Escolas D. Maria II, de Braga
, mostrou algumas das experiências que fazem parte do trabalho desenvolvido pelo seu Clube de Ciência Viva. Entre sabonetes, tecidos tingidos com pigmentos naturais, identificação e remoção de plantas invasoras, jogos matemáticos e projetos científicos, os alunos e docentes mostraram que a ciência também se aprende a fazer.
O Clube Ciência Viva apresentou na NEI2026 um conjunto de atividades que refletem o trabalho desenvolvido ao longo do ano, entre
workshops
de ciência, projetos de investigação e desafios de matemática e astronomia. A participação permitiu levar para fora da escola experiências que normalmente acontecem nas tardes de quarta-feira, no espaço próprio do clube. “Temos workshops de tingir tecidos com pigmentos naturais, de sabonetes naturais e outros. E foi isso que trouxemos aqui”, explicou Adelina Gomes, professora de Física e Química.
Foi através destas experiências que os visitantes puderam conhecer diferentes formas de fazer ciência. A produção de sabonetes e a utilização de pigmentos naturais para tingir tecidos mostraram como a ciência pode estar presente em atividades próximas do quotidiano, enquanto a identificação de espécies de plantas invasoras levou a observar e compreender melhor o mundo natural.
A par dos
workshops
, a escola apresentou projetos desenvolvidos pelos alunos e atividades ligadas à matemática, à biologia, à astronomia e às tecnologias. Criado em 2014/2015, o Clube de Ciência Viva desta escola procura estimular o interesse dos alunos pelas ciências através da experimentação, da participação em concursos e olimpíadas e do desenvolvimento de projetos científicos. Como os três projetos premiados no Concurso Nacional para Jovens Cientistas 2026 e o projeto premiado no concurso “Há cientistas na Escola”.
Na NEI2026, foram os próprios alunos a dar vida a algumas dessas experiências, num espaço de contacto direto com o público. “Os alunos gostam de fazer estas experiências e apesar de ser um grupo pequeno, aderiram e mostraram-se interessados”, contou Adelina Gomes.
Para o coordenador do clube, professor Julio Bigas, a aproximação entre ciência e comunidade é uma forma de despertar a curiosidade dos mais jovens. “Estes eventos são importantes para divulgar a ciência e devem ir ao encontro daquilo que os alunos querem fazer. É preciso estimulá-los e depois ajudá-los a concretizar as suas ideias”.
Robôs à solta para aprender programação
Na Noite Europeia dos Investigadores, os alunos do
Agrupamento de Escolas do Vale de São Torcato
, em Guimarães, levaram os visitantes a experimentar o mundo da programação através de jogos e robôs. Um comando errado e o robô não faz o que estava pensado. Uma nova tentativa, algumas alterações no código e o movimento acontece. É entre experiências, erros e desafios que os alunos descobrem que programar também é aprender a encontrar soluções.
A atividade “Robôs à Solta!” nasceu do trabalho desenvolvido no clube de robótica da escola, que tem apenas um ano de existência. A aposta em robôs e jogos didáticos procura tornar a programação por blocos mais próxima e intuitiva. “Escolhemos utilizar robôs e jogos didáticos porque permitem tornar a aprendizagem da programação por blocos mais prática, intuitiva e motivadora”, explica a professora Susana Gouveia.
Ao programarem os robôs, os alunos conseguem “visualizar de imediato o resultado dos seus programas, testar soluções, identificar e corrigir erros”, desenvolvendo também “o pensamento lógico, a criatividade e a capacidade de resolução de problemas”.
O primeiro contacto com os robôs trouxe “curiosidade, entusiasmo e vontade de experimentar”. E trouxe também uma descoberta importante: nem sempre acertar à primeira é o objetivo. Os alunos perceberam que podiam “aprender através da tentativa/erro, encarando os desafios como pequenas missões a superar”.
Para o clube, um dos primeiros desafios foi precisamente conseguir envolver os alunos e, depois, adaptar as atividades aos diferentes ritmos e níveis de conhecimento. Foi necessário também mostrar-lhes que “errar, testar e reformular as suas soluções faz parte do processo de aprendizagem”.
É esta possibilidade de experimentar que, segundo Susana Gouveia, faz a diferença. “Utilizando os robôs, a programação deixa de ser apenas um conceito abstrato e passa a ser uma experiência concreta e divertida.” Desta forma, os conhecimentos teóricos ganham aplicação e “a aprendizagem torna-se mais significativa”.
A escola participou pela primeira vez na NEI no ano passado, numa experiência que a docente descreve como “excelente”. O regresso este ano permitiu voltar a colocar os alunos em contacto com o público e mostrar como a programação pode ser aprendida de forma prática.
Para Susana Gouveia, estas iniciativas são “muito importantes”, por proporcionarem aos alunos “uma experiência muito enriquecedora”. E, entre códigos, desafios e robôs em movimento, deixam uma aprendizagem que vai muito além da programação: experimentar, errar e tentar de novo também faz parte de aprender.
De uma garrafa a um robô: a ciência ganha forma na Escola Secundária de Vila Verde
Uma garrafa de plástico pode transformar-se num carrinho elétrico. Um robô pode atravessar uma pista transportando objetos criados pelos próprios alunos. E até partículas que o nosso olhar não consegue detetar podem deixar um rasto visível. Foi com estas experiências que a
Escola Secundária de Vila Verde
se estreou na Noite Europeia dos Investigadores, levando à mostra de ciência três projetos desenvolvidos em diferentes disciplinas de Cursos Profissionais e do Curso de Ciências e Tecnologias, com o apoio do Clube de Ciência Viva da escola.
No “Speed Bottle”, os alunos deram uma nova vida às garrafas de plástico, transformando-as em carrinhos elétricos e colocando-os à prova numa corrida. No “TecnoLab for XXI – Imagina, Modela, Programa e Joga”, juntaram robótica, programação, modelação e impressão 3D num desafio inspirado no “Jogo do Barqueiro”: o robô mBot2 tinha de atravessar uma pista enquanto transportava objetos desenhados em TinkerCad e produzidos pelos próprios alunos.
Já na “A Tornar Visível, o Invisível”, o desafio foi ainda mais surpreendente: construir uma câmara de nuvens capaz de revelar o rasto de partículas que normalmente passam despercebidas ao olho humano.
São projetos diferentes, mas com um ponto de partida comum: aprender ciência fazendo. Construir, testar, procurar soluções e perceber o que acontece quando uma ideia passa do papel para a realidade foram algumas das experiências proporcionadas aos alunos.
“Os projetos nasceram com o objetivo de aproximar os alunos da ciência e da tecnologia através da experimentação, da criatividade e da resolução de problemas reais”, explicou o professor Paulo Sousa. E a resposta dos alunos confirmou o valor dessa abordagem, com entusiasmo e curiosidade perante os desafios propostos.
Para a escola, a participação teve ainda um significado especial por ser a primeira na NEI. “Esta foi a primeira participação da ESVV na Noite Europeia dos Investigadores, no âmbito do CCV, uma experiência que se revelou muito positiva”, afirmou o docente.
Levar os projetos para fora da sala de aula permitiu também mostrar à comunidade aquilo que os alunos são capazes de criar. “A oportunidade de levar a ciência para além da sala de aula, partilhar com a comunidade o trabalho desenvolvido na escola e despertar nos mais jovens o gosto pela descoberta e pela ciência deixou a vontade de regressar e repetir a experiência em futuras edições”, acrescentou Paulo Sousa.
Na Escola Secundária de Vila Verde, a ciência chegou à NEI em diferentes formas: correu sobre rodas, atravessou uma pista e tornou visível o que não se vê. Em comum, ficou uma ideia: criar, experimentar e inovar também é fazer ciência.
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