terça-feira, 23/07/2024
Departamento de Física da Escola de Ciências da UMinho
Alterações são
em geral temporárias e não prejudiciais, diz Miguel Gomes, do Departamento de
Física da Escola de Ciências
Praticar
mergulho de forma recreativa ou profissional provoca alterações no sistema
ocular, mas em geral não são prejudiciais. Os resultados surgem numa
investigação do Departamento de Física da Escola
de Ciências da Universidade do Minho, que serviu de base à tese de mestrado
em Optometria Avançada de Miguel Gomes.
Intitulado
“Alterações oculares em profundidades aquáticas”, o trabalho incluiu um estudo
experimental com seis mergulhadores, três com experiência de mergulho e
certificados e os outros sem experiência, numa piscina municipal. Foram
avaliados parâmetros como a refração, a acuidade visual e a pressão
intraocular, seja antes, imediatamente após e meia hora depois do mergulho. “Para perceber melhor os efeitos, tentamos superar
limites de profundidade e de tempo de mergulho”, refere Miguel Gomes.
Na literatura
científica existe uma grande lacuna sobre os impactos do mergulho no sistema visual, sejam transitórios ou não. “Ter
essa informação é importante para evitar e prevenir lesões e acidentes
subaquáticos, como na melhoria de equipamentos e técnicas”, frisa o jovem. O seu estudo
detetou alterações no sistema ocular às variações de pressão e óticas no meio
aquático, sobretudo na pressão intraocular, mas todos os
parâmetros foram revertidos após o mergulho.
“Mostrámos
a capacidade de adaptação do olho humano neste contexto até cinco metros de
profundidade e meia hora de mergulho, registando mudanças visuais
temporárias e não clinicamente significativas a prazo”, resume Miguel Gomes. O investigador pretende agora alargar o estudo a mais participantes e com
testes em alto mar, um ambiente que não é controlado.