quinta-feira, 09/10/2025
Departamento de Física
Iniciativa da Escola de
Ciências e da CCDR-Norte destacou a importância da saúde visual no contexto
profissional.
Fazer pausas visuais frequentes, ajustar o topo do
monitor à altura dos olhos e a cerca de um braço de distância, adotar uma
postura ergonómica e usar mobiliário adequado, garantir uma boa iluminação —
evitando brilhos e reflexos de pontos de luz e janelas — ou piscar os olhos com
frequência para os manter lubrificados. Estes foram alguns dos conselhos
deixados por Sandra Franco, professora do Departamento de Física da Escola de
Ciências da UMinho (ECUM), durante
uma mesa redonda promovida a 9 de outubro, no polo de Braga da CCDR-Norte.
A investigadora foi uma das participantes da sessão
subordinada ao tema “Visão no Trabalho”, com o mote “Love Your Eyes at Work
– A produtividade começa com uma boa visão”, organizada pela ECUM e pela
CCDR-Norte para assinalar o Dia Mundial da Visão. Para além destas práticas,
que reduzem a fadiga ocular e promovem maior conforto e produtividade, a
docente lembrou ainda a importância de efetuar exames visuais regulares e
ajustar o brilho, o contraste e o tamanho do texto no ecrã. Pequenas alterações
que podem prevenir a fadiga ocular e melhorar o bem-estar no trabalho.
A sessão, onde foram também abordados temas como o
olho seco associado ao uso prolongado de ecrãs e os erros refrativos mais
comuns — miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia — contou ainda com a participação
do docente Jorge Jorge e dos investigadores Rute Araújo e Filipe Silva.
Há vários estudos que apontam para um aumento global
da miopia, que poderá afetar 50% da população mundial em 2050, o que tem
motivado diversas ações de sensibilização. Entre as principais causas da miopia
(dificuldade em ver ao longe) estão fatores genéticos e ambientais que afetam o
crescimento e a forma do olho — como a hereditariedade, a exposição excessiva a
tarefas de visão próxima (muitas horas a ler, estudar ou usar ecrãs), a falta
de exposição à luz natural, uma dieta pobre em nutrientes essenciais à visão ou
a ausência de correção ótica adequada. “A miopia, depois de surgir, não
desaparece, mas pode ser compensada e existem estratégias para travar a sua
progressão. Nas miopias severas é aconselhável ter um acompanhamento oftalmológico
ou optométrico mais frequente”, referiu a investigadora Rute Araújo.
O desenvolvimento científico tem permitido criar
lentes que ajudam a reduzir a progressão da miopia, especialmente quando
começam a ser usadas na infância — altura em que esta condição normalmente
surge e progride mais rapidamente até à idade adulta. “Podemos quase considerar
um crime não informar os pais da existência destas lentes. Não é por as usarem
que a miopia deixa de aumentar, mas cresce a um ritmo mais lento”, afirmou o
docente Jorge Jorge.
Outro dos problemas que afeta a produtividade é a
secura ocular, ou síndrome do olho seco. Trata-se de uma condição em que os
olhos não produzem lágrimas suficientes ou estas evaporam demasiado depressa,
comprometendo a lubrificação e proteção da superfície ocular e podendo causar
desconforto ou até lesões. “Temos ardência, comichão, irritação ocular, secura,
sensação de areia, lacrimejo excessivo, sensibilidade à luz e visão turva”,
explicou o investigador Filipe Silva, sublinhando que o problema pode ser
tratado com gotas ou pomadas oftálmicas, higiene das pálpebras e, em alguns
casos, com lentes de contacto terapêuticas.
O encontro decorreu no polo de Braga da CCDR-Norte e destinou-se
aos seus colaboradores, tendo sido também transmitido online para permitir uma
participação alargada.