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Estudo internacional sobre interações raras de neutrinos solares com participação da Escola de Ciências Voltar

sexta-feira, 09/01/2026    LIP-Minho
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Interações entre neutrinos solares e núcleos de carbono-13 observadas pela primeira vez.
A experiência SNO+, uma grande colaboração internacional dedicada ao estudo de neutrinos e outros processos raros em Física de Partículas, localizada a cerca de 2 km de profundidade na mina de Sudbury, no Canadá, obteve a primeira evidência experimental de neutrinos produzidos no Sol a interagirem diretamente com núcleos de carbono-13. O trabalho contou com a participação de Nuno Barros, professor da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) e diretor do LIP Minho, que coordena no SNO+ o grupo de reconstrução de eventos. O resultado foi agora publicado na revista Physical Review Letters e selecionado como Editors’ Suggestion.

“Estes resultados reportam a deteção de neutrinos através de uma interação completamente nova, com impacto importante para esta área. É também um exemplo do que uma colaboração internacional consegue alcançar, envolvendo investigadores de vários países e uma fração substancial de estudantes. Sendo uma grande colaboração, este tipo de experiências proporciona um ambiente muito enriquecedor para os estudantes”, afirma Nuno Barros.

A identificação destas interações baseou-se num método conhecido como “coincidência atrasada”, que procura dois sinais de luz ligados no tempo. Em cada evento candidato, o primeiro sinal corresponde à interação do neutrino no detetor; o segundo surge vários minutos mais tarde, associado ao decaimento radioativo do núcleo produzido. Esta assinatura temporal permite distinguir estas interações extremamente raras do ruído de fundo e de outros processos.

A análise identificou 5,6 eventos ao longo de 231 dias de dados, em concordância estatística com os 4,7 eventos esperados para esse período. O reduzido número de eventos resulta da combinação da probabilidade extremamente baixa de interação dos neutrinos, que conseguem viajar do interior do Sol até ao detetor, atravessando quilómetros de rocha, e da baixa abundância natural do isótopo carbono-13.

O estudo contou com a participação de cerca de uma centena de investigadores de instituições da Europa, América do Norte e Ásia. Em Portugal, o trabalho foi desenvolvido por uma equipa do LIP, envolvendo investigadores e estudantes dos polos de Lisboa, Coimbra e Minho.

A experiência SNO+ dá continuidade ao trabalho iniciado no Observatório de Neutrinos de Sudbury (SNO), cujas medições foram decisivas para a descoberta das oscilações de neutrinos, distinguida com o Prémio Nobel da Física em 2015.

Crédito da Imagem: SNOLAB
O recipiente acrílico de 12 metros de diâmetro, rodeado por 9.000 tubos fotomultiplicadores, no coração das experiências Sudbury Neutrino Observatory e SNO+. O recipiente contém atualmente cerca de 800 toneladas de cintilador líquido para deteção de neutrinos.

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