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Investigação da Escola de Ciências desenvolve microfibras inteligentes para construção Voltar

quinta-feira, 19/03/2026    Centro de Física
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Combate a pobreza energética e o efeito de ilha de calor urbana, promovendo cidades mais confortáveis, económicas e resilientes a climas extremos.
Investigadores da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) estão a desenvolver microfibras inteligentes capazes de regular a temperatura dos materiais de construção utilizados na Engenharia Civil, como pavimentos betuminosos e argamassas de cimento para edificações urbanas. A solução pretende contribuir para infraestruturas mais sustentáveis, promovendo maior conforto térmico nas cidades, mitigando o efeito da ilha de calor urbana e a pobreza energética.

A investigação integra dois projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT): o projeto exploratório (RE)NERGY-BUILD e o doutoramento em Engenharia de Materiais da estudante Nathalia Hammes, coordenados pelos Professores Joaquim Carneiro (Centro de Física da Escola de Ciências da UMinho - CF-UM-UP), Iran Rocha Segundo (CERIS/Instituto Superior Técnico) e pela Doutora Helena Prado Felgueiras (2C2T - UMinho).


As microfibras são produzidas por fiação húmida, processo em que ocorre a precipitação e solidificação do material, e incorporam materiais de mudança de fase (PCMs), capazes de absorver e libertar energia conforme a temperatura varia. No doutoramento, utilizam-se PCMs à base de polietilenoglicol, enquanto, no projeto (RE)NERGY-BUILD, recorrem-se a ácidos gordos.

Segundo Nathalia Hammes, “as fibras funcionam como pequenos cabos, com o núcleo contendo os PCMs e o revestimento a protegê-los. Durante o aquecimento ou arrefecimento, o núcleo muda de fase, absorvendo ou libertando energia que alteraria a temperatura do compósito. Isto ajuda a estabilizar a temperatura nas cidades e evita o uso excessivo de ar condicionado ou aquecedores”. Resultados preliminares indicam que estas microfibras mantêm temperaturas mais estáveis do que soluções convencionais.

A investigação distingue-se ainda pela aposta em materiais reciclados e processos sustentáveis, nomeadamente a reciclagem de tecidos para produzir o revestimento da fibra e o estudo de materiais derivados de óleos alimentares, utilizados na produção de PCMs reciclados. Outro elemento inovador é o desenvolvimento de microfibras com PCMs eutéticos binários, com potencial para um funcionamento térmico mais versátil. “Ao controlar a temperatura nos centros urbanos, esta tecnologia pode melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”, sublinha a investigadora. A equipa está também a avaliar a viabilidade económica da tecnologia e a planear testar os materiais em cenários climáticos extremos.
Para além da Engenharia Civil, estas microfibras poderão, futuramente, ser aplicadas em vestuário técnico e na Engenharia Aeroespacial, na gestão térmica passiva de satélites e sensores, e no desenvolvimento de roupas e equipamentos para militares em ambientes com grandes variações de temperatura, respetivamente.

Talento jovem na Engenharia de Materiais


“Apaixona-me ver as ideias transformarem-se em materiais e soluções concretas e contribuir para um mundo mais sustentável por meio de materiais ecológicos para cidades inteligentes”, afirma Nathalia Hammes, mestre em Engenharia de Materiais pela Universidade do Minho. Natural de Santa Catarina (Brasil), reside em Portugal desde 2017 e destacou-se no Concurso de Bolsas de Doutoramento 2024 da FCT, ao alcançar o primeiro lugar no painel de Nanomateriais e Engenharia de Materiais, um dos mais competitivos a nível nacional, com um tema desenvolvido predominantemente na ECUM.

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