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Pedro Filipe Ribeiro da Costa – Investigador Auxiliar no Centro de Física Voltar

segunda-feira, 01/06/2026    Centro de Física
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Natural de Braga e formado pela Universidade do Minho (UMinho), Pedro Filipe Ribeiro da Costa construiu o seu percurso académico e científico na área da Física dos Materiais, onde alia curiosidade fundamental e vocação aplicada. Investigador do Centro de Física da UMinho (CFUM) desde 2010, tem-se dedicado ao desenvolvimento de materiais flexíveis e compósitos funcionais capazes de medir deformações, atuar mecanicamente ou converter movimento em energia elétrica.
Do projeto de licenciatura ao doutoramento em Engenharia de Materiais, o seu trajeto tem sido marcado por uma ligação consistente à investigação e pela ambição de transformar conhecimento científico em soluções tecnológicas com impacto real. Entre sensores, polímeros e nanomateriais, o seu trabalho cruza ciência, inovação e colaboração internacional, contribuindo para aproximar a investigação desenvolvida na Escola de Ciências da sociedade e da indústria.

NOME: Pedro Filipe Ribeiro da Costa
IDADE: 43
NACIONALIDADE/NATURALIDADE: Portuguesa / Braga
ÁREA DE INVESTIGAÇÃO: Física dos Materiais
CENTRO DE INVESTIGAÇÃO (desde quando): CFUM desde 2010
CATEGORIA ATUAL: Investigador Auxiliar
FORMAÇÃO ACADÉMICA: Licenciatura em Física, Mestrado em Materiais e Doutoramento em Engenharia de Materiais pela Universidade do Minho
HOBBIES: Leitura, Desporto, Praia

Conte-nos um pouco sobre o seu percurso académico e profissional.

Entrei, em 2002, na Licenciatura em Física, na Escola de Ciências da Universidade do Minho, e, mais tarde, prossegui para o Mestrado em Materiais e para o Doutoramento em Engenharia de Materiais. O contacto com a investigação começou cedo, no projeto de licenciatura, e consolidou-se na dissertação de mestrado.

Em 2010, iniciei o doutoramento, dedicado ao desenvolvimento de materiais deformáveis para sensores capazes de medir deformações muito superiores às das tecnologias tradicionais. Ao longo do percurso — entre diferentes projetos, períodos de mobilidade e experiência internacional — mantive sempre o foco na física dos materiais aplicada a sensores, atuadores e sistemas de colheita de energia, com o objetivo de alimentar dispositivos de baixa potência e criar soluções úteis para o dia a dia e para a indústria.

Em que consiste a sua investigação e qual o seu contributo para a ciência nacional e internacional e impacto para a sociedade?

A minha investigação centra-se no desenho e funcionalização de materiais flexíveis, sobretudo polímeros, reforçados com nanopartículas para criar compósitos funcionais. Estes materiais podem atuar como sensores (força, pressão, deformação), atuadores, ou como geradores/coletores de energia, por exemplo através de efeitos piezoelétricos, convertendo movimento e vibração em eletricidade para aplicações de baixa potência ou no efeito piezoresistivo que mede a variação da deformação linearmente com a voltagem medida.

Participo regularmente em projetos nacionais, europeus e em colaboração com empresas, conciliando ciência fundamental com desenvolvimento orientado à aplicação. No âmbito da transferência de tecnologia, estive envolvido em duas patentes com uma empresa internacional. Tenho publicações com impacto e citação internacional e desenvolvo colaborações nacionais e internacionais.

Para a sociedade, participo em palestras e atividades de divulgação científica para estudantes e público em geral, em iniciativas organizadas pela Escola de Ciências da UMinho, e tenho coorientado alunos de licenciatura, mestrado e doutoramento ao longo do meu percurso.

Quais foram as descobertas mais importantes até ao momento?

Um dos contributos mais relevantes foi o desenvolvimento de sensores flexíveis para grandes deformações (superiores a 10%), utilizando termoplásticos elastómeros reforçados com nanomateriais de carbono (por exemplo, nanotubos de carbono ou grafeno). Esta abordagem permite combinar elasticidade com resposta elétrica estável, abrindo caminho a sensores robustos para aplicações reais, onde o material precisa de esticar sem perder desempenho.

Além disso, tenho trabalhado na funcionalização de diferentes classes de polímeros — de elastómeros a termoplásticos e termoendurecíveis — recorrendo a diferentes partículas de reforço e técnicas de processamento, para ajustar propriedades elétricas, dielétricas e piezoelétricas e transformar estes compósitos em dispositivos funcionais.

Porque decidiu investigar nesta área? O que ou quem o inspirou?

Conheci esta área durante a licenciatura e continuei a aprofundá-la no mestrado. No doutoramento, ao trabalhar intensamente nestes materiais, percebi o seu enorme potencial científico e tecnológico: exigem conhecimento fundamental, mas têm uma ligação direta à indústria e à criação de soluções concretas, quer em alternativa a materiais comerciais quer como novos materiais a introduzir em aplicações emergentes.

A motivação vem do próprio processo de investigação: aprender, testar ideias, desenvolver métodos, criar materiais novos e transformar conceitos em protótipos. Ver uma prova de conceito funcionar — seja um sensor, um atuador ou um gerador de energia — é uma satisfação que tem alimentado o meu gosto pela ciência e pela inovação.

Quais têm sido os principais desafios?

Cada projeto tem desafios próprios, mas há um denominador comum: a necessidade constante de inovar, acompanhar a literatura e formular problemas relevantes com soluções demonstráveis. Um desafio central é compreender a físico-química dos materiais e conseguir traduzir esse conhecimento em desempenho e fiabilidade em contexto real.

Na prática, isso implica integrar três dimensões: compreender os mecanismos, caracterizar de forma completa e processar com controlo para obter materiais consistentes — incluindo manufatura aditiva quando necessário. Fazer esta ponte entre ciência fundamental e aplicação continua a ser o maior desafio, e também a parte mais estimulante do meu trabalho.

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