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Pedro Manuel Abreu Martins - Investigador doutorado de nível inicial no Centro de Biologia Molecular e Ambiental Voltar

sexta-feira, 31/07/2026    Centro de Biologia Molecular e Ambiental
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Pedro Manuel Abreu Martins, investigador no Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) desde 2021, desenvolve investigação na área da remediação ambiental, com especial enfoque no tratamento da água e na remoção de contaminantes emergentes.
Licenciado em Biologia Aplicada, mestre em Micro e Nanotecnologia e doutorado em Ciências pela Universidade do Minho, partilha nesta entrevista o seu percurso académico e científico, reflete sobre os desafios da investigação, destaca os avanços alcançados no desenvolvimento de membranas inteligentes para a remediação ambiental e explica como a ciência pode contribuir para proteger um dos recursos mais essenciais do planeta: a água. Nos tempos livres, dedica-se ao cinema, ao futebol, à culinária e ao Pilates.

Nome:
Pedro Manuel Abreu Martins
Nacionalidade/Naturalidade: Português
Área de Investigação: Desenvolvimento de materiais avançados para remediação ambiental, com foco no tratamento de água e na remoção de contaminantes emergentes.
Centro de Investigação (desde): Centro de Biologia Molecular e Ambiental (desde 2021)
Categoria atual: Investigador doutorado de nível inicial.
Formação Académica: Licenciatura em Biologia Aplicada, Mestrado em Micro e Nanotecnologia e Doutoramento em Ciências
Hobbies: cinema, futebol, culinária e Pilates.

Conte-nos um pouco sobre o seu percurso académico e profissional.

O meu percurso académico teve início na Universidade do Minho, onde concluí a Licenciatura em Biologia Aplicada, seguida de um Mestrado em Micro e Nanotecnologia e, posteriormente, do Doutoramento em Ciências. Ao longo deste percurso, fui desenvolvendo uma abordagem multidisciplinar, combinando conhecimentos de biologia, materiais e engenharia para responder a desafios ambientais. Após o doutoramento, participei em diferentes projetos de investigação nacionais e internacionais, consolidando competências no desenvolvimento de materiais avançados para aplicações ambientais. Desde 2021, sou investigador no Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho, onde coordeno e participo em projetos nacionais e internacionais focados na remediação da água, no desenvolvimento de membranas multifuncionais e na utilização de tecnologias de fabrico aditivo (impressão 3D) para criar soluções sustentáveis para a remoção de contaminantes emergentes.
Paralelamente à investigação, tenho também desenvolvido atividade de docência, orientado estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento e colaborado em redes internacionais, procurando sempre promover a transferência de conhecimento científico para aplicações com impacto na sociedade.

Em que consiste a sua investigação e qual o seu contributo para a ciência nacional e internacional e impacto para a sociedade?

A minha investigação centra-se no desenvolvimento de materiais avançados e tecnologias inovadoras para a remediação da água, com especial enfoque na remoção de contaminantes emergentes, como PFAS, fármacos, pesticidas e outros compostos persistentes, que resistem tratamentos convencionais das ETAR e das ETA. O meu trabalho combina diferentes áreas do conhecimento, nomeadamente biologia, química, física, ciência dos materiais e manufatura aditiva, para desenvolver soluções mais eficientes, sustentáveis e mais próximas das necessidades impostas pelas aplicações reais.
Ao longo do meu percurso tenho procurado internacionalizar esta investigação através de colaborações com universidades, centros de investigação e empresas de vários países, incluindo instituições da Alemanha, de Espanha, da China, de Itália e da Argélia. Paralelamente, tenho trabalhado em estreita colaboração com empresas e entidades reconhecidas nas respetivas áreas, como a ARKEMA, a PPG Industries e as Águas do Norte, procurando acelerar a transferência de conhecimento e aproximar a investigação das necessidades da sociedade e da indústria.
Acredito que o impacto na sociedade deve ser uma consequência de um trabalho assente em princípios de visão a médio e longo prazo, na formação de bons investigadores e no trabalho colaborativo, desenvolvido de forma sistemática – quer dentro da nossa equipa quer com outras instituições. Em última análise, o objetivo é desenvolver tecnologias que contribuam para proteger o recurso mais importante do planeta. Se conseguirmos tornar o tratamento e a monitorização da água mais eficazes, sustentáveis e acessíveis, estaremos a contribuir de forma indelével para a proteção da saúde pública e dos ecossistemas, bem como para uma melhor qualidade de vida das gerações vindouras.

Quais foram as descobertas mais importantes até ao momento?

Creio que uma das minhas principais contribuições científicas foi o desenvolvimento e validação de uma nova geração de membranas poliméricas inteligentes. Abandonámos o conceito tradicional de membrana como uma simples barreira física e evoluímos para membranas ativas, capazes de responder a diferentes estímulos físicos (e.g., radiação) e, em alguns casos, degradar contaminantes presentes na água, como fármacos, pesticidas e disruptores endócrinos.
Atualmente, estamos a dar mais um passo nesta evolução através do desenvolvimento de membranas multifuncionais, concebidas para desempenhar várias funções em simultâneo. Para além de removerem ou degradarem contaminantes, estas membranas podem incorporar propriedades antimicrobianas ou funcionar como sensores, permitindo monitorizar, em tempo real, a qualidade da água. Esta abordagem representa uma mudança de paradigma, transformando as membranas de simples elementos passivos de filtração em plataformas inteligentes.

Porque decidiu investigar nesta área? O que ou quem o inspirou?

O ponto de partida foi, efetivamente, o curso de Biologia Aplicada. Embora o início do curso tenha sido um pouco atribulado, especialmente o primeiro ano, porque sentia que aquilo que aprendia ainda estava distante da ideia que tinha de fazer ciência, de ser investigador - aquela visão romântica e imediatista que nos caracteriza quando somos jovens. Com o tempo, percebi que, antes de descobrir, é preciso aprender e construir bases sólidas. Foi essa mudança de perspetiva que me fez valorizar a formação multidisciplinar que o curso me proporcionou.
No final da licenciatura, tive contacto com unidades curriculares relacionadas com a água e os seus desafios ambientais e desenvolvi um projeto de investigação focado na monitorização biológica de ETAR. Foi nesse momento que percebi que queria dedicar-me a esta área. Embora, na altura, ainda não existisse a preocupação que hoje existe com os contaminantes emergentes e com a qualidade da água, senti desde cedo que este seria um dos grandes desafios do futuro e que era aqui que queria dar o meu contributo. O contacto com o Mestrado em Micro e Nanotecnologia acabou apenas por me abrir portas e dotar-me das ferramentas e competências necessárias para solucionar os problemas que já havia identificado no ambiente e que gostaria de ajudar a resolver.

Quais têm sido os principais desafios?

Os desafios estão relacionados com a forma como encaro a investigação. Acredito que os avanços científicos mais relevantes resultam do trabalho de equipas multidisciplinares, capazes de integrar diferentes conhecimentos e perspetivas. No entanto, construir essas equipas exige tempo, planeamento e investimento nas pessoas. É necessário formar investigadores, criar redes de colaboração e desenvolver uma cultura de trabalho conjunto, sabendo que os resultados mais significativos surgem, muitas vezes, apenas a médio e longo prazo.
Por vezes, não é fácil encontrar o equilíbrio entre esta visão de longo prazo e a necessidade, frequentemente imediata, de produzir resultados científicos. Ainda assim, continuo a acreditar que investir nas pessoas e nas equipas é a melhor forma de gerar ciência de excelência e com impacto duradouro.
Felizmente, acredito que ambos os desafios têm sido superados com sucesso. Embora este seja um processo contínuo, os resultados alcançados reforçam a convicção de que vale a pena investir numa visão de longo prazo, assente na colaboração, na confiança e na excelência científica.
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