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Encontro ARNET debateu como aproximar a ciência das decisões sobre o território Voltar

sexta-feira, 31/07/2026    Centro de Biologia Molecular e Ambiental
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Mais de uma centena de investigadores participaram, nos dias 6 e 7 de julho, na Universidade do Algarve (UAlg), em Faro, no 2.º Encontro ARNET. Sob o mote "Dos rios ao oceano: ciência para um território em mudança", o evento colocou em debate o contributo da investigação científica para responder aos desafios ambientais e a forma como esse conhecimento pode apoiar a gestão e a tomada de decisão sobre o território.
Ao longo dos dois dias, os participantes abordaram a importância de aproximar a ciência dos decisores, defendendo que o conhecimento produzido pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), pelo Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) e pelo Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) deve chegar às autarquias, às agências públicas e às organizações da sociedade civil para contribuir de forma mais eficaz para a definição de políticas e estratégias de gestão do território.

Ciência ao serviço do território

A necessidade de colocar a ciência ao serviço das decisões sobre o território marcou a sessão de abertura do encontro. André Pacheco, vice-diretor do ARNET e diretor do CIMA, instituição anfitriã, destacou os principais desafios ambientais que o país enfrenta, como as alterações climáticas, a escassez hídrica, a perda de biodiversidade, os eventos extremos e a transição para uma economia azul sustentável, defendendo a adoção de respostas mais integradas.
Uma ideia reforçada por Pedro Raposo de Almeida, diretor do ARNET e do MARE, ao defender que "a ciência deve ser o motor da decisão, e não apenas um repositório de conhecimento". Já Cláudia Pascoal, vice-diretora do ARNET e diretora do CBMA, sublinhou a dimensão nacional da rede, que integra investigadores distribuídos por todo o país, do Minho ao Algarve.
Por sua vez, a vice-reitora para as Parcerias e Universidade Europeia da Universidade do Algarve, Patrícia Pinto, destacou a necessidade de criar "mais pontes para o conhecimento", aproximando investigadores, decisores, universidade e sociedade. A mesma ideia foi reforçada por Cristiano Cabrita, vice-presidente da CCDR Algarve, que reconheceu as dificuldades em integrar o conhecimento científico nas políticas públicas, quer pela distância entre os dois setores, quer pela falta de familiaridade de alguns decisores com a investigação científica.

Da investigação à decisão

A relação entre investigação e decisão política esteve no centro de um painel que reuniu representantes de diferentes organizações. Catarina Grilo, da WWF Portugal, lembrou que a ciência é um elemento essencial, mas que as decisões públicas dependem igualmente da aceitação social das soluções propostas, destacando o papel das organizações não-governamentais na aproximação entre investigadores e decisores.

Do lado da administração pública, Inês Alves, da Agência Portuguesa do Ambiente, defendeu que "perante uma realidade cada vez mais complexa, a decisão tem de assentar em conhecimento sólido e atualizado", enquanto Miguel Miranda, do AIR Centre e Gonçalo Duarte Gomes, do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), abordaram os desafios de conciliar economia azul e conservação e a importância de recuperar o envolvimento direto das comunidades locais na gestão do território.
No mesmo painel, Valentina Calixto, da Câmara Municipal de Faro, defendeu que o envolvimento direto das populações continua a fazer diferença nas decisões sobre o território, dando como exemplo o processo de participação pública da autoestrada A22, que resultou em diversas alterações para atender aos interesses da população.
Teresa Cruz, do MARE, apresentou ainda o primeiro comité de cogestão de uma pescaria em Portugal, dedicado ao percebe na Reserva Natural das Berlengas, resultado de vários anos de colaboração entre cientistas e mariscadores.

Comunicação, serviços e dados: as ferramentas da rede

No encontro foram ainda abordadas ferramentas que sustentam o trabalho em rede do ARNET. Vera Sequeira (MARE) apresentou o percurso do grupo de Comunicação, hoje mais visível do que há dois anos, e lançou um desafio para o futuro: ir além das redes sociais, rumo a uma comunicação mais estratégica, capaz de traduzir de forma coerente o papel do ARNET na aproximação entre ciência, política e ação.
João Paulo Medeiros (MARE) apresentou a Plataforma de Serviços do ARNET, cujo objetivo é reunir, num catálogo validado, os serviços científicos que os centros da rede podem disponibilizar a entidades externas, desde monitorizações ambientais até ensaios laboratoriais.
Já Joana Boavida-Portugal (MARE) apresentou o ARNET DataHub, criado em 2022 para reunir os dados científicos produzidos pelas várias unidades da rede. Este trabalho ganhou novo impulso em 2025, com a parceria estabelecida com o CoLab +Atlantic, através da criação de uma interface capaz de cruzar dados de modelos numéricos com medições recolhidas no terreno através de boias, estações de monitorização e ferramentas genéticas.
Um programa alargado

O encontro incluiu também um vasto conjunto de apresentações como os riscos de erosão costeira e de cheias em Faro e no rio Mondego, a intrusão salina no estuário do Guadiana, a gestão de áreas protegidas no Algarve, ferramentas moleculares e de baixo custo para a monitorização da biodiversidade, o potencial biotecnológico das macroalgas e os desafios da mineração no mar profundo e do ordenamento do espaço marinho face às alterações climáticas.
Sobre a poluição por plásticos nos rios portugueses, Giorgio Pace (CBMA) lançou um repto: criar um observatório nacional dedicado a este tema, alargando às restantes unidades da rede um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo centro.
O encontro terminou com uma nota de confiança no futuro da rede. André Pacheco lembrou que o sucesso destes dois dias não foi um acaso, mas o resultado de um objetivo comum: "Quando estamos a trabalhar todos juntos nesse objetivo, conseguimos criar aqui algo bastante especial, que mostra que o ARNET pode funcionar em rede", concluiu.

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