quarta-feira, 30/09/2026
Centro de Matemática
Projeto-piloto
está a decorrer no Vale da Vilariça (Bragança) e é financiado pela FCT, BPI e
Fundação “la Caixa”
Uma equipa
liderada pela Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) está a desenvolver um sistema de
inteligência artificial (IA) para prever e monitorizar as necessidades hídricas
dos olivais. O sistema cruza dados de sensores no terreno, como a humidade do
solo e as condições atmosféricas, para recomendar quando e quanta água é ideal
libertar pelo sistema gota-a-gota. O agricultor gere tudo numa aplicação do telemóvel
ou computador e, mesmo sem instalar
sensores, poderá obter recomendações com dados de estações meteorológicas e
satélites.
As
alterações climáticas e as secas longas têm vindo a afetar as oliveiras, que
podem deixar de produzir ou morrer, diminuindo a qualidade e quantidade da
azeitona e aumentando o preço do azeite ao consumidor. Com o novo sistema, os
agricultores vão poder prever as necessidades, ter planos ótimos de irrigação e
também perceber os nutrientes que a árvore precisa, melhorando assim a produção
e reduzindo o desperdício de água.
O projeto é coordenado pela investigadora Cecília
Coelho, no Centro de Matemática da ECUM, onde conta também com Fernanda
Costa, Luís Ferrás, Carolina Ribeiro, Susana Faria, Laid Boudjellal, Beatriz Marques e Virgílio
Loureiro. O trabalho tem como parceiros José Almendra e Rosa Almendra, da
Associação de Agricultores do Vale da Vilariça, Bartolomeu Cruz, da empresa
Sementinteligente, e Anabela Fernandes, da Universidade de Trás-os-Montes e
Alto Douro. O
trabalho decorre de 2025 a 2028, sendo financiado em 280 mil euros pela
Fundação para a Ciência e a Tecnologia, pela Fundação “la Caixa” e pelos
parceiros.
A equipa já recolheu
dados atmosféricos e do solo numa exploração em Vilarelhos, no Vale da
Vilariça. Os modelos e o software irão ser melhorados com base na experiência
da associação de agricultores. “Quem não quiser comprar os sensores, poderá também
utilizar o software, porque vamos instalar uma estação atmosférica local”, diz Cecília
Coelho. Os dados recolhidos no terreno, por satélite ou por modelos de IA,
serão disponibilizados online. Pretende-se que o sistema possa ser mais tarde implementado
noutras zonas de Portugal e em Espanha. O objetivo é tornar a produção
olivícola mais eficiente e sustentável, beneficiando os agricultores, as
economias locais, os ecossistemas e os consumidores.