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Espécies invasoras representam ameaça crescente aos ecossistemas e à sociedade Voltar

terça-feira, 03/03/2026    Centro de Biologia Molecular e Ambiental
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Investigador da Escola de Ciências integra estudos internacionais que alertam para impactos graves na biodiversidade, economia e saúde humana.
Ronaldo Sousa, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), foi o único investigador português a integrar duas equipas internacionais responsáveis por estudos de referência sobre o problema das invasões biológicas.

As duas revisões científicas, recentemente publicadas na revista Biological Reviews, uma das mais prestigiadas revistas científicas na área da Biologia, intituladas The Impacts of Biological Invasions e The Spread of Non-Native Species, analisam os impactos ecológicos, económicos e sociais das espécies invasoras, bem como os mecanismos que explicam a sua rápida disseminação, sublinhando a urgência de prevenir e gerir a sua dispersão nos ecossistemas terrestres e aquáticos. Os estudos mostram que as invasões biológicas são um dos principais motores da perda de biodiversidade a nível global, e que os seus efeitos se tendem a intensificar nas próximas décadas.


Os estudos demonstram que as espécies não nativas alteram profundamente o funcionamento dos ecossistemas, interferindo nas cadeias alimentares, nos ciclos biogeoquímicos e na estrutura das comunidades biológicas. Estes impactos traduzem-se não apenas em perdas ecológicas significativas, mas também em elevados custos económicos, com prejuízos para setores como a pesca, a agricultura e a floresta, além de riscos diretos para a saúde humana.

Segundo os autores, fatores como a globalização, o comércio internacional — incluindo o comércio online —, as alterações no uso do solo e as mudanças climáticas estão a acelerar a introdução de espécies não nativas. Uma vez estabelecidas, muitas destas espécies apresentam elevada capacidade de dispersão, reprodução e adaptação, tornando a sua erradicação ou controlo extremamente difícil, ou mesmo impossível. “As invasões biológicas não são eventos isolados, mas processos contínuos e cumulativos, impulsionados por atividades humanas que, de forma deliberada ou acidental, movem organismos entre regiões”, sublinha Ronaldo Sousa. “A prevenção é, de longe, a estratégia mais eficaz e economicamente mais viável para mitigar os problemas gerados”, conclui o biólogo.

Os artigos destacam ainda que os impactos das invasões biológicas são frequentemente subestimados, em parte porque se manifestam de forma gradual ou indireta, interagindo com outras pressões ambientais, como alterações climáticas e poluição, o que pode gerar efeitos sinérgicos e amplificar os danos ecológicos e económicos.

Com base nos resultados obtidos, os investigadores defendem o reforço das medidas de prevenção e biosegurança nas principais rotas de introdução, a implementação de sistemas eficazes de deteção precoce e resposta rápida a novas introduções, a integração do conhecimento científico nas decisões políticas e o fortalecimento da cooperação internacional, tendo em conta o caráter transfronteiriço do problema.

Os autores alertam que, sem uma ação coordenada e baseada na evidência científica, a introdução de espécies não nativas continuará a acelerar, comprometendo os objetivos globais de conservação da biodiversidade e de desenvolvimento sustentável.

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