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NEI2026 bate recorde de participação em Braga com mais de 3 mil visitantes Voltar

sexta-feira, 25/09/2026    Escola de Ciências da UMinho
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Mais de 900 docentes, investigadores e estudantes levaram a ciência para fora dos laboratórios e transformaram o Forum Braga, durante quase dez horas, num espaço de descoberta, experiências e perguntas.
Mais de 3 mil pessoas visitaram a Noite Europeia dos Investigadores (NEI2026), no dia 25 de setembro, fazendo desta a edição mais participada de sempre em Braga. Ao longo de quase dez horas, o Forum Braga foi palco de experiências, demonstrações, workshops e projetos de investigação, num encontro que colocou o público em contacto direto com a ciência e com quem a faz.

Promovida pela Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), a iniciativa envolveu mais de 900 docentes, investigadores e estudantes e apresentou mais de 200 atividades gratuitas, abrangendo diferentes áreas científicas e dirigidas a públicos de todas as idades.

Uma iniciativa que cresceu

Quando a Noite Europeia dos Investigadores chegou a Braga, em 2012, realizou-se no Museu D. Diogo de Sousa, com 29 investigadores e 600 visitantes. Desde então, a iniciativa foi ganhando dimensão, atividades e diversidade de participantes, mantendo o objetivo de aproximar a investigação científica da sociedade. A afluência deste ano supõe um aumento de perto de 50% em relação à anterior edição no mesmo espaço e mostra claramente o potencial desta iniciativa.

Nem a pandemia interrompeu este percurso. Em 2020, a NEI adaptou-se a formatos híbridos e digitais, mantendo a ligação ao público, antes de regressar aos espaços físicos e continuar a crescer.

Na edição deste ano, foram apresentadas mais de 200 atividades, com mais de 900 pessoas envolvidas na organização e dinamização. Da biodiversidade ao ADN, das alterações climáticas à inteligência artificial, da robótica à nanotecnologia, da psicologia à ciência política e às ciências sociais, a programação incluiu experiências, demonstrações, oficinas, exposições, jogos e debates. Astronomia, genética, células estaminais, qualidade da água, alimentação sustentável e novas tecnologias aplicadas à saúde foram alguns dos temas apresentados.

A diversidade científica acompanhou também o alargamento dos parceiros. “Começou por ser na área da ciência, muito centrada nas ciências fundamentais, nas ciências básicas. E hoje vemos, de facto, até as ciências sociais, ciências económicas, estão aqui também a mostrar o que é que se faz na área da ciência”, observou Pedro Arezes, reitor da Universidade do Minho.


Na NEI2026, autarquias, empresas de base tecnológica, spin-offs da Universidade do Minho, infraestruturas científicas e escolas juntaram-se aos centros de investigação. Entre os participantes esteve a Rede Nacional de Computação Avançada, com o computador Deucalion, enquanto a Mostra de Ciência apresentou projetos desenvolvidos por alunos de escolas de Braga, Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Vila Verde.

A programação incluiu ainda a mesa-redonda “Ciência para Todos: o papel dos municípios na literacia científica”, que reuniu representantes de seis municípios.

Para José Manuel González-Méijome, presidente da Escola de Ciências da UMinho, esta evolução traduz a importância que a divulgação científica assumiu na atividade da Escola. “A divulgação de ciência faz parte da missão da ECUM, é uma parte muito importante da nossa atividade”, afirma. Por isso, “a Noite Europeia dos Investigadores em Braga já faz parte, há mais de 14 anos, do nosso calendário de eventos fixos, e continuará a ser uma prioridade.”

Tirar a ciência dos laboratórios

Mais do que apresentar resultados de investigação, a NEI procura mostrar como a ciência está presente no quotidiano e aproximar o público do trabalho desenvolvido pelos investigadores.

É essa dimensão que Pedro Arezes destaca como uma das principais razões para a participação da UMinho. A iniciativa dá “visibilidade àquilo que é o trabalho dos investigadores e da ciência que tipicamente se associa a estar fechado entre quatro paredes nos laboratórios”.

As experiências e demonstrações permitem tornar essa realidade mais concreta para quem visita o evento. “Não é uma coisa rebuscada que está fechada num laboratório ou numa máquina complexa, mas é qualquer coisa que nos afeta no nosso dia-a-dia”, sublinhou o reitor.

Essa aproximação assume particular importância junto dos mais jovens. Para Pedro Arezes, a NEI deve contribuir para despertar o interesse por áreas científicas fundamentais e mostrar também as possibilidades profissionais associadas à investigação. “Eventos como este têm que funcionar para atrairmos e mostrarmos às pessoas a importância destas profissões, que, no fundo, também são profissões”, referiu.

Também José Manuel González-Méijome identifica a capacidade de tornar a ciência mais acessível como uma das mais-valias da iniciativa. “A ciência é algo que mantém a população um pouco mais distante pela sua aparente dificuldade e complexidade.” Na NEI, contudo, “há muitos conceitos fundamentais que se desmistificam, que ‘se trocam por miúdos’, por assim dizer”.

Esse contacto pode acontecer desde cedo. “Temos sentido ao longo destes últimos anos, que muitas crianças e jovens contactaram com a ciência e tecnologia pela primeira vez, neste evento”, sublinhou.

Mais pessoas, mais proximidade


Depois de mais de uma década de percurso, o desafio passa por continuar a aproximar a iniciativa do público. Para Pedro Arezes, mais do que aumentar a dimensão da feira, importa reforçar a sua capacidade de chegar a mais pessoas. “O que nós esperamos é não tanto aumentar a feira, que eu acho que ela já tem uma dimensão muito significativa, mas sobretudo apostar na sua divulgação para trazer cá mais gente”, afirmou.

A NEI2026 assinala, assim, uma trajetória iniciada em Braga há mais de uma década. A iniciativa cresceu em número de visitantes, atividades, parceiros e áreas científicas, mas mantém o propósito de aproximar a ciência da sociedade. Como resume José Manuel González-Méijome, “A NEI é um ponto de encontro e desperta o gosto por conhecer mais, por conhecer a natureza, por conhecer o nosso universo e é aqui que o encontram”.

A Noite Europeia dos Investigadores, ou European Researchers’ Night, é uma iniciativa promovida pela Comissão Europeia desde 2005, com o objetivo de celebrar a ciência e aproximá-la dos cidadãos através de um evento gratuito e aberto a todos. A iniciativa decorre em simultâneo em mais de 30 países e 300 cidades de toda a Europa.

A NEI Braga 2026 contou com a parceria dos Municípios de Braga, Guimarães, Famalicão, Vieira do Minho, Ponte de Lima, Fafe e Viana do Castelo, do Laboratório Ibérico de Nanotecnologia (INL), da Rede Nacional de Computação Avançada, bem como da Escola de Engenharia, da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política e do Instituto de Ciências Sociais da UMinho.

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