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Cristina Ribeiro: de Erasmus em Erasmus, Técnica da Escola de Ciências promove boas práticas em Gestão Laboratorial Voltar

quarta-feira, 28/05/2025    Departamento de Biologia da Escola de Ciências da UMinho
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Cristina Ribeiro integra o Departamento de Biologia da Escola de Ciências da UMinho (ECUM), onde tem vindo a desenvolver uma vasta trajetória profissional.
Farmacêutica de formação, licenciada pela Universidade do Porto, aprofundou a sua vocação ambiental com um mestrado em Ciências do Ambiente e, mais recentemente, iniciou o doutoramento em Biologia na academia minhota.

Nos últimos anos, tem-se dedicado a áreas ligadas à qualidade ambiental e ao desenvolvimento laboratorial, com uma forte aposta na internacionalização. Sempre atenta à realidade académica e empenhada na formação e colaboração científica além-fronteiras, já participou em dez programas Erasmus+. Oito destes decorreram na Europa, em instituições como as Universidades de Valência (Espanha), Helsínquia (Finlândia), Copenhaga (Dinamarca), Reiquiavique (Islândia), Estocolmo (Suécia), Viena (Áustria), Bratislava (Eslováquia) e Kaunas (Lituânia). Os restantes realizaram-se no âmbito do Erasmus+ UMove (ME), na Universidade de Massachusetts, Lowell (EUA) e no Instituto Asiático de Tecnologia (Tailândia).

Damos a conhecer o percurso desta técnica, que continua motivada a visitar mais instituições de ensino superior, com o objetivo de trazer novas metodologias para a UMinho.


Como surgiu a oportunidade de participar em intercâmbios?

A oportunidade surgiu após a participação numa ação de formação sobre Programas Erasmus+, coordenada pela Unidade de Serviços de Apoio à Internacionalização (USAI).

O que a motivou?

Fui motivada pela necessidade de melhorar o trabalho que realizo na área da gestão laboratorial e pela vontade de conhecer outras realidades laboratoriais. Cada mobilidade Erasmus representa uma oportunidade de aprender novos procedimentos e permite uma partilha de experiências e conhecimentos com colegas de outras instituições.

Em cada um deles, qual foi o trabalho desenvolvido?

Em todas as mobilidades Erasmus que realizei, participei em reuniões com diversos colegas, onde partilhámos experiências sobre a gestão laboratorial. Discutimos temas como procedimentos laboratoriais, gestão de equipamentos, gestão de materiais e produtos químicos, gestão de resíduos, armazenamento de reagentes, segurança, e formação de investigadores sobre boas práticas laboratoriais.

Na última mobilidade, no Instituto Asiático de Tecnologia, na Tailândia, tive a oportunidade de conversar com um especialista em inteligência artificial. Sempre que possível, visito diferentes laboratórios e departamentos. Estas missões têm-me permitido expandir a minha rede de contactos a nível europeu e internacional.


Teve alguma dificuldade de adaptação ao local, às pessoas, à cultura? Se sim, qual?

Sempre que participo numa missão, preparo-me com antecedência e levo questões relacionadas com a gestão laboratorial, além de partilhar as boas práticas que temos instituídas na UMinho. Embora tenha encontrado alguns desafios, a adaptação tem sido fácil. As pessoas têm sido sempre muito atenciosas, o que torna a visita muito positiva.

Quais foram as principais diferenças encontradas entre o trabalho nos países por onde passou e o nosso, a nível de academia?

Encontrei algumas diferenças, sobretudo nos países nórdicos, onde se verifica uma menor burocracia na gestão dos laboratórios. Na Universidade de Copenhaga, por exemplo, observei uma gestão muito assertiva, com tempos de resposta rápidos para reparação de equipamentos. Existiam verbas próprias para gerir estas situações com autonomia.

Implementou na UMinho alguma ideia do que observou nos locais por onde passou?

Sim. Desde 2008 que organizo formações mensais sobre boas práticas na utilização de equipamentos laboratoriais. Em algumas visitas, conheci profissionais que me ajudaram a aprofundar conhecimentos sobre equipamentos específicos. Estas formações, que realizo, ajudam e motivam os investigadores, e reduzem custos com avarias.

Em várias universidades que visitei, existiam oficinas de apoio aos equipamentos laboratoriais, com capacidade de realizar reparações de forma célere. Gostaria que algo semelhante existisse na UMinho, pois permitiria reduzir custos com deslocações de técnicos externos e melhorar a resposta técnica.

Estas experiências também me impulsionaram para novos desafios:
  • Coordenei o projeto europeu EASY GOV - Laboratory Management Platform (2021-2023), aprovado no âmbito das Parcerias Estratégicas do Programa Erasmus+ em resposta à pandemia da COVID-19, com um financiamento de 262.040€;
  • Recebo colegas de instituições europeias e internacionais com quem partilho informação sobre gestão laboratorial;
  • Organizo eventos anuais (2019, 2023, 2024) que reúnem profissionais de várias instituições e países, promovendo a partilha de boas práticas laboratoriais e a inovação conjunta.

Semanas Internacionais de Staff Laboratorial em Portugal (Erasmus+)
  • 1.ª edição (13–17 maio 2019): Participação de 9 profissionais de 4 universidades parceiras, provenientes de 3 países — Alemanha, Espanha e Turquia.
  • 2.ª edição (10–14 julho 2023): Participação de 19 profissionais de 10 universidades parceiras, provenientes de 11 países — Alemanha, Argélia, Áustria, Espanha, Islândia, Jordânia, Lituânia, Polónia, República Checa, Roménia e Turquia.
  • 3.ª edição (23–27 setembro 2024): Participação de 29 profissionais de 20 universidades parceiras, provenientes de 14 países — Alemanha, Angola, Argélia, Cabo Verde, China, Estónia, Finlândia, Grécia, Jordânia, Letónia, Lituânia, Moçambique, Polónia e Roménia.
Qual foi a experiência que mais a marcou? E porquê?
As experiências foram todas marcantes. Em cada mobilidade, aproveitei ao máximo as oportunidades de aprendizagem oferecidas pelas instituições.
Em 2021, participei no Programa Erasmus UMove (ME), na Universidade de Massachusetts Lowell (EUA). Visitei vários departamentos, reuni com colegas e com o staff de gestão da universidade, nomeadamente dos Serviços de Ambiente, Saúde e Segurança, Centro de Serviços de Investigação e Vivarium. Foram abordados temas como gestão de equipamentos, produtos químicos e resíduos, e segurança laboratorial. No último dia, fui recebida pelo Reitor, Professor Melikechi, com quem discuti os conteúdos da semana e a possibilidade de uma parceria de intercâmbio entre investigadores. Esta visita foi particularmente enriquecedora, por ter permitido um diálogo transversal com várias áreas da universidade.


Considera que estes tipos de iniciativas são importantes para a sua carreira?
Sim, são fundamentais, tanto para o meu crescimento profissional como para o desenvolvimento da Universidade. Ao longo da vida, somos transformados pelas experiências que vivemos. Estas mobilidades permitiram-me conhecer diferentes dinâmicas de gestão laboratorial, ajudando-me a tomar decisões mais informadas e assertivas no contexto da UMinho.

A universidade tem crescido muito e é essencial inovar e criar condições para que os investigadores realizem os seus trabalhos com qualidade. Para isso, é necessário melhorar o suporte tecnológico e promover atitudes sustentáveis nos laboratórios.

O trabalho laboratorial é um esforço de equipa, que depende da motivação e do esclarecimento contínuo de todos os envolvidos. Devemos promover a partilha de conhecimento e de boas práticas, criando ambientes laboratoriais saudáveis e eficientes.


A rede de contactos que criei através do Erasmus tem sido uma fonte de intercâmbio riquíssima em boas práticas laboratoriais.

Voltaria a repetir a experiência?

Sim, sempre que autorizem. Estou muito grata à Universidade pelo apoio dado à minha participação nestas mobilidades. As experiências Erasmus são altamente enriquecedoras, tanto para mim como para a instituição.
Devemos saber aproveitar as oportunidades — o caminho faz-se caminhando e superando as adversidades que surgem.

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