segunda-feira, 29/12/2025
Auditório da Escola de Ciências
José Brilha analisou meio
século de avanços na valorização da geodiversidade.
A trigésima quinta edição do “Ciência ao Almoço”,
promovida pela Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), decorreu no passado dia 19 de dezembro e teve como
convidado José Brilha, docente do Departamento de Ciências da Terra (DCT). Com o tema “Património geológico de
relevância internacional: 50 anos de reconhecimento pela sociedade”, a sessão
explorou como o património geológico ganhou espaço nas agendas científica e
política ao longo das últimas cinco décadas.
Durante a sessão, o docente revisitou meio século de
iniciativas que consolidaram a importância do património geológico na agenda
internacional, destacando o papel determinante de organismos como a UNESCO e a
União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Segundo o investigador, a conservação da natureza
deve ser entendida de forma ampla, integrando não apenas fauna, flora e
ecossistemas, mas também os elementos da geodiversidade.
No decorrer da iniciativa, o orador explicou os
mecanismos internacionais de reconhecimento do património geológico, com
particular ênfase na atuação da UNESCO desde a década de 1970 e relembrou que
ainda há desafios por enfrentar como a necessidade de implementação de políticas
públicas robustas e de instrumentos internacionais específicos dedicados à
geodiversidade. “Tal como existe a Convenção da Diversidade Biológica, assinada
em 1992 na Cimeira do Rio, existe a necessidade de uma convenção idêntica para
a diversidade geológica”, referiu, sublinhando que “gerir os recursos
geológicos de forma responsável, reduzir o impacto das infraestruturas e das
ações nos sistemas geológicos e conservar o património geológico para usufruto
das gerações futuras são objetivos que a sociedade deveria incorporar nas
grandes políticas internacionais”.
Apesar de existir uma maior preocupação em
sensibilizar para a importância de preservar o património geológico, subsistem
ainda diversas ameaças. O desconhecimento generalizado da sociedade quanto ao
valor deste património, a expansão urbana e de infraestruturas, o roubo e
vandalismo e os fenómenos de erosão continuam a comprometer a integridade de
locais de elevado interesse científico.
"Ciência ao Almoço" é uma iniciativa da Escola de
Ciências (ECUM) que decorre mensalmente, à hora do almoço, e que pretende
promover a partilha de conhecimento e a cooperação no seio da comunidade ECUM.
Com uma periodicidade mensal, é convidado um Professor ou Investigador da ECUM
que aborda um tema da sua especialidade, num ambiente descontraído.