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Maria João Sousa - Diretora do Departamento de Biologia
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segunda-feira, 05/01/2026
Departamento de Biologia
Nesta edição, conversamos com a Professora Maria João Sousa, diretora do Departamento de Biologia da Escola de Ciências da UMinho (
ECUM
).
Licenciada em Bioquímica e doutorada em Ciências Biomédicas, pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, construiu uma carreira sólida, marcada pela dedicação à ciência e à formação académica. Ingressou na ECUM em 1992 e, desde então, tem desempenhado um papel fundamental na Escola e no Departamento, onde assumiu funções diretivas entre 2014 e 2018 e, novamente, desde 2020. Para além da direção do Departamento, foi diretora de curso da Licenciatura em Biologia Aplicada (2001-2004), do Mestrado em Genética Molecular (2007-2013) e do Programa Doutoral em Biologia Molecular e Ambiental (2018-2020). Foi ainda representante da ECUM na Comissão Coordenadora do Colégio Doutoral da UMinho (2020-2022), membro do Conselho Científico (2013-2018), do Conselho Pedagógico (2009-2013 e 2018-2020) e diretora adjunta do Departamento (2010-2014).
Ao longo da sua trajetória, tem impulsionado projetos inovadores e estratégicos, contribuindo para a modernização da Escola e para afirmar o Departamento como referência nacional e internacional. Nesta entrevista, abordamos as estratégias para os próximos anos, os desafios mais urgentes e as iniciativas de internacionalização. Discutimos também o papel do Departamento na missão global da ECUM — uma visão que combina inovação, sustentabilidade e compromisso com a sociedade, preparando profissionais para enfrentar os desafios do futuro.
Quais são as principais estratégias do Departamento de Biologia para os próximos anos?
A missão principal do Departamento de Biologia (DB) assenta na formação de profissionais com conhecimentos científicos e técnicos sólidos nas áreas da Biologia, na vanguarda do conhecimento, mas também de cidadãos inquisitivos, ambiental e socialmente conscientes e comprometidos, através da partilha de conhecimento e da prática de uma ciência aberta e próxima.
Neste sentido, o DB mantém uma reflexão crítica sobre a sua oferta formativa, num exercício permanente de atualização científica e de resposta aos desafios societais. Um exemplo disso é o novo mestrado em Biologia Computacional Molecular e Ambiental, que entrará em funcionamento em 2026/2027.
Os projetos de ensino encontram-se fortemente ancorados nas linhas de investigação desenvolvidas pelos seus docentes e investigadores, permitindo sustentar uma formação de excelência dos estudantes, que beneficiam do conhecimento produzido e do ecossistema humano criado nas interações entre docência e investigação.
Um desafio determinante para os próximos anos será reforçar a estratégia de gestão de recursos humanos, procurando garantir a renovação e a valorização da carreira do corpo docente e técnico — aspetos fundamentais para assegurar a sustentabilidade das atividades de ensino e investigação.
A modernização das infraestruturas laboratoriais e de investigação é também um pilar estratégico, dado que laboratórios atualizados permitem competitividade internacional, ambientes de trabalho seguros e atração de talento.
Por fim, a comunicação eficiente com o público em geral, incluindo estratégias de comunicação científica, presença ativa nas redes sociais e ações que reforcem a visibilidade do Departamento, será igualmente essencial para atrair estudantes, parcerias e gerar impacto societal.
O que é mais urgente concretizar?
Num contexto altamente competitivo e incerto, vemos o futuro como um desafio, mas também como uma oportunidade. O DB pretende reforçar a sua posição como departamento responsável pela criação e transmissão de ciência de vanguarda e de elevado valor, aquela que alicerça o conhecimento - a ciência fundamental - e aquela que se debruça mais diretamente sobre problemas emergentes concretos para encontrar soluções viáveis – a ciência aplicada.
Assim, consideramos que a definição de orientações para o planeamento científico-pedagógico do departamento deverá dar particular atenção a três vetores de desenvolvimento estratégico: a evolução das áreas científicas; aspetos formais e pedagógicos dos projetos de ensino – internacionalização, formação dos docentes, formação dos discentes também em competências transversais, ações para o desenvolvimento de uma consciência coletiva virada para as questões prementes da sociedade ligadas à Biologia; e necessidades de formação científica para responder aos desafios societais.
A cooperação com outras instituições é cada vez mais importante na nossa estratégia de desenvolvimento, pela complementaridade de saberes e abrangência das formações e competências oferecidas.
Uma interação mais estreita com o tecido produtivo, quer em termos de formação (por exemplo, na pós-graduação, em cursos breves), quer em termos de colaboração na investigação, é neste momento também uma prioridade, que permitirá reforçar a atratividade desta área científica, mas também contribuir para acrescentar valor e profissionais mais qualificados nos sectores industriais e empresariais, e também na sociedade.
Estão a ser adotadas medidas para reforçar a internacionalização do departamento?
O DB mantem desde sempre colaborações com investigadores internacionais que, para além da cooperação a nível científico, têm igualmente lecionado nas formações que oferecemos, maioritariamente a nível de cursos de mestrado e doutoramento.
Neste momento estamos também ativamente envolvidos na criação de formações internacionais, sendo a nossa prioridade a criação de um mestrado internacional.
Adicionalmente, nos últimos dois anos criamos e implementamos três novos cursos ERASMUS+, do tipo “Blended Intensive Program”, que contaram com mais de meia centena de estudantes estrangeiros e também com docentes de várias universidades europeias.
Dado que a Biologia é uma área de elevada intensidade laboratorial, a gestão e organização de laboratórios é também uma área prioritária, pelo que temos vindo a implementar as melhores práticas de segurança, gestão e sustentabilidade de laboratórios. Neste contexto, têm também sido estabelecidos inúmeros contactos com instituições internacionais que partilham as suas práticas connosco, nomeadamente nas semanas internacionais de técnicos que temos organizado ao abrigo do Programa ERASMUS.
Que papel gostaria que o departamento desempenhasse na missão global da Escola de Ciências da UMinho (ECUM)?
O DB assume como parte da sua missão o compromisso com o desenvolvimento da ECUM e da UMinho, não só pela promoção da excelência dos projetos de ensino próprios, mas também pela participação em projetos institucionais, nas diferentes vertentes da atividade universitária, nomeadamente nos de interação com Escolas Básicas e Secundárias e outros com a comunidade mais alargada. Nesta perspetiva pretendemos ser impulsionadores de propostas inovadoras que contribuam para a atualização e modernização constante da ECUM e da UMinho.
De que forma é que o departamento contribui para a promoção da sustentabilidade e para a literacia ambiental?
A sustentabilidade é um tema que faz parte formalmente de vários cursos da nossa oferta formativa, de que o exemplo mais expressivo é o Mestrado em Biodiversidade, Alterações globais e Sustentabilidade. Contudo, é também um tema que permeia muitas das Unidades Curriculares de outros cursos, em particular de licenciatura. Paralelamente, desenvolvemos cursos de formação mais pontuais e fazemos divulgação da sustentabilidade dos recursos biológicos e das cadeias produtivas, com ênfase na preservação e na recuperação de ecossistemas, na valorização de desperdícios, no sentido de uma bioeconomia circular.
Mais ainda, no DB temos vindo a aumentar a integração de práticas mais sustentáveis no nosso dia-a-dia laboratorial, bem como do uso dos espaços comuns.
São desenvolvidos projetos com escolas ou outras entidades externas à universidade? Quais?
Sim, os membros do DB participam anualmente em várias dezenas de atividades em colaboração com as escolas, particularmente com as escolas que fazem parte da rede de Escolas Ciência Viva na escola. Neste âmbito, vamos às instituições de ensino falar de ciência e descobertas recentes, muitas vezes temas que se relacionam com questões da atualidade em determinado momento, ou mesmo fazer demonstrações experimentais. Recebemos também os estudantes nas nossas instalações, para visitas curtas ou estadias um pouco mais prolongadas, em que estes se envolvem em atividades laboratoriais. Participamos em exposições e feiras de ciência organizadas pela ECUM, de que a Noite Europeia dos Investigadores (NEI) é o exemplo mais emblemático. Colaboramos, igualmente, com outras entidades, como, por exemplo, o Planetário - Casa da Ciência de Braga e vários museus. Há também forte interação com diversos órgãos de comunicação social, como jornais e televisão.
Na vertente de formação dos nossos estudantes também colaboramos com outras instituições, sejam universidades ou institutos de investigação, que cooperam connosco na formação dos estudantes nas mais variadas áreas e atividades, que vão desde participação na orientação de estudantes até contribuição com seminários ou outras atividades formativas. Um exemplo dessa cooperação é o Laboratório Internacional de Nanotecnologia
(INL)
, que pela sua proximidade e excelência de investigação, tem sido um parceiro frequente.
Neste momento estamos também a trabalhar para criar mecanismos de acompanhamento da trajetória profissional dos nossos
alumni
e promover a sua participação em iniciativas de mentoria, empregabilidade e de ligação dos nossos estudantes ao contexto profissional.
Existem colaborações específicas com autarquias, por exemplo, para o desenvolvimento de projetos? Que tipo de projetos e de parcerias?
Desenvolvemos várias atividades em colaboração com autarquias e associações municipais, quer participando em atividades de divulgação de ciência promovidas por estas, quer quando pedem a nossa colaboração/consultadoria em questões da nossa área do conhecimento, quer, inclusivamente, na formação de estudantes colaborando em estágios curriculares, como é o caso, por exemplo, da Comunidade Intermunicipal do Ave (associação de municípios).
E no que diz respeito a parcerias com empresas?
As parcerias estabelecidas com empresas são, sobretudo, direcionadas à colaboração em programas de estágio e de dissertações de mestrado. Estas colaborações desenvolvem-se em torno de temas de interesse mútuo e permitem, por um lado, que os nossos estudantes tenham a experiência de realidades profissionais concretas e, por outro, que as empresas tenham acesso a recursos especializados na Universidade, beneficiando do conhecimento aí gerado e potenciando novos projetos.
Que iniciativas estão a ser desenvolvidas para inovar a nível de ensino e cativar mais estudantes?
Para além de mantermos uma reflexão crítica constante sobre a nossa oferta formativa, ajustando-a para garantir a sua atualidade científica ou criando novas formações, como já referi acima, consideramos que a modernização da vertente pedagógica é fundamental para assegurar uma comunicação eficaz com os estudantes. Num contexto em que as tecnologias desempenham um papel cada vez mais relevante, os docentes do DB têm tido um forte envolvimento em formações nas áreas das metodologias de ensino/aprendizagem e competências transversais, integrando novas tecnologias, ferramentas e abordagens pedagógicas, com destaque para as iniciativas promovidas pelo Centro IDEA-UMinho.
Como é que estes se podem envolver nas atividades do departamento?
Há cinco anos, lançámos o programa “No
Centro
da Ação”, que oferece aos estudantes de Licenciatura, logo no primeiro ano, a oportunidade de passarem uma semana num laboratório de investigação, integrando-se na equipa e participando ativamente no trabalho desenvolvido. Este programa, ao proporcionar uma primeira experiência no âmbito da investigação, tem como objetivo fomentar o gosto pela aprendizagem, pela descoberta e estimular a curiosidade científica dos estudantes.
Envolvemos, igualmente, os estudantes de todos os ciclos de estudo nas nossas iniciativas de divulgação científica dirigidas a diferentes públicos. Em colaboração com os núcleos de estudantes, procuramos ainda apoiar a organização de atividades extracurriculares que promovem o desenvolvimento de competências complementares, em muitas das quais participamos de forma ativa.
Uma questão mais pessoal: como concilia a docência, a investigação e a gestão do departamento?
Manter o equilíbrio não é uma tarefa fácil. A gestão do Departamento de Biologia é uma tarefa diária, e é sempre a minha prioridade, porque frequentemente há decisões a tomar que não podem ser adiadas. Paralelamente, a investigação, especialmente a orientação de estudantes de Mestrado e Doutoramento, e o acompanhamento e gestão dos meus projetos de investigação, são também uma parte essencial do meu dia a dia. Faço questão de ir ao laboratório todos os dias, sempre que possível, e de acompanhar de perto o progresso dos meus alunos. Já a docência apresenta uma dinâmica mais variável, com períodos de maior e menor intensidade ao longo do ano. Assim, ajusto as outras responsabilidades em função das exigências do ensino, que, por natureza, requer compromissos com horários bem definidos.
O que mais a motiva no seu trabalho diário como diretora do departamento?
A interação com as pessoas é, sem dúvida, o aspeto mais gratificante do meu trabalho diário enquanto diretora do departamento. Trabalhar em equipa, ouvir diferentes perspetivas e contribuir para o desenvolvimento de soluções conjuntas é extremamente gratificante. Este trabalho implica coordenar as atividades do departamento, desde a gestão de pessoas até à oferta formativa, sempre com o objetivo de valorizar o trabalho dos nossos docentes, investigadores e técnicos. Saber que, através deste esforço conjunto, estamos a proporcionar a melhor formação possível aos nossos estudantes e a estimular o seu gosto por ciência é, para mim, uma fonte constante de motivação.
Que tendências considera que vão moldar o futuro da Biologia nos próximos anos?
A Biologia vai continuar a ter uma importância crescente na resolução de desafios globais, desde a saúde humana à sustentabilidade ambiental (mar, rios, agricultura...), pelo que vai ter que continuar a evoluir de forma dinâmica e interdisciplinar, sendo que os avanços tecnológicos vão ter um papel determinante nesta evolução. Entre as tendências que considero mais relevantes, poderia destacar:
Edição genética e biologia sintética:
As tecnologias de edição genética, como o CRISPR-Cas9, continuarão a revolucionar as áreas da medicina, agricultura e biotecnologia, permitindo o desenvolvimento de terapias genéticas, culturas mais resistentes e soluções para a bioeconomia. A capacidade de projetar e construir sistemas biológicos artificiais ou modificar organismos existentes abrirá novas possibilidades em áreas como a produção de medicamentos, biocombustíveis e materiais sustentáveis.
Biologia ambiental, conservação e biodiversidade:
A Biologia terá um papel crucial nas respostas às alterações climáticas, na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento de soluções sustentáveis, em áreas como a biorremediação ou a produção agrícola associada a uma melhor gestão de pragas e doenças. O oceano permanece ainda como um ecossistema menos explorado, pelo que continuará a ser uma fonte de inspiração e recursos, com o potencial de descobrir novos compostos bioativos, enzimas e organismos com aplicações na saúde, indústria e energia.
Biologia Computacional e IA:
O uso de ferramentas computacionais para analisar grandes volumes de dados biológicos, como genomas, proteomas, metagenomas ou imagens, continuará a crescer. A integração de inteligência artificial e machine learning permitirá avanços significativos na compreensão de sistemas biológicos complexos. A abordagem integrada para compreender os sistemas biológicos como um todo, em vez de estudar componentes isolados, será essencial para desvendar interações complexas e prever comportamentos biológicos.
A Interdisciplinaridade será cada vez mais um aspeto crucial do desenvolvimento da Biologia que continuará a cruzar-se com outras e mais áreas, promovendo abordagens inovadoras para resolver problemas globais, enquanto continua a acrescentar saber fundamental.
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