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Daniela M. Correia - Investigadora doutorada de nível inicial no Centro de Química
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segunda-feira, 05/01/2026
Centro de Química
Com um percurso académico inteiramente ligado à Universidade do Minho (
UMinho
), Daniela M. Correia dedica-se à investigação na área da Química dos Materiais, no Centro de Química da Escola de Ciências da UMinho, onde integra a equipa desde 2022. Aos 38 anos, esta investigadora doutorada tem como principal foco o desenvolvimento de novos materiais funcionais e sustentáveis, aplicáveis em sensores, atuadores e sistemas inteligentes.
Inspirada pela curiosidade e pela procura constante de soluções inovadoras, Daniela procura criar materiais que conciliem eficiência tecnológica e responsabilidade ambiental
,
com potencial de impacto em áreas como a embalagem inteligente
,
a
deteção de humidade
ou os
sistemas anti-contrafação
.
Quando não está no laboratório na Escola de Ciências da UMinho (
ECUM
), encontra equilíbrio na leitura, no ténis, nas caminhadas pela natureza e nas viagens, que alimentam a sua curiosidade pelo mundo e pela ciência.
NOME:
Daniela M. Correia
IDADE:
38
NACIONALIDADE/NATURALIDADE:
Portuguesa
ÁREA DE INVESTIGAÇÃO:
Química dos Materiais
CENTRO DE INVESTIGAÇÃO:
Centro de Química, desde 2022
CATEGORIA ATUAL:
Investigadora doutorada de nível inicial
FORMAÇÃO ACADÉMICA:
Doutoramento em Engenharia de Materiais
HOBBIES:
Ler, Ténis, Caminhadas na natureza, viajar
Conte-nos um pouco sobre o seu percurso académico e profissional.
Concluí a minha licenciatura em Química em 2009, na Universidade do Minho e em 2011 terminei o Mestrado em Técnicas de Caracterização e Análise Química, na mesma universidade. Em 2016, concluí o programa doutoral em Engenharia de Materiais, na mesma instituição, em colaboração com o Centro de Biomateriais e Engenharia Tecidular da Universidade Politécnica de Valência, em Espanha. Ainda em 2016 tive a oportunidade de integrar uma bolsa de investigação em colaboração com o INL. Em 2017 iniciei uma bolsa de Pós-doutoramento pela FCT, tendo como instituições de acolhimento a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e a Universidade do Minho. Em 2022, ingressei no Centro de Química da Universidade do Minho como investigadora doutorada de nível inicial, no âmbito do Concurso Estímulo ao Emprego Científico Individual, colaborando também com o Departamento de Química da ECUM, onde leciono a unidade curricular de Práticas Laboratoriais de Química Geral.
Em que consiste a sua investigação e qual o seu contributo para a ciência nacional e internacional, e impacto para a sociedade?
A investigação que tenho vindo a desenvolver centra-se no desenvolvimento de uma nova geração de materiais, com distintas propriedades e funcionalidades, destinados a aplicações como atuadores e sensores. O seu desenvolvimento assenta nos princípios da química verde e sustentável, bem como na escalabilidade de processos através de sistemas de impressão para diferentes aplicações — incluindo embalagens inteligentes, que permitem detetar parâmetros que influenciam a qualidade dos produtos durante o armazenamento e transporte, e sistemas anti-contrafação, essenciais para garantir a autenticidade e a confiança nos produtos que utilizamos no dia a dia. A minha contribuição para a ciência passa pela proposta de soluções práticas para desafios atuais e sociais, com enfoque na sustentabilidade e na redução do impacto ambiental. O trabalho tem sido disseminado em congressos nacionais e internacionais, em artigos científicos e na submissão de projetos na área.
Quais foram as descobertas mais importantes até ao momento?
Uma das descobertas que considero mais relevantes foi a possibilidade de desenvolver materiais funcionais e ativos sem recurso a nanopartículas, recorrendo a sais iónicos produzidos através de processos sustentáveis e compatíveis com técnicas de manufatura aditiva. Destaco também o desenvolvimento de materiais com propriedades de cromismo, nomeadamente materiais termocrómicos capazes de mudar de cor com a temperatura. Estes materiais podem ser escaláveis por manufatura aditiva e aplicados em diversas superfícies — tecido, papel ou madeira — permitindo criar superfícies inteligentes que respondem em tempo real a variações de temperatura. Além disso, por conterem sais iónicos, estes materiais apresentam variação de condutividade, o que possibilita o desenvolvimento de sensores de humidade com dupla funcionalidade, que podem ser implementados, por exemplo, em máscaras de oxigénio, permitindo avaliar o nível de respiração do doente. Devido à diversidade de sais iónicos disponíveis, é ainda possível desenvolver materiais com propriedades luminescentes. Considero igualmente relevante o desenvolvimento de um material fotoluminescente, com grande potencial em sistemas de anti-contrafação, uma vez que permite imprimir padrões em determinados substratos que, quando irradiados, revelam a autenticidade do produto.
Porque decidiu investigar nesta área? O que ou quem a inspirou?
O meu primeiro contacto com a Química dos Materiais surgiu na licenciatura, mas foi durante o mestrado, na dissertação, que percebi que a descoberta, a procura de soluções e a criação de novas metodologias — aspetos que sempre me fascinaram — seriam o caminho que queria seguir. A área da sensorização, desenvolvida a partir de soluções mais amigas do ambiente, permite-me contribuir para a resolução de problemas atuais e responder aos inúmeros desafios que se colocam nas mais diversas áreas. É motivador poder desenhar e produzir novos materiais com propriedades e funcionalidades distintas, cuja aplicabilidade abrange domínios tão variados como os sensores, os atuadores ou a área biomédica.
Quais têm sido os principais desafios?
O maior desafio tem sido continuar a investir no desenvolvimento de metodologias sustentáveis com maior eficiência, dentro de uma lógica de circularidade.
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