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UMinho desenvolve língua eletrónica sustentável que identifica bebidas em minutos Voltar

terça-feira, 20/01/2026    Centro de Física
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Sensor inovador combina inteligência artificial, baixo custo e materiais biodegradáveis.
Investigadores da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) em parceria com um investigador da Universidade de São Paulo, Brasil, desenvolveram uma língua eletrónica sustentável, capaz de identificar rapidamente diferentes bebidas — como água, leite, café e vinhos — recorrendo a inteligência artificial.

O dispositivo, chamado HITS (Hydrogel In-Tape Electronic Tongue), imita o funcionamento do paladar humano ao analisar a assinatura elétrica de cada amostra. “Uma língua eletrónica é um sensor não específico que funciona com a assinatura elétrica das bebidas. Cada líquido gera um sinal diferente, e o sensor consegue reconhecer essas diferenças. No fundo, é uma imitação da nossa língua”, explica Ricardo Brito-Pereira, investigador da UMinho.

Ao contrário dos sensores tradicionais, que detetam apenas uma substância, esta tecnologia analisa vários tipos de amostras e interpreta os sinais elétricos com algoritmos de inteligência artificial, distinguindo variações na composição dos líquidos. “É possível identificar se um vinho foi adulterado ou se um azeite é realmente virgem extra, de forma rápida e no local”, acrescenta o investigador.

O HITS é de baixo custo — menos de um euro por unidade — e simples de usar, podendo ser operado facilmente por qualquer pessoa. É fabricado com materiais recicláveis e biodegradáveis, como plástico PET, tintas de carbono e um hidrogel de iota-carragenina, um polissacárido natural extraído de algas vermelhas. “É crucial que dispositivos de monitorização, que podem ser usados várias vezes em muitos locais, sejam degradáveis ou recicláveis”, sublinha Senentxu Lanceros-Mendez, professor da ECUM e mentor da equipa de investigação.

A leitura elétrica do hidrogel é interpretada pela inteligência artificial, proporcionando resultados em cerca de um minuto. “A ideia é ter respostas rápidas para agir imediatamente, seja para identificar adulterações alimentares ou monitorizar a qualidade ambiental”, explica Ricardo.

Trata-se de uma área emergente, ainda pouco explorada a nível internacional. “Existem alguns sistemas, sobretudo na indústria japonesa, mas são soluções de nicho, pouco sustentáveis e com tempos de análise mais longos. Não há muitos grupos no mundo a trabalhar nesta área”, refere Ricardo. Para Senentxu, “é uma área claramente emergente, com enormes possibilidades científicas, tecnológicas e económicas”.

O projeto resulta de uma equipa multidisciplinar, com especialistas em química, física, materiais, eletrónica e inteligência artificial, que desenvolveram internamente todas as etapas do dispositivo, desde a síntese dos materiais à manufatura e testes. A equipa já trabalhou em outros sensores eletroquímicos, mecânicos e óticos para monitorização ambiental, biomedicina e agricultura.

Segundo os investigadores, a prova de conceito está demonstrada, mas ainda há espaço para otimizar sensibilidade, capacidade de discriminação e produção em escala. “O desenvolvimento tecnológico e eventual comercialização podem ser feitos por startups ou empresas parceiras, enquanto continuamos a gerar conhecimento e inovação”, conclui Senentxu Lanceros-Mendez.

Os resultados foram publicados na revista ACS Applied Electronic Materials, no artigo “Hydrogel In-Tape Electronic Tongue”, com autoria de Ricardo Brito-Pereira, Rita Polícia, Clarisse Ribeiro, Pedro Martins, Senentxu Lanceros-Mendez (Universidade do Minho) e Frank N. Crespilho (Universidade de São Paulo, Brasil).

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