quarta-feira, 28/01/2026
Escola de Ciências da UMinho
Soraia
Pereira mostrou como esta área contribui para a interpretação de fenómenos na
saúde e ambiente.
A última edição do Ciência ao
Almoço, promovida pela Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), realizou-se no passado dia 28 de
janeiro no auditório da ECUM e teve como convidada Soraia Pereira, do
Departamento de Matemática. Com o tema “Quando o espaço importa: Estatística
para dados espaciais”, a sessão evidenciou o papel da dimensão espacial na
análise e interpretação de dados.
Durante a sessão, a investigadora
explicou que a Estatística Espacial é um ramo da Estatística que permite
analisar dados com informação sobre localização, como coordenadas, mapas ou
regiões, permitindo detetar padrões, dependências e efeitos de vizinhança.
Através de exemplos como mapas de mortalidade por cancro, fogos florestais,
poluição do ar e distribuição de espécies marinhas, mostrou de que forma a
dimensão espacial pode alterar significativamente a interpretação dos dados.
“Dois concelhos podem ter a mesma taxa de mortalidade, mas se um estiver
rodeado por concelhos com taxas altas e outro por taxas baixas, a interpretação
muda: no primeiro caso pode haver um padrão regional (risco partilhado); no
segundo, pode tratar-se de uma flutuação local ou ruído”, explicou Soraia
Pereira.
Foram ainda abordados os principais
desafios associados a este tipo de dados, como a dependência espacial, a escolha
da escala de análise, os limites administrativos e o custo computacional.
A sessão evidenciou também o
contributo da Estatística Espacial para a tomada de decisão em áreas como a
saúde pública e o ambiente, nomeadamente na “identificação de zonas prioritárias,
na previsão de risco em locais sem dados e na comunicação da incerteza, por
exemplo no planeamento de rastreios, na definição de áreas de proteção e no
reforço da vigilância em períodos críticos”, sublinhou a investigadora.
Esta área tem vindo a ganhar
reconhecimento nos últimos anos, tornando-se uma ferramenta útil para várias
áreas das ciências. No futuro, espera-se uma “maior integração com deteção
remota e dados em tempo real, a criação de modelos espaço-temporais mais ricos,
o desenvolvimento de métodos que combinem Estatística e Aprendizagem Automática
de forma explicável, uma melhor quantificação da incerteza em sistemas
complexos e a criação de ferramentas mais acessíveis e reprodutíveis, como o
software aberto”, adianta a matemática.
O Ciência ao Almoço é uma
iniciativa da Escola de Ciências que decorre mensalmente, à hora do almoço, e
que pretende promover a partilha de conhecimento e a cooperação no seio da
comunidade ECUM. Em cada sessão, é convidado um professor ou investigador da escola
para apresentar um tema da sua especialidade, num ambiente informal e
descontraído.