sexta-feira, 27/02/2026
Escola de Ciências da UMinho
Do
lançamento de balões estratosféricos a voos de gravidade zero, o encontro
aproximou estudantes do ensino secundário do papel das ciências na investigação
espacial e da tecnologia do futuro.
A Escola de
Ciência da Universidade do Minho (ECUM) promoveu, no dia 27 de fevereiro, o III
Encontro Ciência e Espaço, no Campus de Gualtar, em Braga. O evento reuniu
dezenas de estudantes do ensino secundário, muitos dos quais integram os Clubes
Ciência Viva na Escola.
A sessão de
abertura contou com Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa,
que destacou o pioneirismo da UMinho nesta área: “O objetivo é atrair para o
campus jovens que serão as novas gerações, o futuro”. Também participaram
especialistas de instituições científicas e tecnológicas, como a astronauta
análoga e cientista Ana Pires, do INESC-TEC, e Madalena Pinheiro, do CEiiA.
O encontro
teve como principal objetivo aproximar os jovens da ciência e da investigação
espacial, mostrando o papel das ciências fundamentais na compreensão do universo
e no desenvolvimento tecnológico. Entre os oradores estiveram Joaquim Carneiro,
docente do Departamento de Física da UMinho, Pedro Ferreira Borges, da Aurora
Mission – MAST, e os alunos do ensino secundário Leonor Santos e Guilherme
Guimarães, que partilharam a sua experiência na iniciativa “Astronauta por um
dia” da Agência Espacial Portuguesa.
Pósteres e
comunicações orais destacam criatividade e rigor científico
Um dos
momentos altos foi a sessão científica, com 36 alunos e seis professores a apresentarem
cinco pósteres científicos e várias comunicações orais. Os temas abordaram
astrobiologia, lixo espacial, missões de defesa planetária, vida fora da Terra
e experiências com balões estratosféricos.
O melhor
póster, “Planeta B: Vida longe da Terra?”, foi desenvolvido por cinco alunos da
Escola Secundária Carlos Amarante (Braga), com a docente Maria Alexandra
Antunes. O aluno João Fernandes explicou: “Procuramos escolher um tema de que
gostássemos e, por isso, não foi complicado. O objetivo era discutir se é
viável vivermos noutros planetas.” O estudante acrescentou que este tipo de
atividades permite aos jovens “conhecer a universidade” e “aprender novos
conceitos”.
A melhor
comunicação oral, também da Escola Secundária Carlos Amarante, chamou-se “LIMIAR
2: Caracterização Experimental da Pressão e da Temperatura Atmosférica num Voo
com Balão Estratosférico”. Três alunos, orientados pelo docente José Pedro
Miranda, explicaram o processo de lançamento do balão Limiar2 e a análise
matemática dos dados recolhidos.
“Construímos
a caixa onde estão os sensores, tratámos de toda a parte eletrónica e depois
enchemos e conectámos o balão”, contou Vicente Cunha. “Na análise, encontramos
dados que não faziam sentido e tivemos que processar uma quantidade gigantesca
de informação, transformando-a em gráficos”, acrescentou.
Experiências
que inspiram
Leonor
Santos e Guilherme Magalhães participaram na iniciativa “Astronauta por um
dia”, promovida em Portugal pela Agência Espacial Portuguesa, em colaboração
com a ESA. A fase final realizou-se na ilha de Santa Maria, nos Açores, entre
18 e 21 de setembro de 2025, incluindo um voo de gravidade zero.
Leonor, do
12.º ano no Colégio Alfacoop, contou: “A primeira vez que ouvi falar do projeto
foi na televisão. Já queria ser astronauta e decidi inscrever-me. Fiz o vídeo
sem pensar muito e acabei por passar à fase seguinte. Foi a maior alegria da
minha vida.” A jovem destacou o trabalho em equipa e as amizades que criou:
“Foi muito bom poder trabalhar em equipa e fiz amizades para a vida.”
Guilherme,
do 10.º ano no Colégio D. Diogo de Sousa, descreveu a experiência como “uma
sensação transformadora, que transmite um sentimento de paz enorme”. Com o
sonho de seguir Engenharia Aeroespacial, deixou um conselho: “Não desistam. O
objetivo não é só chegar ao final e ganhar o lugar no voo parabólico, mas
também inspirar os outros. Ter esta oportunidade é incrível.”
Jovens
portugueses no espaço
Pedro
Ferreira Borges, aluno de Engenharia Física da UMinho, integra o projeto Aurora
Mission, em associação com a MAST – Minho Aerospace. O objetivo é desenvolver o
primeiro satélite português com componentes biológicos. Com mais de 60 membros,
o projeto está na fase de testes de validação e já foi aceite pela ESA.
Segundo
Pedro, “historicamente, o setor espacial em Portugal tem sido colocado de lado,
devido à ideia de que, se temos tantos problemas na Terra, por que ir para o
espaço?” Mas o jovem sublinha que a missão “permite que o país se posicione de
forma competitiva na Europa e no mundo, abrindo portas para o setor
aeroespacial e destacando-se como uma iniciativa estratégica para Portugal”.
A primeira
fase da Aurora Mission, ligada ao CBE SET Challenge, deverá ser concluída entre
o final de 2026 e início de 2027, marcando um passo decisivo na presença
portuguesa no espaço e preparando o terreno para futuras missões.
O III
Encontro Ciência e Espaço reafirmou o compromisso da Escola de Ciências da
UMinho com a divulgação científica e a formação das novas gerações, estimulando
o pensamento crítico, a curiosidade e o interesse pelas áreas científicas
ligadas ao espaço.
O
encontro serviu ainda para uma breve apresentação dos novos cursos de
licenciatura dupla da ECUM (Matemática + Física e Física + Química),
disponíveis no próximo Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior. “Estes
programas inovadores, apesar de exigentes, despertaram o interesse de muitos
jovens estudantes, que veem nesta oferta a possibilidade de conciliar áreas
complementares que gostariam de aprofundar em paralelo — algo que as
licenciaturas duplas permitem”, referiu José Manuel González-Méijome,
presidente da Escola de Ciências.
A
informação sobre as duas licenciaturas pode ser consultada em https://www.ecum.uminho.pt/pt/Ensino/Paginas/Licenciaturas.aspx.
Reportagem fotográfica aqui »» https://www.facebook.com/media/set/?vanity=escoladecienciasuminho&set=a.1497791865684018