quinta-feira, 19/03/2026
Centro de Física
Duarte
Ribeiro foi escolhido para o Programa de Doutoramentos Afiliados do Programa CMU
Portugal e realizará parte da investigação nos Estados Unidos entre 2027 e 2028.
Duarte
Ribeiro, doutorando em Engenharia de Materiais pela Universidade do Minho e investigador do Centro de Física (CFUM) da Escola de Ciências (ECUM) da UMinho, sob a orientação dos Doutores José Pedro
Basto da Silva e Luís Silvino Alves Marques, foi selecionado para a 5.ª edição
do Programa de Doutoramentos Afiliados do CMU Portugal Program, que promove a
colaboração científica entre instituições portuguesas e a Carnegie Mellon
University, nos Estados Unidos. A estadia na universidade norte-americana está
prevista para 2027-2028. “Estou confiante que vai ser um dos melhores e mais
completos anos que já tive”, afirma.
Financiado
pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), o programa permite que doutorandos desenvolvam a
investigação com equipas da universidade norte-americana, com acesso a redes
internacionais e infraestruturas científicas de excelência.
Duarte
Ribeiro decidiu candidatar-se motivado pela dimensão internacional da
iniciativa. “Sempre gostei de ‘abrir novos horizontes’, e este programa permite
precisamente isso, tanto a nível cultural como académico”, explica. “Recebi a
notícia por email e fiquei muito contente por ter sido selecionado”, recorda.
No âmbito do
programa, irá passar um ano na Carnegie Mellon University, trabalhando com
investigadores da sua área e realizando “medições e análises em equipamentos
muito avançados, praticamente únicos no mundo”. Durante esse período espera
aprofundar colaborações científicas e adquirir novas competências. “Vai ser
crucial o contributo da minha co-orientadora, a Professora Doutora Elizabeth
Dickey da CMU, renomada investigadora que estuda a resposta dinâmica de
materiais a estímulos elétricos com resolução atómica”, refere. Um dos
objetivos é adquirir competências na técnica de microscopia eletrónica de transmissão
(TEM) in situ para o estudo da
resposta de materiais a campos elétricos em tempo real. “Pretendo adquirir
conhecimentos cruciais na minha área, bem como criar novas pontes entre o
Centro de Física da UMinho e a CMU.” A experiência inclui também uma dimensão
cultural: “Vou poder visitar, viver e conhecer a cultura e a dinâmica dos
Estados Unidos, algo que estou muito curioso por explorar.”
Quanto ao
futuro, considera que a experiência reforça a sua vocação académica. “De
momento, os meus planos de carreira focam-se na investigação e no ensino. Acho
que esta experiência só irá reforçar esses objetivos.”
Investigação
abre caminho a novas tecnologias de memória
Com um
projeto de doutoramento que visa criar novos materiais para tecnologias
eletrónicas, Duarte quer “fabricar e otimizar filmes finos ferroelétricos com
estrutura ‘fluorite’ e ‘wurtzite’, para aplicações de armazenamento de informação
e energia”. Segundo o investigador, esta é uma área recente e com grande
potencial, uma vez que “as propriedades ferroelétricas das wurtzites só foram
descobertas em 2019 e por isso, ainda há muito por aprofundar. O meu objetivo passa
por desenvolver novos dispositivos de memória de baixa potência.” Em paralelo,
pretende explorar a aplicação destes materiais em condensadores para o
armazenamento de energia. O impacto poderá abranger vários setores tecnológicos,
nomeadamente “dispositivos eletrónicos que utilizem condensadores para
armazenamento de energia, bem como no processamento e armazenamento de informação”,
refere, destacando também aplicações ligadas à inteligência artificial.
Embora
algumas memórias ferroelétricas já existam na indústria há décadas, os novos
materiais abrem novas possibilidades. “As wurtzites têm imenso potencial para
serem integradas na tecnologia CMOS (Semicondutor Complementar de Óxido
Metálico) devido às suas baixas temperaturas de fabrico. Apesar de serem
extremamente promissoras, ainda existem alguns desafios relativos ao seu
processo de fabrico e respetiva otimização.
Os estudantes
selecionados têm as propinas pagas e recebem uma bolsa mensal até quatro anos,
obtendo no final o diploma da instituição de acolhimento portuguesa.