sexta-feira, 20/03/2026
Departamento de Biologia
A
sessão reuniu a comunidade académica da Escola de Ciências para um momento de
partilha científica informal, centrado nos ecossistemas costeiros.
O
investigador Marcos Rubal, do Departamento de Biologia da Escola de Ciências da
Universidade do Minho (ECUM) e do
Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA),
foi o convidado da 37.ª edição da iniciativa “Ciência ao Almoço”, que decorreu
a 20 de março, no Auditório da Escola de Ciências.
Numa
sessão descontraída, o investigador apresentou a palestra “O mexilhão, pedra
angular dos sistemas entremarés rochosos”, destacando o papel fundamental dos
invertebrados marinhos no funcionamento dos ecossistemas. Presentes em todos os
habitats, desde a coluna de água até ao fundo do mar, estes organismos
desempenham funções essenciais, como a reciclagem de nutrientes e a regulação
das cadeias alimentares.
“Os
organismos bentónicos — associados ao fundo do mar — assumem um papel crucial
como indicadores ambientais, uma vez que a sua reduzida mobilidade os torna
especialmente sensíveis a perturbações. Alterações na composição destas
comunidades refletem impactos como a poluição, funcionando como um registo da
atividade humana nos ecossistemas”, referiu o biólogo, que destacou o mexilhão
como um exemplo de “engenheiro do ecossistema”. Para além de ser amplamente
conhecido pela sua importância gastronómica, o seu valor ecológico é
determinante, já que, ao fixar-se nas rochas, cria estruturas complexas que
aumentam a diversidade de habitats, retêm sedimentos e proporcionam abrigo e
alimento a inúmeras espécies. “Pela sua presença, o mexilhão modifica as condições
ambientais e promove a biodiversidade”, sublinhou Marcos Rubal.
Muito
presentes na costa norte do país, estes organismos sustentam uma elevada
diversidade de invertebrados, podendo albergar centenas de espécies associadas.
A sua atividade de filtração contribui ainda para a transferência de nutrientes
da coluna de água para o fundo do mar, reforçando o equilíbrio ecológico.
No
entanto, apesar da sua importância, os mexilhões enfrentam várias ameaças, como
a apanha intensiva, a urbanização costeira — que aumenta a deposição de
sedimentos —, a poluição e a introdução de espécies invasoras, que podem
comprometer a sua abundância e, consequentemente, os serviços ecológicos que
prestam. “Qualquer redução na abundância de mexilhões impacta diretamente as suas
funções ecológicas”, alertou.
O
investigador destacou ainda o papel do mexilhão como bioindicador, uma vez que
a sua capacidade de filtrar água permite a acumulação de poluentes nos seus
tecidos, tornando possível avaliar o histórico de contaminação de um
determinado local.
Promovida
mensalmente pela ECUM, à hora de almoço, a iniciativa “Ciência ao Almoço”
pretende fomentar a partilha de conhecimento e a cooperação no seio da
comunidade académica.