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Ricardo Franco Duarte – Investigador Auxiliar no Centro de Biologia Molecular e Ambiental Voltar

terça-feira, 28/04/2026    Centro de Biologia Molecular e Ambiental
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Ricardo Franco Duarte é investigador do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), onde desenvolve investigação desde 2007.
Doutorado em Biologia, com formação sólida em microbiologia, genómica e bioinformática, tem dedicado grande parte do seu percurso científico ao estudo de leveduras, em particular à exploração do seu potencial genómico para aplicações biotecnológicas. Fora do laboratório, mantém um espírito competitivo que atravessa diferentes áreas: após 16 anos de dança desportiva ao mais alto nível, dedica-se atualmente à competição em tiro com arco. Nesta edição, damos a conhecer melhor o seu percurso, a sua investigação e os desafios de fazer ciência em Portugal.

NOME:
Ricardo Franco Duarte

IDADE: 43 anos
NACIONALIDADE / NATURALIDADE: Portuguesa / Porto
ÁREA DE INVESTIGAÇÃO: Microbiologia, Genómica e Bioinformática
CENTRO DE INVESTIGAÇÃO: CBMA - Centro de Biologia Molecular e Ambiental (desde o início do mestrado, em 2007)
CATEGORIA ATUAL: Investigador Auxiliar
FORMAÇÃO ACADÉMICA: Doutoramento em Biologia (2014)
HOBBIES: Competição nacional e internacional em dança desportiva durante 16 anos; atualmente, competição em tiro com arco (há cerca de dois anos)

Conte-nos um pouco sobre o seu percurso académico e profissional.

Fui para a licenciatura em Biologia como segunda opção, depois de não ter conseguido entrar em Medicina. Hoje agradeço essa circunstância, porque percebi que o que realmente queria era ser cientista e fazer investigação. Vim para a Universidade do Minho no âmbito de uma bolsa de investigação no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), com a duração de um ano, e no final decidi ficar e realizar o mestrado em Genética Molecular, uma área que me interessava muito. Desenvolvi a tese de mestrado no Departamento de Biologia/CBMA, onde permaneci para realizar o doutoramento e onde trabalho até hoje.

Em que consiste a sua investigação e qual o seu contributo para a ciência nacional e internacional, bem como o impacto para a sociedade?

Desenvolvo investigação em várias áreas, mas aquela em que tenho registado maiores avanços prende-se com a genómica de leveduras. Desde o doutoramento, tenho contribuído para o crescimento da coleção de leveduras do CBMA, que conta atualmente com milhares de estirpes, e para o desenvolvimento de metodologias que permitem caracterizar e explorar o genoma destes isolados com vista a aplicações biotecnológicas.

Quais foram as descobertas mais importantes até ao momento?

Considero que a descoberta mais importante é sempre aquela que estou a tentar alcançar no momento. Ainda assim, recentemente publicámos um artigo de elevado impacto no qual desvendámos características genómicas relevantes de leveduras vínicas não convencionais. A partir da recolha e análise de todos os genomas disponíveis em bases de dados de espécies alternativas à Saccharomyces cerevisiae na produção de vinho, foi possível identificar assinaturas genómicas que ajudam a explicar porque algumas espécies são mais robustas no processo de fermentação ou porque outras contribuem para perfis aromáticos específicos.

Porque decidiu investigar nesta área? O que ou quem o inspirou?

Já vinha a desenvolver, há algum tempo, linhas de investigação relacionadas com leveduras não convencionais, que deram origem a várias colaborações e teses. Com o início da pandemia e dos confinamentos, senti necessidade de um projeto que me ocupasse o tempo e me permitisse aprofundar competências em genómica e bioinformática. Iniciei este trabalho no dia em que o então primeiro-ministro António Costa anunciou que o país entraria em confinamento durante duas semanas — o período que previa para a duração da pandemia e que eu previa como suficiente para concluir grande parte do trabalho. Tanto eu como António Costa estávamos redondamente enganados: ambos, a pandemia e o projeto, acabaram por se prolongar durante vários anos.

Quais têm sido os principais desafios?

O maior desafio é a precariedade. Após tantos anos de trabalho científico, a ausência de uma posição permanente gera um desgaste emocional e pessoal significativo, que acaba, muitas vezes, por afetar a capacidade de fazer ciência.

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