Ignorar Comandos do Friso
Saltar para o conteúdo principal
EN PT

Investigador da Escola de Ciências destaca novas formas de controlar a luz à escala nanométrica Voltar

sexta-feira, 24/04/2026    Centro de Física
1
Em mais uma edição do Ciência ao Almoço, o físico Yuliy Bludov explorou a interação entre luz e matéria em metais e materiais bidimensionais.
Imagine que a luz não se limita a iluminar, mas percorre silenciosamente a superfície dos materiais, como uma onda “presa” à superfície, propagando-se ao longo dela de forma controlada. A ideia foi apresentada por Yuliy Bludov no passado dia 24, na 38.ª edição do “Ciência ao Almoço”.

O investigador do Centro de Física da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) apresentou o tema “Quando a Luz Interage com a Matéria: Plasmónica em Metais e Materiais Bidimensionais”, recorrendo a exemplos do quotidiano para tornar mais claros alguns conceitos da física moderna. Num ambiente informal, explicou como, à escala microscópica, a luz pode comportar-se de forma diferente do habitual quando interage com certos materiais, como metais ou estruturas muito finas.

No centro da apresentação estiveram os polaritões plasmónicos de superfície, fenómenos que resultam da interação entre a luz e o movimento coletivo dos eletrões livres presentes nos metais. De forma simples, quando a luz incide sobre um metal, faz os eletrões oscilar como um “mar invisível”, originando uma nova onda que combina luz e movimento mecânico dos portadores da carga e que se propaga apenas à superfície do material. Este efeito permite concentrar a luz em regiões extremamente pequenas, muito inferiores às alcançáveis com tecnologias óticas convencionais.

A palestra abordou também os materiais bidimensionais (2D), como o grafeno, que têm apenas uma ou poucas camadas de átomos e são milhares de vezes mais finos do que uma folha de papel. Nestes materiais ultrafinos, a interação entre a luz e os eletrões pode ser ainda mais controlável, abrindo novas possibilidades nas áreas da fotónica e da nanotecnologia.

Durante a sessão, foram igualmente destacadas várias aplicações atuais e emergentes destes fenómenos, incluindo o desenvolvimento de sensores altamente sensíveis, capazes de detetar alterações químicas ou biológicas muito pequenas, com impacto potencial no diagnóstico biomédico e na monitorização ambiental. Foram também referidos avanços na fotodeteção, essenciais para tecnologias de imagem, telecomunicações e dispositivos óticos de nova geração, bem como a importância destes estudos para a miniaturização da tecnologia, permitindo o desenvolvimento de dispositivos cada vez mais compactos e eficientes.

O “Ciência ao Almoço” é uma iniciativa da ECUM que decorre mensalmente à hora de almoço e que pretende promover a partilha de conhecimento e a cooperação no seio da comunidade da escola. Em cada sessão, é convidado um professor ou investigador, que aborda um tema da sua área de especialidade, num ambiente descontraído, incentivando o diálogo interdisciplinar e a aproximação entre a investigação científica, a comunidade académica e o público em geral.

1
2
3
4