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Investigação da Escola de Ciências entre a elite mundial da Física Voltar

sexta-feira, 08/05/2026    Centro de Física
Joaquim Carneiro e Mikhail Vasilevskiy (foto: ECUM)
Estudo integra o Top 1% dos mais citados em Física na Web of Science, refletindo o seu impacto internacional.
Um estudo desenvolvido na Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) integra o top 1% dos artigos científicos mais citados mundialmente na área da Física, segundo a base de dados Web of Science, destacando o seu elevado impacto na comunidade científica internacional.

O trabalho contribui para corrigir erros comuns na medição da energia em materiais semicondutores, tendo possíveis aplicações em sensores, painéis solares, materiais fotocatalíticos, antipoluição e eletrónica.

O artigo, intitulado “Use and misuse of the Kubelka-Munk function to obtain the band gap energy from diffuse reflectance measurements”, foi publicado em 2022 na revista
Solid State Communications” e já ultrapassa as 550 citações. O primeiro autor é Salmon Landi Júnior, que desenvolveu o trabalho no âmbito do doutoramento em Física na UMinho e é atualmente professor no Instituto Federal Goiano (Brasil). A equipa inclui ainda Joaquim Carneiro (orientador), Mikhail Vasilevskiy e Carlos José Tavares (CF-UM-UP), bem como Iran Rocha Segundo (Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa) e Elisabete Freitas (UMinho).


Este reconhecimento “representa uma validação clara da qualidade e impacto do estudo na comunidade científica internacional”, referem Mikhail Vasilevskiy e Joaquim Carneiro. “É motivo de orgulho pelos resultados alcançados pela equipa e, sobretudo, pelo contributo metodológico e conceptual do estudo, que ajuda a clarificar conceitos e a corrigir práticas incorretas presentes na literatura”, acrescenta Mikhail Vasilevskiy. Para o professor catedrático da ECUM, “este tipo de avanço, embora menos visível, é essencial para garantir um progresso científico sólido”.

O estudo analisa criticamente o uso do modelo de Kubelka-Munk na determinação da energia da banda proibida (o hiato ótico) em materiais semicondutores, demonstrando que a sua aplicação incorreta pode conduzir a resultados inconsistentes, sobretudo quando aplicada em situações de forte absorção, como nas transições eletrónicas interbandas.

“Imaginemos que alguém tenta medir uma propriedade de um objeto de forma indireta, utilizando um modelo matemático: se esse modelo for aplicado de forma inadequada, as conclusões podem estar erradas. Foi precisamente este problema que a equipa identificou na literatura científica, onde o modelo de Kubelka-Munk tem sido frequentemente utilizado de forma simplificada ou incorreta, levando a resultados inconsistentes”, referem os investigadores.

A determinação precisa do hiato ótico é essencial para tecnologias como painéis solares, LEDs e dispositivos eletrónicos, influenciando a eficiência energética e o desempenho dos materiais. Para responder às limitações identificadas, a investigação propõe uma abordagem matemática mais rigorosa, como a extração direta do hiato ótico a partir do modelo de Kubelka-Munk e a desvalorização de fatores experimentais como a espessura da amostra e o espalhamento da luz.


A base bibliométrica Web of Science registou 2,5 milhões de artigos científicos indexados em 2024, sendo cerca de 250 mil da Física (10% do total), incluindo ramos como ótica, partículas, matéria condensada, fotónica, materiais e energia. Esta é uma das áreas em que mais se publica no mundo.

Joaquim Carneiro e Mikhail Vasilevskiy (foto: ECUM)