sexta-feira, 22/05/2026
Centro de Química
O
convidado foi o investigador Renato Gonçalves, do Centro de Química da Escola
de Ciências da Universidade do Minho, que explicou como a Química se relaciona
com as baterias de ião de lítio e o seu impacto no quotidiano.
Smartphones,
computadores e até carros elétricos são equipamentos distintos, mas essenciais
no nosso dia a dia. Todas estas tecnologias, “alimentadas” por baterias,
integram o quotidiano, embora raramente se pense nos processos químicos que
permitem o seu funcionamento.
Foi
a pensar nesta realidade que o investigador Renato Gonçalves, do Centro de
Química da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), escolheu o tema “Química no bolso:
o poder da química dentro de uma bateria” para apresentar na trigésima nona edição
do Ciência ao Almoço, que se realizou no dia 22, no anfiteatro da ECUM.
“Esta
expressão pretende sensibilizar para a importância e para o facto de esta
tecnologia estar muito próxima do nosso quotidiano, de uma forma prática e
portátil, através de dispositivos como telemóveis, auriculares ou powerbanks.
Neste caso, refere-se às baterias de ião de lítio, que utilizam reações
eletroquímicas para armazenar e fornecer energia, permitindo que a tecnologia
funcione em aparelhos pequenos, de grande portabilidade, e que transportamos
facilmente no bolso”, referiu.
Perante
uma plateia atenta e curiosa, o investigador abordou os princípios da
eletroquímica e o funcionamento das baterias de ião de lítio, explicando de
forma simples como a energia elétrica é gerada através do movimento de iões de
lítio e eletrões entre dois elétrodos, o ânodo e o cátodo. Durante a descarga,
os iões deslocam-se no interior da bateria do ânodo para o cátodo, enquanto os
eletrões circulam pelo circuito externo, fornecendo energia aos dispositivos.
Na fase de carga, este processo ocorre no sentido inverso.
Mostrou
ainda a importância das baterias, utilizadas em telemóveis, computadores
portáteis, relógios, auriculares, brinquedos, ferramentas elétricas, entre
outros, que ao permitirem o armazenamento de energia elétrica, alimentam estes
equipamentos sem necessidade de ligação direta à corrente, garantindo a
portabilidade. No contexto da Indústria 4.0, as baterias também desempenham um
papel importante no funcionamento de tecnologias inteligentes, como sensores e
robôs, contribuindo para a automação e eficiência dos processos.
Apesar
da sua importância, a utilização massiva de baterias levanta desafios
ambientais quando não são corretamente descartadas, podendo os seus componentes
químicos e metais contaminar o solo e a água.
Para
diminuir este impacto ambiental, a indústria tem vindo a investir em
tecnologias capazes de recuperar os diferentes componentes de uma bateria, para
serem reutilizados. Também estão a ser desenvolvidas baterias mais sustentáveis
e seguras, com materiais menos poluentes e que permitem aumentar a segurança
das baterias. “Têm sido criadas plataformas como o “passaporte de baterias”
(União Europeia) que tem como objetivo documentar todo o ciclo de vida de uma
bateria, promovendo a sustentabilidade, a economia circular e a transparência
na cadeia de abastecimento. Para além disso, soluções como a reutilização das
baterias em aplicações que exigem menor consumo de energia têm sido estudadas e
incentivadas, de forma a aumentar a sua longevidade e prolongar a permanência
no ciclo de vida”, afirmou Renato Gonçalves.
"Ciência
ao Almoço" é uma iniciativa da Escola de Ciências (ECUM) que decorre
mensalmente, à hora do almoço, e que pretende promover a partilha de conhecimento
e a cooperação no seio da comunidade ECUM. Com uma periodicidade mensal, é
convidado um Professor ou Investigador da ECUM que aborda um tema da sua
especialidade, num ambiente descontraído.