sexta-feira, 29/05/2026
Departamento de Biologia
Docente da Escola de Ciências
implementou um “MICROecossistema pedagógico”, promovendo aprendizagem ativa,
avaliação participativa e maior envolvimento dos estudantes.
Cristina
Almeida Aguiar, docente do Departamento de Biologia da Escola de Ciências da
Universidade do Minho (ECUM), foi uma
das vencedoras do Prémio Inovação Pedagógica EPIC UMinho, que distingue
práticas pedagógicas inovadoras com impacto na qualidade da aprendizagem e no
sucesso estudantil.
A
docente desenvolveu, na unidade curricular de Microbiologia, um
“MICROecossistema pedagógico” com o objetivo de aumentar o envolvimento dos
estudantes, promover a aprendizagem ativa e tornar a avaliação mais
transparente e formativa.
O
projeto foi implementado no primeiro dia de aulas, quando docente e estudantes
definiram em conjunto o funcionamento da unidade curricular, os instrumentos de
avaliação, os critérios e as respetivas ponderações. “Eu pretendia que os
estudantes participassem na construção da própria unidade curricular desde o
primeiro minuto, que sentissem que tinham voz e responsabilidade”, referiu
Cristina Aguiar.
O
semestre foi organizado em desafios ligados a contextos reais de comunicação
científica e prática microbiológica. Entre as metodologias utilizadas estiveram
sistemas de resposta interativa, como o VoxVote, e dinâmicas de Team-Based Learning, nas
quais os estudantes utilizaram e compararam ferramentas de Inteligência
Artificial com manuais científicos para validação de informação.
Os
estudantes desenvolveram ainda um flyer para um “Museu da Microbiologia”, uma
apresentação oral para um “Ciclo de Palestras” e um póster científico para um
“Congresso”. “Os estudantes reconheceram que aprenderam muito mais do que
conteúdos: aprenderam a pesquisar, a selecionar fontes credíveis, a trabalhar
em grupo, a comunicar ciência e a respeitar prazos. As ferramentas digitais
também ajudaram a tornar as aulas mais dinâmicas e envolventes. Mas o maior
sucesso foi vê-los envolvidos, confiantes e a assumir responsabilidade pela sua
aprendizagem”, afirmou a docente.
Avaliação
inovadora e aprendizagem pela criação
Como
desafio final, inspirado no Design Universal para a Aprendizagem, os estudantes
desenvolveram podcasts, jogos de tabuleiro, vídeos, banda desenhada e
instalações artísticas para explicar conceitos de Microbiologia. “Era aprender
fazendo, discutindo, criando e avaliando”, explicou Cristina Aguiar, sublinhando
que esta abordagem “transforma a avaliação num motor de aprendizagem e cria um
ambiente mais vivo, colaborativo e participativo”.
A
avaliação integrou autoavaliação, heteroavaliação e avaliação docente, com
grelhas coconstruídas e, em alguns casos, uma ponderação de 50% atribuída aos
estudantes. “O impacto foi bastante visível. As classificações melhoraram, sim,
mas o mais importante foi a mudança no envolvimento e na autonomia dos
estudantes”, revelou. “Quando ajudam a construir os critérios de avaliação e
quando a sua avaliação pesa tanto como a da docente, a postura dos estudantes muda,
porque passam a sentir que a unidade curricular também é deles”, acrescentou.
Desafios
e modelo adaptável
Apesar
dos resultados positivos, Cristina Aguiar reconhece desafios significativos.
“Gerir tudo isto com 62 estudantes não é simples. É exigente em termos de
preparação, de gestão do tempo e de organização do espaço. E quando damos
liberdade real aos estudantes, há sempre imprevisibilidade, mas é precisamente
aí que surgem as coisas mais interessantes”, sublinhou.
Quanto
à replicação, considera que o “MICROecossistema não é um modelo rígido, é quase
uma ‘caixa de ferramentas’. Cada elemento — a cocriação da avaliação, o uso
crítico da Inteligência Artificial ou os desafios de comunicação científica —
pode ser adaptado e utilizado isoladamente noutros contextos”, afirmou.
Experiência
da UMinho em contexto internacional
O
Prémio Inovação Pedagógica
EPIC UMinho financia a participação dos vencedores na European First Year Experience
Conference, que decorrerá de 10 a 12 de junho, na Universidade de
Szeged (Hungria). Uma participação que a docente considera importante e onde
tenciona partilhar a experiência deste projeto desenvolvido num contexto de primeiro
ano de licenciatura, “um momento crítico de transição para o ensino superior”,
acrescentou.
“Vou
sobretudo com vontade de ouvir. Quero perceber como é que outras instituições
estão a responder aos desafios do primeiro ano e trazer ideias novas para continuar
a fazer crescer este trabalho aqui na UMinho”, concluiu a diretora da
licenciatura em Bioquímica.
O
prémio foi também atribuído às docentes Celina Leão, da Escola de Engenharia, e
Sara Balonas, do Instituto de Ciências Sociais.