segunda-feira, 22/06/2026
Escola de Ciências da UMinho
Sessão com o físico Sérgio Nascimento abordou a perceção visual, o
daltonismo e a nova cor “olo” numa perspetiva interdisciplinar.
As
cores não existem nos objetos, mas são construções do cérebro humano. Foi a
partir desta ideia que Sérgio Nascimento, docente do Departamento de Física da
Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), conduziu, no passado dia 19 de junho,
a quadragésima edição do “Ciência
ao Almoço”, dedicada ao tema “As Ciências das Cores”.
Ao
longo da sessão, o investigador apresentou uma visão multidisciplinar da
ciência da cor, explicando como a sua compreensão envolve áreas como a física,
a química, a biologia, a genética, a psicologia, a linguística, a neurociência
e a filosofia. “O estudo das cores envolve várias disciplinas científicas e é
um excelente exemplo de interdisciplinaridade”, afirmou.
Entre
os temas abordados estiveram a nova cor “olo”, descoberta em 2025, as cores
naturais, as terapias genéticas para o daltonismo e os desafios que esta
condição continua a colocar em áreas como a aviação. Um dos momentos centrais
da palestra incidiu sobre a forma como percebemos as cores. “As cores são
perceções criadas pelo cérebro para representar propriedades dos materiais”,
explicou Sérgio Nascimento.
Sobre
a cor “olo”, o investigador referiu tratar-se de “uma nova perceção de cor
produzida por uma estimulação da retina de forma não natural”, acrescentando
que esta descoberta “confirma uma hipótese científica e complementa o nosso
conhecimento sobre o funcionamento da perceção das cores”.
O
daltonismo mereceu igualmente destaque. “Sabemos já muito sobre o daltonismo,
mas ainda restam questões em aberto”, afirmou Sérgio Nascimento, referindo que
continuam por esclarecer aspetos relacionados com a perceção visual, os
mecanismos cerebrais de compensação e as estratégias utilizadas pelas pessoas
daltónicas para nomear cores. Na
aviação e noutras atividades em que a interpretação de códigos de cores é
essencial, estes desafios assumem particular relevância. Como estes sistemas
são concebidos para pessoas com visão tricromática normal, podem não ser
totalmente fiáveis para daltónicos. Por esse motivo, os pilotos da aviação
comercial europeia não podem ser daltónicos.
A
sessão permitiu ainda conhecer os avanços das terapias genéticas, cujos
resultados em modelos animais são promissores, bem como o trabalho desenvolvido
pelo Laboratório de Ciências da Cor da Universidade do Minho no âmbito de um projeto da European
Union Aviation Safety Agency, que avalia em que condições pessoas com formas
ligeiras de daltonismo poderão exercer funções de pilotagem sem comprometer a
segurança.
“Ciência
ao Almoço” é uma iniciativa da Escola de Ciências que decorre mensalmente, à
hora do almoço, e que promove a partilha de conhecimento e a interação no seio
da comunidade da escola.