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Teresa Lino Neto - Presidente da Sociedade Portuguesa de Biologia de Plantas Voltar

sexta-feira, 31/07/2026    Departamento de Biologia
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Promover a colaboração, criar oportunidades e dar maior visibilidade à investigação em Biologia de Plantas. Estes são alguns dos objetivos que orientam o mandato de Teresa Lino Neto na presidência da Sociedade Portuguesa de Biologia de Plantas (SPBP).
Nesta conversa, a docente e investigadora da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) partilha a visão para o futuro da SPBP, os desafios da comunidade científica e a importância de construir uma sociedade mais ativa, aberta e internacional.

Quando foi eleita e qual a duração do seu mandato?

Fui eleita em setembro de 2024 para um mandato de três anos.

O que significa, a nível pessoal e profissional, assumir a presidência da Sociedade Portuguesa de Biologia de Plantas (SPBP)?
Isto tem que ser tudo aliado à sua vida, não é?
Estas funções representam uma responsabilidade acrescida e são exercidas de forma independente da minha atividade profissional, como docente e investigadora. Mas, como se costuma dizer, "quem corre por gosto não cansa". Esta eleição surgiu na sequência do Congresso Ibérico de Biologia de Plantas, que se realizou em 2023, na Universidade do Minho, em Braga. Estes congressos são organizados alternadamente pela Sociedade Portuguesa de Biologia de Plantas (SPBP) e pela Sociedad Española de Biología de Plantas (SEBP). A equipa da Escola de Ciências da Universidade do Minho aceitou o desafio de organizar esta edição, que foi um êxito. O congresso realizou-se no período pós-pandemia e superou largamente as expetativas. Inicialmente, estimávamos receber cerca de 300 participantes, mas acabámos por acolher cerca de 500.
Foi nessa altura que me lançaram o desafio de assumir a presidência da Sociedade Portuguesa de Biologia de Plantas. Achei que seria interessante descentralizar a sociedade, que estava sediada em Lisboa há alguns anos, trazendo-a para a região Norte. Pensei também que poderia ser benéfico para a UMinho e acabei por aceitar, por considerar que era um desafio estimulante.

Para quem não conhece, qual é a missão da Sociedade Portuguesa de Biologia de Plantas?

A Sociedade Portuguesa de Biologia de Plantas, designada desta forma desde 2019, foi fundada em 1977 com a designação de Sociedade Portuguesa de Fisiologia Vegetal (SPFV). Foi criada como sociedade afiliada da Sociedade Portuguesa de Bioquímica (SPB), à semelhança da Sociedade Portuguesa de Biofísica (SPBf), e tem como principal missão reunir investigadores da área da Biologia de Plantas, promover o desenvolvimento da investigação nesta área, assim como divulgar e disseminar o conhecimento sobre as plantas.

E como a SPBP pretende concretizar essa missão?

O principal objetivo passa por fortalecer as redes de colaboração e promover o contacto entre os investigadores que trabalham na área da Biologia das Plantas, tanto a nível nacional como internacional. Para isso, pretendemos reforçar os grupos de trabalho existentes, incentivar a criação de novos grupos em áreas emergentes e aprofundar a colaboração com as sociedades congéneres.
Neste momento existem vários grupos de trabalho na SPBP que pretendemos reforçar, promovendo a colaboração entre investigadores em áreas específicas, tais como nos grupos temáticos de Biologia Molecular de Plantas, Relações Hídricas, Nutrição de Plantas, Pós-Colheita e Sementes do Conhecimento (este último mais dedicado à divulgação e disseminação do conhecimento na área da biologia de plantas). A consolidação destes grupos específicos permitirá facilitar as relações com a nossa congénere espanhola, com quem partilhamos alguns destes grupos temáticos. Paralelamente, a SPBP é membro da Federação Europeia de Biologia de Plantas e integra o Global Plant Council, uma coligação internacional de sociedades científicas e organizações de investigação dedicada à promoção das ciências das plantas e da colaboração científica à escala global. É igualmente nosso objetivo estabelecer contactos com outras sociedades congéneres de modo a implementar e desenvolver a Federação Iberoamericana de Sociedades de Biologia de Plantas (FISBP). O objetivo final passa sempre por fortalecer as redes de colaboração e promover o contacto entre os investigadores.

Como pretende dinamizar os grupos de trabalho da SPBP?

Como referi, já existem muitos grupos temáticos constituídos, uns mais ativos que outros, pelo que gostaria de promover uma reorganização desses grupos. Pretendo convocar uma assembleia-geral para ouvir os sócios, identificar os grupos existentes, dinamizar aqueles que têm menor atividade, apoiar os mais ativos e, eventualmente, criar novos grupos que acompanhem os mais recentes desenvolvimentos na área das plantas. Por exemplo, neste momento, um grupo de sócios está a pretender criar um grupo em Interações Bióticas com Plantas, o que revela o dinamismo dos associados. Todos os grupos têm/terão autonomia e o apoio da SPBP para organizar eventos e promover outras atividades de índole mais científica ou de disseminação do conhecimento.

Outra aposta passaria pela captação de novos sócios?

Sem dúvida. Um dos meus objetivos passa por aumentar o número de sócios ativos. Sei que existem muitos investigadores da área da Biologia de Plantas que ainda não pertencem à SPBP. A sociedade reúne investigadores e estudantes de pós-graduação das várias áreas da Biologia de Plantas, incluindo Fisiologia e Bioquímica Vegetal, Genética e Biologia Molecular, Evolução e Ecologia, sendo que a sua atividade abrange desde a investigação fundamental até às aplicações em áreas como a Agricultura, a Fitopatologia, a Biotecnologia e a Gestão Ambiental. É meu objetivo divulgar ainda mais a SPBP em diferentes instituições e centros de investigação nacionais para agregar um número crescente de investigadores e estudantes, fortalecer a comunidade científica e afirmar a SPBP como a principal rede de ligação entre todos aqueles que desenvolvem investigação em Biologia de Plantas em Portugal.
Neste momento contamos com cerca de meia centena de sócios com as quotas em dia. Há períodos em que o número de associados aumenta, sobretudo devido à adesão de estudantes interessados em candidatar-se às bolsas, mas muitos acabam por não permanecer. Quem continua são, normalmente, os investigadores que participam ativamente nos grupos de trabalho. Um dos objetivos é fazer com que os jovens fiquem verdadeiramente envolvidos na sociedade e não estejam apenas interessados em tornar-se sócios para beneficiarem de bolsas.

Como pretende envolver jovens investigadores e reforçar a ligação entre academia, sociedade e setor empresarial?

A SPBP pode desempenhar um papel importante, não tanto na definição de políticas científicas, mas na criação de redes de contacto. É precisamente essa vertente que mais me motiva: aproximar pessoas e criar uma verdadeira rede nacional e internacional de colaboração. Essa rede já existe entre os atuais sócios. Acredito que, se os jovens perceberem que a sociedade é dinâmica e lhes oferece oportunidades reais de colaboração, desenvolvimento científico e integração numa rede nacional e internacional, será possível aumentar o número de sócios. Para quem pretende desenvolver investigação em Biologia de Plantas, é essencial conhecer quem trabalha nas diferentes áreas, estabelecer contactos e perceber as oportunidades profissionais existentes.

A SPBP é reconhecida no panorama nacional?
Sim. A SPBP é a principal sociedade científica nacional dedicada especificamente à Biologia de Plantas e reúne investigadores de universidades, centros de investigação e outras instituições de todo o país. Embora possa parecer que existem muitos investigadores nesta área, a comunidade científica é relativamente pequena e a SPBP pretende ter um papel agregador. Naturalmente, não conheço todos os investigadores, mas conheço as diferentes áreas de investigação e consigo identificar quem trabalha em muitos desses domínios. E, quando não conheço alguém diretamente, há sempre outro colega que conhece. É precisamente por isso que a SPBP, através da dinamização dos grupos de trabalho e da organização de encontros científicos, desempenha um papel tão importante: cria oportunidades para que os investigadores se encontrem, criem novas colaborações e fortaleçam a comunidade científica. Aqui gostaria de destacar a importância do Congresso Ibérico de Biologia de Plantas, uma das principais iniciativas da Sociedade, que reúne regularmente as comunidades científicas portuguesa e espanhola, promovendo a partilha de conhecimento, o desenvolvimento de novas colaborações e o fortalecimento das redes de investigação na Península Ibérica.

E já há data para o próximo congresso?
Sim. O próximo Congresso Ibérico de Biologia de Plantas realiza-se em junho de 2027, em Granada, Espanha.

E depois volta a ser realizado em Portugal?

Sim. Ainda não está decidido onde será organizado especificamente, mas essa decisão terá de ser tomada até ao congresso de Granada, altura em que será anunciado o local da edição seguinte.

Onde gostaria de ver a SPBP no final do seu mandato?

Gostaria de ver a SPBP mais dinâmica, mais representativa e reconhecida como a sociedade científica de referência para todos aqueles que trabalham na área da Biologia das Plantas em Portugal. Espero também que seja cada vez mais valorizada pelas suas sociedades congéneres internacionais, afirmando-se como um parceiro ativo na promoção da investigação e da colaboração científica. Para alcançar esse objetivo, há ainda muito trabalho pela frente. Neste momento, estamos a renovar o site, tornando-o mais atual, funcional e fácil de atualizar. É um trabalho que já estou a desenvolver juntamente com a professora Ana Cunha, do Departamento de Biologia da Escola de Ciências da Universidade do Minho. Pretendemos que o site seja uma plataforma de referência para os sócios, facilitando o acesso à informação e aumentando a visibilidade das atividades da SPBP.
Gostaria também de ver um número aumentado de sócios ativos e envolvidos na vida da sociedade, dinamizando os grupos de trabalho, promovendo encontros temáticos e criando novas oportunidades de colaboração entre investigadores. Para além disso, gostaria de contribuir para uma maior internacionalização da sociedade e para o desenvolvimento de redes de cooperação científica, criando laços com as sociedades congéneres da América Latina e dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), pois considero importante construirmos uma Sociedade Portuguesa de Biologia de Plantas mais dinâmica, aberta e internacional.
A criação da sociedade foi um passo extremamente importante, porque permitiu dar visibilidade à investigação realizada na área das plantas em Portugal. Os meus antecessores desenvolveram um trabalho excecional, mas considero que chegou o momento de apostar numa maior dinamização da sociedade. É por isso que acredito que o reforço do site e da presença nas redes sociais será fundamental.

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