Ao longo de cinco dias, os estudantes
que participaram nas atividades da Escola de Ciências da UMInho (ECUM) interagiram com investigadores das
áreas da Química, Matemática, Física, Ciências da Terra e Biologia, observaram
e participaram em experiências, demonstrações e atividades práticas,
esclareceram dúvidas e fizeram novos amigos.
"Quando era pequeno e me
perguntavam o que queria ser, respondia que queria ser cientista." Foi para perceber melhor o trabalho de
um cientista que Rodrigo Rodrigues decidiu participar na 18.ª edição do Verão
no Campus, que decorreu entre os dias 20 e 24 de julho, na Universidade
do Minho.
A frequentar o 10.º ano na Escola
Secundária Carlos Amarante, o jovem revela-se apaixonado pela Química e, por
isso, não teve dúvidas na hora de escolher a atividade que iria desenvolver
durante esta semana: optou pela QSI
– Química Sob Investigação. "Escolhi Química porque é uma
área de que gosto muito. Na escola, quando descobri esta área, percebi que era
isso que queria seguir", revelou, entusiasmado.
Muitos destes jovens ainda não sabem
qual a área que pretendem seguir, mas alguns já revelam preferências.
"Sempre gostei da Química e estava indecisa entre Bioquímica e Engenharia
Biomédica. Agora fiquei a perceber um pouco melhor o que se faz no curso de
Bioquímica e, por isso, estou mais inclinada para essa opção", afirmou
Mafalda Oliveira. "Foi uma experiência muito divertida. Os professores tornaram
as aulas muito interessantes e nada aborrecidas, além de nos deixarem
experimentar muitas coisas", acrescentou a aluna do 11.º ano da Escola
Secundária Sá de Miranda.
Uma opinião partilhada por Inês
Nogueira, que confessou ter ficado surpreendida com a dimensão da Universidade
e com as atividades desenvolvidas. "Gostei muito. Foi melhor do que
esperava. Estava à espera de chegar cá e começar logo a fazer experiências, mas
gostei bastante das explicações dos professores sobre nanopartículas",
disse a aluna do 9.º ano do Externato Paulo VI.
Uma semana dedicada à descoberta da
Ciência
Este ano, a ECUM apresentou quatro
propostas no âmbito do Verão no Campus, preparadas pelos seus cinco
departamentos.
O Departamento de Física dinamizou as
atividades "O Poder
do Invisível: Inovação à Flor da Pele" e "Materiais Inteligentes para uma
Sociedade Digitalizada e Sustentável", proporcionando aos
alunos a possibilidade de criarem cosméticos sustentáveis, como cremes,
sabonetes, bálsamos e máscaras faciais, explorando tecnologias inovadoras
inspiradas na nanoescala. Os participantes ficaram também a conhecer a
importância dos materiais inteligentes, amplamente utilizados em sensores e em
sistemas de armazenamento e produção de energia.
"QSI – Química Sob
Investigação"
foi a proposta do Departamento de Química, com o objetivo de sensibilizar os
jovens para o papel da Química nos desafios que a sociedade enfrenta, como o
desenvolvimento de novos materiais e fármacos ou a compreensão e resolução de
questões ambientais, nomeadamente as relacionadas com o controlo da qualidade
da água e o funcionamento de uma Estação de Tratamento de Água (ETA). Ao longo
da semana, os participantes descobriram ainda como se produzem corantes
naturais e perfumes e tiveram contacto com técnicas utilizadas na investigação
criminal.
O programa incluiu ainda a atividade
conjunta "Explorando
o Universo das Ciências", envolvendo todos os
departamentos da Escola. A Matemática apresentou atividades relacionadas com
ciência de dados, estatística e relatividade; a Biologia centrou-se nos
microrganismos e no biocontrolo; a Física deu a conhecer a área da Optometria e
Ciências da Visão; o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental
(LIP-Minho) conduziu os participantes numa viagem virtual até ao Observatório
Pierre Auger, o maior detetor de raios cósmicos do mundo, localizado em
Malargüe, na Argentina, onde decorre a Missão Pierre Auger. Na Química, os
participantes quantificaram metais pesados presentes em águas destinadas ao consumo
humano, e nas Ciências da Terra embarcaram numa viagem geocientífica.
Monitores também destacam o impacto da iniciativa
Para além dos participantes, o Verão no Campus conta todos os anos com o apoio de dezenas de estudantes da Universidade do Minho, que acompanham os grupos ao longo da semana e ajudam na sua integração.
Carolina Nunes, estudante do 3.º ano de Engenharia Aeroespacial e monitora pela segunda vez, considera que esta é "uma experiência muito gratificante". "Temos a oportunidade de acompanhar jovens que estão a decidir o seu futuro, partilhar a nossa experiência na universidade e ajudá-los a perceber melhor o que realmente gostam. É muito bom vê-los sair daqui mais esclarecidos e felizes", afirma. A estudante, que também participou no Verão no Campus enquanto aluna do ensino secundário, recorda que a iniciativa lhe permitiu perceber que a área que tinha escolhido inicialmente não correspondia às suas expectativas, ajudando-a a encontrar o seu verdadeiro caminho.
Também Alexandre Soares, estudante do mestrado em Biomateriais e Engenharia Biomecânica e monitor pelo quarto ano consecutivo, destaca o impacto da experiência. "Fui participante quando estava no 10.º ano e adorei. Foi muito importante para mim. Assim que entrei na universidade inscrevi-me para ser monitor e, desde então, repito a experiência todos os anos. É uma atividade muito divertida, mas também extremamente enriquecedora, porque aprendemos muito com os mais novos", refere.