sexta-feira, 31/07/2026
Centro de Biologia Molecular e Ambiental
Aplicação
inovadora irá recomendar percursos personalizados com base em dados ambientais,
urbanos e de saúde, promovendo a atividade física, a mobilidade ativa e a
adaptação às alterações climáticas.
Giorgio
Pace, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA), e Renato
Henriques, do Departamento de Ciências da Terra da Escola de Ciências da
Universidade do Minho (ECUM), estão a
desenvolver uma aplicação inovadora, em conjunto com Dalila Alves Durães e João
Miguel Amorim Novais Costa Nóbrega, da Escola de Engenharia da UMinho, e Andrea
Ribeiro, do ISAVE. A iniciativa, desenvolvida no âmbito do projeto CLEAR PATHS
– Rotas Ambientais Acessíveis Lideradas por Cidadãos/Percursos Acessíveis
Personalizados para Saúde e Segurança, visa criar uma aplicação capaz de
recomendar percursos verdes personalizados em contexto urbano, promovendo a
atividade física, a mobilidade segura e inclusiva e estilos de vida mais
saudáveis.
A iniciativa
reforça o papel da UMinho como
parceiro científico numa abordagem multidisciplinar dedicada à promoção da
saúde, da acessibilidade e do contacto com a Natureza. O projeto conta ainda
com a colaboração do Laboratório da Paisagem, responsável pela ligação ao
território e à comunidade.
Financiado
pela Capital Verde Europeia Guimarães 2026, o projeto será implementado no Parque
da Cidade de Guimarães, onde será desenvolvido e testado o protótipo da
aplicação. Numa fase posterior, poderá ser expandido para outras áreas verdes
do concelho, como o corredor verde de Creixomil ou o Parque das Taipas.
"O
objetivo é que possa servir de referência para outras cidades portuguesas e
europeias, demonstrando como a integração entre ambiente, saúde e participação
cidadã pode apoiar a mobilidade ativa e o bem-estar", refere Giorgio Pace,
coordenador do projeto.
Numa
primeira fase, a equipa irá integrar dados ambientais e urbanos, como a
temperatura, a qualidade do ar, o ruído, a cobertura vegetal, a acessibilidade
e os declives, recorrendo a ferramentas de modelação e de teledeteção.
Paralelamente, serão dinamizadas atividades participativas para identificar
barreiras, preferências e expectativas dos futuros utilizadores, bem como
compreender de que forma as condições ambientais influenciam a utilização dos
percursos.
"A
participação da comunidade é essencial para garantir que a solução responde às
necessidades reais dos cidadãos. Ao envolver a população, é possível
identificar barreiras, preferências e perceções que dificilmente seriam
captadas apenas através de dados técnicos. Isto permite criar perfis de
utilizador mais realistas e recomendações de percursos mais inclusivas e
eficazes", destaca o investigador.
Numa fase
seguinte, será desenvolvida a aplicação digital, que combinará a informação
recolhida com diferentes perfis de utilizador para recomendar os percursos mais
adequados. Para isso, recorrerá ao Green Comfort Score, um indicador
desenvolvido no âmbito do projeto que integra fatores como a temperatura, a
qualidade do ar, o ruído, os espaços verdes, o sombreamento, o declive, a
acessibilidade e a segurança.
"Verificamos
que os níveis de atividade física continuam baixos e que as doenças crónicas
têm vindo a aumentar. Por isso, pretendemos desenvolver percursos com menor
exposição ao calor extremo, à poluição do ar e ao ruído, que possam ser
utilizados por toda a população, especialmente pelos grupos mais
vulneráveis", afirma o biólogo.
Além da
recomendação de percursos, a aplicação disponibilizará informação sobre a
biodiversidade, os habitats e as espécies observáveis, contribuindo para
reforçar a literacia ecológica dos utilizadores.
Numa fase
final, a solução será testada em contexto real com utilizadores de diferentes
perfis para avaliar a sua usabilidade, o impacto na saúde e no bem-estar e o
potencial de replicação. O projeto incluirá ainda ações de educação e de
comunicação de ciência para envolver a comunidade e divulgar os resultados.