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Do oceano ao Espaço: Escola de Ciências explora produção de alimentos a partir de células de peixe e polvo Voltar

quarta-feira, 30/09/2026    Centro de Biologia Molecular e Ambiental
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Projeto liderado pelo Centro de Biologia Molecular e Ambiental da UMinho (CBMA) foi selecionado pelo programa PROSSE, da Agência Espacial Portuguesa, para estudar o cultivo de células de peixe e polvo em microgravidade.
E se, no futuro, fosse possível produzir alimentos fora da Terra a partir de células de peixe? É esta a questão que o projeto Ocean2Orbit, liderado pelo investigador Alberto Dias, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), vai procurar responder.

O projeto foi um dos cinco selecionados na edição deste ano do programa PROSSE – PROdex for Science in Space Exploration, promovido pela Agência Espacial Portuguesa (Portugal Space), que conta com um financiamento global de 600 mil euros.

Durante 18 meses, os investigadores vão estudar a resposta de células de peixe e de polvo a condições de microgravidade, avaliando o seu crescimento, a produção de proteínas e alterações na expressão génica. O objetivo passa por perceber se o ambiente espacial poderá influenciar processos de imortalização celular e, a longo prazo, contribuir para o desenvolvimento de sistemas de produção de alimentos baseados em células no Espaço.

“O principal objetivo é estudar o cultivo de células de peixe no Espaço, abrindo assim a possibilidade de criar alimento, com elevado valor nutritivo e proteico, rico em aminoácidos e ómega-3, para astronautas e, no futuro, para a criação e manutenção sustentável de colónias no Espaço”, explica Alberto Dias. O investigador considera que o projeto poderá abrir “uma nova linha de investigação no CBMA, na UMinho e mesmo em Portugal”.

“Para já, vamos avaliar se é possível enviar, manter e fazer crescer células de peixe no Espaço. Mesmo que os resultados não confirmem as nossas expetativas, serão importantes para identificar limitações e orientar futuras experiências”, conclui.

A investigação poderá contribuir para o desenvolvimento de sistemas de produção de alimentos mais autónomos para missões espaciais de longa duração, reduzindo, no futuro, a dependência do transporte de alimentos a partir da Terra. Os resultados poderão também gerar conhecimento com aplicações na Terra, nomeadamente sobre a resposta das células a diferentes tipos de stress e sobre novas vias metabólicas, com potencial interesse biotecnológico e farmacológico.

Da Terra para a órbita


O projeto será desenvolvido em três fases. Primeiro, serão realizados ensaios no CBMA para otimizar as condições de crescimento das células. Depois, as culturas serão colocadas em caixas experimentais e enviadas para órbita na missão Dream Chaser Demo 1, onde deverão permanecer durante cerca de cinco a dez dias em microgravidade. Após o regresso à Terra, serão analisadas e comparadas com culturas de controlo mantidas no centro para avaliar, entre outros aspetos, a sua proliferação, morfologia e transcriptoma, procurando identificar alterações provocadas pela exposição à microgravidade.

Produzir alimentos para missões espaciais


A agricultura celular consiste na produção de carne ou produtos do mar a partir de células, sem necessidade de criar e abater animais. No contexto das missões espaciais de longa duração, esta abordagem poderá constituir uma alternativa aos sistemas tradicionais de produção e transporte de alimentos a partir da Terra.

Segundo os investigadores, as células de peixe e de polvo apresentam características interessantes para este contexto, podendo ser cultivadas à temperatura ambiente e sem suplementação de CO₂ (dióxido de carbono), o que poderá tornar o seu cultivo mais simples em ambiente espacial do que o de células de mamíferos. Os produtos obtidos a partir destas células poderão constituir fontes de proteína de elevado valor nutricional, incluindo aminoácidos essenciais e ómega-3.


O Ocean2Orbit reúne a equipa do CBMA da UMinho, liderada por Alberto Dias e a ICE Cubes – Space Applications Services, da Bélgica, responsável pelo fornecimento das caixas experimentais e dos serviços associados à experiência espacial.

O projeto constitui, assim, um primeiro passo para responder a uma questão ainda pouco explorada: poderá a agricultura celular acompanhar a humanidade para além da Terra?

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