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Pedro Libânio de Abreu Martins - Investigador Auxiliar no Centro de Física Voltar

quinta-feira, 29/10/2026    Centro de Física
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Pedro Libânio de Abreu Martins é investigador no Centro de Física (CF-UM-UP) da Escola de Ciências da UMinho (ECUM) desde 2008 e, desde 2019, exerce funções como Investigador Auxiliar.
Nome: Pedro Libânio de Abreu Martins
Idade: 42 anos
Nacionalidade/Naturalidade: Portuguesa / Guimarães
Área de Investigação: Materiais magnetoativos inteligentes e multifuncionais, com particular enfoque em sistemas magnetoelétricos para aplicações em sensores, atuadores, spintrónica, memórias, inteligência artificial, energia e biomedicina.
Centro de Investigação (desde): Centro de Física das Universidades do Minho e do Porto (CF-UM-UP), desde 2008.

Categoria atual: Investigador Auxiliar, desde 2019.
Formação Académica: Licenciatura em Ensino de Física e Química na Universidade do Minho e Doutoramento em Física, num percurso que envolveu a Universidade do Minho e a Universidade de Cambridge.
Hobbies: Viagens, cinema, gastronomia, vinhos, literatura, música e teatro. Criador do No Meu Olhar, um projeto pessoal dedicado à partilha de experiências e à escrita sobre viagens, enogastronomia, cultura e política. Frequentador assíduo e apaixonado do Estádio D. Afonso Henriques em Guimarães.

Natural de Guimarães, licenciou-se em Ensino de Física e Química na Universidade do Minho e doutorou-se em Física, num percurso que envolveu a academia minhota e a Universidade de Cambridge. Fora do laboratório, interessa-se por viagens, cinema, gastronomia, vinhos, literatura, música e teatro. É também o criador do No Meu Olhar, um projeto pessoal dedicado à partilha de experiências e à escrita sobre viagens, enogastronomia, cultura e política.

A sua investigação centra-se no desenvolvimento de materiais magnetoativos inteligentes e multifuncionais, com potencial para aplicações em áreas como a spintrónica, os sensores, a inteligência artificial, a energia e a biomedicina. Entre os resultados que destaca estão a demonstração pioneira do efeito magnetoelétrico em filmes poliméricos e o desenvolvimento de materiais com potencial para aplicações biomédicas. Paralelamente, realça o desenvolvimento de materiais magnetoelétricos flexíveis e multifuncionais para sensores, colheita de energia, eletrónica avançada e sistemas inspirados no funcionamento do cérebro humano, demonstrando o seu potencial em áreas emergentes como a inteligência artificial.

Conte-nos um pouco sobre o seu percurso académico e profissional.
O meu percurso académico começou a desenhar-se muito antes de entrar na universidade. Quando estava no 8.º ano, aconteceram duas coisas que acabaram por influenciar decisivamente as minhas escolhas. Por um lado, era um grande fã do MacGyver, uma personagem muito popular nas décadas de 80 e 90, que resolvia os mais variados desafios recorrendo à ciência e à criatividade. Por outro, tive a sorte de ter uma excelente professora de Física e Química, a professora Natália Correia, que me transmitiu um entusiasmo contagiante pela disciplina e despertou em mim a curiosidade de compreender melhor o mundo que nos rodeia. Sem esta conjugação entre uma série de televisão que estimulava a curiosidade científica e uma professora capaz de a transformar em motivação, provavelmente teria seguido um caminho muito diferente.

Foi nesse contexto que ingressei na Universidade do Minho, na licenciatura em Ensino de Física e Química, com o objetivo de me tornar professor. Contudo, durante o curso, as aulas de Mecânica Quântica da professora Isabel Ferreira despertaram-me para a investigação científica e mostraram-me que, além de ensinar, também poderia contribuir para a criação de novo conhecimento.


Depois de concluir a licenciatura, comecei por lecionar no ensino secundário, mantendo simultaneamente uma ligação à investigação através de projetos na área da biomedicina. Foi nessa altura que conheci o professor Senentxu Lanceros-Méndez, que desenvolvia trabalho pioneiro na área dos polímeros eletroativos e dos materiais funcionais. O seu dinamismo, a proximidade e a originalidade do trabalho que desenvolvia marcaram-me profundamente. Viria a ser o meu orientador de doutoramento.

Desde então, dedico-me integralmente à investigação científica. Desenvolvo a minha atividade no Centro de Física das Universidades do Minho e do Porto desde 2008 e, desde 2019, exerço funções como Investigador Auxiliar. Apesar de ter seguido uma carreira de investigação, continuo a valorizar muito o ensino e a formação de novos investigadores. De certa forma, a minha atividade atual permite-me conciliar aquilo que sempre me motivou: a paixão pela descoberta e o prazer de partilhar conhecimento.

Em que consiste a sua investigação e qual o seu contributo para a ciência nacional e internacional e o impacto para a sociedade?

A minha investigação centra-se no desenvolvimento de materiais magnetoativos inteligentes e multifuncionais, com especial enfoque nos materiais magnetoelétricos. Estes materiais permitem explorar a interação entre campos elétricos e magnéticos, abrindo possibilidades para uma grande diversidade de aplicações tecnológicas. Entre as áreas com maior potencial destaco a spintrónica, os sensores, a colheita de energia, a inteligência artificial e a biomedicina.

Ao longo dos últimos anos, este trabalho tem contribuído para o avanço do conhecimento científico através da publicação de artigos em revistas internacionais de elevado impacto, do estabelecimento de colaborações com algumas das mais prestigiadas instituições de investigação a nível mundial e da obtenção de financiamento competitivo, nacional e internacional. Deste trabalho resultou também a transferência de conhecimento para o tecido empresarial, tendo algumas das tecnologias desenvolvidas dado origem a produtos comerciais ou apoiado empresas na criação de soluções inovadoras.

É particularmente gratificante verificar que a investigação fundamental realizada em laboratório pode traduzir-se em tecnologias com impacto real na sociedade, contribuindo para melhorar dispositivos médicos, sistemas de monitorização, soluções energéticas mais sustentáveis e novas ferramentas digitais. O reconhecimento deste percurso reflete-se, entre outros aspetos, na minha inclusão consecutiva na lista dos investigadores mais influentes do mundo, que reúne os 2% mais citados nas respetivas áreas científicas.

Quais foram as descobertas mais importantes até ao momento?

Entre os resultados que mais destaco está a demonstração, pela primeira vez a nível mundial, do efeito magnetoelétrico em filmes poliméricos. Este marco abriu novas perspetivas para o desenvolvimento de dispositivos flexíveis e de baixo custo. Desenvolvemos também um novo formalismo matemático que permite determinar propriedades magnéticas de partículas a partir da resposta magnetoelétrica dos materiais, disponibilizando uma nova ferramenta para a sua caracterização.

Outra contribuição particularmente relevante foi a demonstração pioneira do potencial dos materiais magnetoelétricos para aplicações biomédicas, nomeadamente no transporte e na libertação controlada de fármacos e em estratégias inovadoras de combate ao cancro. Este trabalho ajudou a abrir uma nova linha de investigação internacional na interface entre os materiais inteligentes e a medicina.

Destaco ainda o desenvolvimento de materiais magnetoelétricos flexíveis e multifuncionais para sensores, colheita de energia, eletrónica avançada e sistemas inspirados no funcionamento do cérebro humano, com potencial para aplicações emergentes como a inteligência artificial. Muitos destes resultados encontram-se entre as referências internacionais da área e contribuíram para consolidar os materiais magnetoelétricos poliméricos como uma plataforma tecnológica promissora para aplicações futuras.

Porque decidiu investigar nesta área? O que o inspirou?

Sempre tive um fascínio especial pelo magnetismo. Há algo de extraordinariamente belo na ideia de forças invisíveis que atuam à distância, influenciando materiais e sistemas sem contacto direto. Desde cedo estes fenómenos intrigaram-me e, à medida que aprofundei os meus conhecimentos em Física, essa curiosidade transformou-se numa verdadeira paixão científica.

Quando me propuseram desenvolver investigação nesta área, abracei imediatamente o desafio. Percebi que os materiais magnetoativos reuniam tudo aquilo que mais me atraía na ciência: a possibilidade de compreender fenómenos fundamentais da natureza e, ao mesmo tempo, desenvolver soluções com potencial para melhorar a vida das pessoas. Foi uma oportunidade que marcou decisivamente o meu percurso e que abracei com enorme dedicação.

Ao longo dos anos, essa paixão só se reforçou. Tem sido um privilégio trabalhar numa área tão rica do ponto de vista científico e tecnológico, contribuindo para a criação de novo conhecimento e para o desenvolvimento de aplicações em campos tão diversos como a energia, a eletrónica, a inteligência artificial e a biomedicina.

Tenho também tido a sorte de trabalhar com excelentes colegas e alunos extraordinários, com grande vontade de aprender, generosos na partilha de ideias e muito humanos na forma como encaram o trabalho científico. A sua curiosidade, o entusiasmo e a capacidade de questionar o que parece evidente são uma fonte constante de motivação. Recordam-me diariamente que a ciência é uma construção coletiva, feita por pessoas e para as pessoas.

Há também uma dimensão muito pessoal nesta motivação. Sou pai de dois filhos, a Beatriz e o Guilherme, e inevitavelmente, isso mudou a forma como olho para o futuro e para a responsabilidade que temos enquanto cientistas. Gosto de pensar que, através do meu trabalho, por mais modesto que seja o contributo, posso ajudar a deixar-lhes um mundo um pouco melhor do que aquele que encontrei. Não apenas através das tecnologias que desenvolvemos, mas também pelo exemplo de curiosidade, perseverança e respeito pelo conhecimento e pelos outros que lhes procuro transmitir.

Tenho ainda o privilégio de partilhar esta paixão pela ciência com a minha esposa Clarisse, que é também investigadora e com quem colaboro cientificamente. Admiro profundamente a sua dedicação, competência e forma de olhar para os problemas. Trabalhar com ela permite-nos cruzar conhecimentos e perspetivas, mas também partilhar uma dimensão muito importante das nossas vidas. É uma das pessoas que mais admiro, dentro e fora da ciência, e seria injusto falar das minhas motivações sem reconhecer o papel que tem no meu percurso.

No fundo, aquilo que continua a inspirar-me é a mesma curiosidade que me acompanha desde jovem. A diferença é que, hoje, à vontade de compreender melhor o mundo se junta uma responsabilidade ainda maior: contribuir para que seja também um lugar melhor para aqueles que nele viverão depois de nós.

Quais têm sido os principais desafios?

A ciência é, por natureza, um caminho de incertezas. Talvez o maior desafio tenha sido aprender a conviver com o fracasso e a persistir quando os resultados não surgem ao ritmo que gostaríamos. Na investigação, é frequente passarmos meses, por vezes anos, a explorar hipóteses que acabam por não se confirmar. No entanto, são muitas vezes esses desvios que conduzem às descobertas mais interessantes.

Outro desafio tem sido transformar conhecimento fundamental em soluções com impacto real na sociedade, aproximando a investigação académica das necessidades da indústria, da medicina e da tecnologia. Sempre procurei que o meu trabalho fosse avaliado não pelo número de artigos publicados, mas pelo conhecimento gerado, pelas pessoas que ajudou a formar, pelas tecnologias que contribuiu para desenvolver e pelo impacto que conseguiu ter para lá das paredes do laboratório.

Seria mais fácil e menos exigente medir o impacto da minha carreira “apenas” pelo número de artigos publicados. Mas isso desiludiria o Pedro do 8.º ano, fã do MacGyver, que se apaixonou pela ciência não por causa das métricas, mas pela beleza da descoberta. Felizmente, esse continua a ser o principal motor do meu trabalho.

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