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Nobel da Física destaca investigação sobre neutrinos também desenvolvida na Escola de Ciências Voltar

quinta-feira, 29/10/2026    LIP-Minho
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O prémio de 2026 reconhece o contributo de Francis Halzen para o desenvolvimento do observatório IceCube, que utiliza neutrinos para estudar fenómenos cósmicos. Na Escola de Ciências da UMinho, investigadores participam em experiências internacionais que procuram compreender melhor estas partículas.
Investigadores da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), através do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), estudam uma das partículas mais difíceis de detetar: o neutrino. Como interage muito raramente com a matéria, consegue percorrer grandes distâncias sem interagir, transportando informação sobre os locais onde é produzido. Esta característica permite aos cientistas investigar fenómenos que dificilmente seriam observados por outros meios.

O potencial dos neutrinos para estudar o Universo esteve em destaque no Nobel da Física de 2026, atribuído a Francis Halzen pelo seu contributo para o desenvolvimento do observatório IceCube e para a descoberta de neutrinos de alta energia provenientes do espaço. Instalado no gelo da Antártida, o observatório permite investigar fenómenos cósmicos através destas partículas.

O IceCube utiliza um quilómetro cúbico de gelo como detetor, equipado com milhares de sensores instalados a grande profundidade. Quando um neutrino interage com a matéria, pode produzir outras partículas que emitem luz no gelo. Os sensores registam esse sinal, permitindo estimar a energia e a direção do neutrino e investigar a sua origem.

Em 2013, a experiência anunciou a primeira evidência de um fluxo de neutrinos de alta energia provenientes de fora do Sistema Solar. Em 2017, a deteção de um neutrino levou a observações por outros detetores e telescópios, que permitiram associá-lo a uma galáxia ativa. O episódio demonstrou como a combinação de diferentes formas de observar o Universo pode ajudar a estudar os seus fenómenos mais energéticos.

Compreender as propriedades dos neutrinos


Enquanto o IceCube utiliza os neutrinos para investigar o espaço, o LIP Minho participa em duas experiências internacionais, SNO+ e DUNE, que procuram compreender melhor as propriedades destas partículas.

“A diferença de ponto de vista é por si clarificadora: em IceCube os neutrinos são um mensageiro, usados para ver o Universo, enquanto em SNO+ e DUNE são eles próprios o objeto de estudo”, explica Nuno Barros, investigador da ECUM e diretor do laboratório.

SNO+, instalado a cerca de dois quilómetros de profundidade numa mina em Sudbury, no Canadá, estuda neutrinos provenientes do Sol, de reatores nucleares e do interior da Terra. Procura também detetar um processo raro que poderá ajudar a esclarecer se o neutrino é a sua própria antipartícula, uma questão que pode fornecer uma peça importante para responder a uma das grandes questões da Física: por que razão o Universo visível é constituído por matéria, em vez de conter quantidades semelhantes de matéria e antimatéria?

DUNE, em construção nos Estados Unidos, irá estudar como os neutrinos mudam de tipo durante uma viagem de 1300 quilómetros. Os resultados poderão ajudar a compreender as diferenças entre neutrinos e antineutrinos e assim responder a uma outra questão do puzzle da assimatria matéria-antimatéria.A participação do LIP inclui a análise de dados do SNO+ e o desenvolvimento de sistemas de calibração para o DUNE, essenciais para garantir a fiabilidade das medições.

O laboratório participa ainda noutras experiências dedicadas ao estudo do Universo. Entre elas estão o AMS-02, que mede raios cósmicos a bordo da Estação Espacial Internacional, o Observatório Pierre Auger, dedicado ao estudo de partículas cósmicas de energia extrema, e o SWGO, um futuro observatório de raios gama no hemisfério Sul.

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