quinta-feira, 29/10/2026
Centro de Física
Marlene Lúcio foi a primeira
convidada da iniciativa da Escola de Ciências da UMinho. Numa conversa
informal, a investigadora apresentou aplicações da nanotecnologia no
desenvolvimento de modelos artificiais de pele e unha e de sistemas para
transportar medicamentos.
Reproduzir
a pele humana em laboratório, estudar a passagem de medicamentos através de
barreiras biológicas ou desenvolver estruturas minúsculas capazes de
transportar substâncias terapêuticas são algumas das possibilidades abertas
pela nanotecnologia. Estas aplicações estiveram em destaque no passado dia 21
de outubro, na primeira sessão do “Ciência ao Lanche”, a mais recente iniciativa
da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM).
A
convidada foi Marlene Lúcio, investigadora do Centro de Física (CF-UM-UP) e docente do Departamento
de Física da Escola de
Ciências da UMinho. Durante cerca de uma hora, apresentou o tema “Imitar a
Natureza para inovar na Saúde: da pele artificial à nanomedicina”, destacando a
criação de modelos artificiais que reproduzem características de estruturas
biológicas humanas, como a pele, a unha e o cabelo.
Desenvolvidas
com recurso à nanotecnologia, estas soluções procuram oferecer alternativas aos
métodos de ensaio que utilizam tecidos animais. Poderão ter aplicações na
investigação farmacêutica e na indústria cosmética, permitindo estudar a
interação de diferentes compostos com estruturas que reproduzem propriedades
dos tecidos humanos. No caso da pele, os modelos permitem também simular
condições patológicas, como a dermatite atópica, criando novas possibilidades
para avaliar produtos em circunstâncias mais próximas das encontradas em
pessoas com esta doença.
O
trabalho procura contribuir para métodos mais económicos e sustentáveis, em
linha com os princípios dos 3R — reduzir, refinar e substituir a utilização de
animais na investigação científica. Já os modelos de unha poderão ajudar a
estudar infeções fúngicas, cuja avaliação é atualmente dificultada pela disponibilidade
limitada de materiais e pela falta de procedimentos padronizados.
Nanossistemas para transportar
medicamentos
Outra
das áreas abordadas por Marlene Lúcio foi a dos nanossistemas lipídicos,
estruturas à escala nanométrica que funcionam como pequenas cápsulas capazes de
transportar fármacos. Estes sistemas podem ser concebidos para controlar a
libertação das substâncias terapêuticas e, em determinadas aplicações,
acompanhar a sua distribuição através de técnicas de bioimagem.
O
trabalho nesta área procura compreender como estes sistemas interagem com o
organismo e explorar formas de melhorar a administração de medicamentos. Para
isso, são combinadas técnicas biofísicas e de nanotecnologia que permitem
estudar as propriedades dos materiais e as interações moleculares envolvidas.
Ciência à hora do lanche
Licenciada
em Ciências Farmacêuticas e doutorada em Química Farmacêutica pela Universidade
do Porto, Marlene Lúcio estuda as interações entre moléculas e sistemas
biológicos, procurando compreender melhor a ação e a toxicidade dos fármacos e
contribuir para o desenvolvimento de soluções mais eficazes e seguras.
O
“Ciência ao Lanche” dá continuidade a uma iniciativa da ECUM anteriormente
realizada à hora de almoço. Com sessões mensais dedicadas às áreas de
especialidade dos professores e investigadores da Escola, o novo formato
promove a partilha de conhecimento e a interação entre docentes,
investigadores, estudantes e trabalhadores não docentes, num ambiente informal.
Entre
café, bolo e conversa, a iniciativa convida a comunidade académica a descobrir
a ciência que se faz na Escola de Ciências da UMinho.