quarta-feira, 30/09/2026
Centro de Biologia Molecular e Ambiental
Filipe Costa, do CBMA, integra
uma equipa internacional que traçou as prioridades para a identificação de
espécies e a monitorização dos ecossistemas na Europa.
Um investigador do Centro de Biologia Molecular e
Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) integra a equipa internacional que definiu a
estratégia europeia para reforçar a utilização do código de barras de ADN (DNA
barcoding), uma técnica que permite identificar espécies,
monitorizar ecossistemas e apoiar a conservação da biodiversidade. O
contributo de Filipe Costa está refletido em dois artigos científicos, que definem
as prioridades para o desenvolvimento desta área na Europa e a criação de uma
infraestrutura científica de referência à escala internacional. “O
código de barras de ADN tem-se afirmado como uma ferramenta essencial para
identificar espécies e acompanhar as alterações nos ecossistemas, permitindo
aplicações que vão desde a investigação ecológica até ao apoio às políticas
públicas de conservação”, explica o investigador.
Coordenada pelo Código de Barras Internacional da Vida
(iBOL), a
iniciativa reúne investigadores de vários países que têm
vindo a desenvolver estratégias para
consolidar infraestruturas científicas e acelerar
a utilização de ferramentas genéticas na conservação da natureza.O objetivo é
tornar a identificação de espécies mais rápida, rigorosa e acessível,
permitindo melhorar a monitorização da biodiversidade, detetar espécies
invasoras, acompanhar os impactos das alterações climáticas e apoiar decisões
de gestão e conservação ambiental baseadas em evidência científica.
O
primeiro artigo, “Empowering national capacity for a DNA-based approach
to species identification and biodiversity monitoring”, publicado na
revista científica Metabarcoding
and Metagenomics, apresenta orientações para a criação e o fortalecimento de
redes nacionais de código de barras de ADN, com base na experiência de 20
países. O trabalho propõe recomendações práticas para aumentar a capacitação
científica, promover a harmonização metodológica e garantir a sustentabilidade
institucional e financeira.
Publicado
na revista BioScience, o
segundo estudo, “Species identification, discovery and biomonitoring: strategic
priorities for DNA barcoding in Europe, set in a global context”,
estabelece a missão e as prioridades estratégicas do iBOL Europe, propondo a
construção de uma biblioteca de referência abrangente de códigos de barras de
ADN para espécies eucarióticas europeias. Entre os objetivos definidos estão a
democratização do acesso às tecnologias de sequenciação, a identificação de
espécies prioritárias e o fortalecimento de uma comunidade científica
colaborativa em toda a Europa.
Segundo os autores, esta infraestrutura será
determinante para acelerar a identificação de espécies e responder aos desafios
colocados pela perda acelerada de biodiversidade e pela degradação dos
ecossistemas. Numa altura em que a perda de biodiversidade é considerada uma
das principais ameaças ambientais à escala global, o acesso a ferramentas
genéticas robustas permitirá apoiar políticas públicas de conservação mais
eficazes e decisões de gestão ambiental baseadas em dados científicos. Para
Filipe Costa, “a existência de uma biblioteca genética de
referência, cientificamente validada, é um pilar fundamental para a exploração
completa das capacidades excecionais dos sistemas modernos de monitorização da biodiversidade
por meio de DNA ambiental (eDNA), nomeadamente na Europa”.
A participação do investigador nesta iniciativa reforça o papel
do CBMA e da Universidade do Minho nas
principais redes internacionais dedicadas à biodiversidade molecular,
reforçando o contributo de Portugal para o desenvolvimento das futuras
estratégias europeias de monitorização ambiental baseada em ADN.