Foram
mais de duas mil as pessoas que, no passado dia 26 de setembro, visitaram a Noite Europeia dos Investigadores (NEI2025), no Forum Braga. O evento contou com a participação do
Ministro da Educação, Ciência e Tecnologia, Fernando Alexandre, do reitor da
Universidade do Minho, Rui Vieira de Castro, do Presidente da Comissão de
Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), António Cunha, dos
vice-reitores Sandra Paiva (Investigação e Inovação), Hernâni Gerós (Educação e
Mobilidade Académica), os Pró-reitores Manuel João Costa (Assuntos Estudantis e
Inovação Pedagógica) e Teresa Ruão (Comunicação Institucional), de
representantes das autarquias de Braga, Famalicão e Guimarães, e de candidatos
à Câmara Municipal de Braga.
Com
mais de 180 atividades - entre workshops, palestras, demonstrações científicas,
experiências interativas, visitas guiadas e performances artísticas - o evento
contou com a participação de cerca de 900 docentes, alunos e investigadores tendo
como objetivo aproximar a ciência da sociedade e promover a cultura científica.
Numa
visita demorada, o Ministro da Educação, Ciência e Tecnologia interagiu com os
visitantes, investigadores, alunos e docentes. Fernando Alexandre sublinhou que
o espaço “fervilhou ciência por todos os poros”, destacando o recorde de mais
de 180 atividades e cerca de 900 investigadores envolvidos, mostrando a NEI
como uma grande mobilização nacional para a ciência.
Por
outro lado, o reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, destacou que a iniciativa
procura sensibilizar os mais jovens para aquilo que é a ciência e para a
atividade dos cientistas, aumentando a sua apetência e interesse por este setor
vital para o desenvolvimento da sociedade.
Em
Braga, a iniciativa é organizada pela Escola
de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), em parceria com o Laboratório Ibérico Internacional de
Nanotecnologia (INL), e conta com o apoio dos Municípios de
Braga, Guimarães e Famalicão.
Este ano mudou-se para o pavilhão do Forum Braga,
ocupando cerca de cinco mil metros quadrados com atividades científicas, salas
de workshops, um palco para conferências, debates e performances
— incluindo uma atuação da banda Rejected Grants (INL) e o espetáculo Nano Circus — e ainda uma
zona de alimentação. O programa contou também com iniciativas de inscrição
prévia, como as escape rooms A
Última Prova e A
Química é a Chave, workshops sobre microbiologia,
biotecnologia e prevenção da miopia, bem como sessões de vermicompostagem e
consumo sustentável.
Este
ano, o evento assumiu “um significado especial”, por “criar uma ligação única
entre ciência e os cidadãos”, destacou José Manuel González-Méijome. O
presidente da Escola de Ciências sublinhou que coordenar o evento em Braga é
assumir responsabilidade social, tornando-o numa verdadeira “festa da Ciência”,
num espaço amplo, dinâmico e acessível. Enfatizou ainda que Braga se tornou num
“epicentro da celebração da ciência, do conhecimento e da inovação, a norte de
Portugal – e provavelmente em todo o Noroeste Peninsular”, fruto da dimensão e
impacto crescente desta iniciativa.
Ciência para
todos os gostos
A
mudança de espaço foi bem acolhida pelos participantes, que elogiaram a
organização e a dinâmica do evento. O público pôde explorar experiências e
demonstrações de diversos departamentos e grupos de investigação da UMinho – das ciências exatas às sociais,
passando pela saúde, ambiente e engenharia. Foram ainda apresentadas áreas
dedicadas a clubes de ciência e projetos escolares, que mostraram desde
sistemas de cultivo em hidroponia até sabonetes ecológicos, aromas naturais e
iniciativas de biodiversidade. “Gostei mais deste espaço, porque as pessoas
conseguem circular melhor e passam mais pelas bancas. Na abertura tivemos
muitos alunos de escolas, e estavam muito curiosos com as experiências”,
destacou o professor Carlos
Tavares (Departamento de Física), que apresentou ao público o efeito
termoelétrico, uma tecnologia com patente conjunta com o INL.
Uma
opinião partilhada por Maria
Manuela Silva (Departamento de Química). Este ano, o departamento apostou na
divulgação da investigação que está a ser desenvolvida. “Mostrámos áreas como a
energia, os sensores e as células de combustível. Foi um sucesso, sobretudo
junto dos mais novos. Esta mudança de espaço deu-nos mais visibilidade e
permitiu interagir melhor com o público”.
Maneça
Cristiano Nhanga, estudante do mestrado em Engenharia Física,
participou pela primeira vez como voluntário na banca do Departamento de
Química. Apresentou experiências sobre energias renováveis, células de
combustível e análise química. “É a primeira vez que faço este tipo de
atividade. Acho muito importante levar a ciência fora da universidade, porque
motiva sobretudo os mais jovens. Vejo o entusiasmo deles, e até os mais velhos
ficam interessados em perceber o que está por trás da ciência que
apresentamos.”
O
Departamento de Matemática surpreendeu com várias atividades
interativas, nomeadamente a exposição Experimentar
Matemática. “Os miúdos ficaram espantados ao ver bolas de sabão a
formar estruturas inesperadas ou uma bicicleta de rodas quadradas a andar”,
contou a docente Maria
Suzana Gonçalves, sublinhando que o novo espaço “permite
que cada pessoa experimente com calma, sem a sensação de aperto de anos
anteriores”.
Nas
Ciências
da Terra, as experiências
abordaram água,
solos e sustentabilidade. “Mostrámos que aquilo que usamos diariamente tem
impacto e que é preciso mudar hábitos para garantir um futuro sustentável”,
afirmou Diogo Ferreira,
estudante do curso de Ciências do Ambiente.
O Departamento de Biologia apresentou várias
investigações. Na Biologia Molecular, o doutorando Pedro Fernandes trouxe
uma “roleta evolutiva” para mostrar como diferentes características genéticas
se fixam ou desaparecem consoante eventos naturais ou migratórios. “O público
percebeu que fenómenos como cheias ou tsunamis podem eliminar características
de uma população, enquanto a chegada de migrantes pode introduzir novas”,
explicou.
O
Laboratório de
Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) exibiu um mural à escala real do acelerador do CERN e dinamizou workshops de deteção
de partículas. “Este espaço amplo é à medida do crescimento da NEI. Gostei
muito da organização e da forma como conseguimos envolver o público”, disse Raúl Machado,
investigador do LIP.
Já
a Escola de Psicologia destacou a relação entre ciência e saúde.
“Apresentámos o Projeto Contacto, que visa a humanização do nascimento. Aqui
conseguimos ouvir as pessoas, despertar curiosidade e transmitir boas práticas
na saúde materna, como o contacto pele a pele e o método canguru”, explicou
Carolina Miranda.
A
edição de 2025 em Braga contou também com a entusiasta participação da Escola
de Engenharia, Escola Superior de Enfermagem, Escola de Medicina, Instituto de
Educação, Escola de Economia, Gestão e Ciência Política, Escola de Arquitetura,
Arte e Design, Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, Faculdade de Engenharia da
Universidade do Porto, Centro Nacional de Computação Avançada / Deucalion, CITEVE
- Centro Tecnológico Têxtil e Vestuário, Cespu-IPSN - Escola Superior de Saúde
do Vale do Ave, Universidade Lusíada - Famalicão, CeNTI - Centro de
Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes, Laboratório da
Paisagem, Aliança Europeia Arqus, Divisão do Ambiente e Alterações Climáticas
da Câmara Municipal de Braga, Associação Cidade Curiosa, Instituto Nacional de
Investigação Agrária e Veterinária - Polo de Vairão e INIAV - Banco Português
de Germoplasma Vegetal.
Escolas e
clubes em destaque
Durante dez horas, os visitantes puderam explorar as
atividades dos investigadores e apreciar os 31 projetos apresentados por
escolas de Braga, Guimarães e Famalicão.
O Agrupamento de Escolas Terras do Ave trouxe um
projeto de hidroponia, reutilizando um aquário escolar para cultivar legumes
apenas com água e nutrientes. “A ideia foi dos alunos. Estudámos os solos e
percebemos que estão saturados e então decidiram pesquisar métodos de cultivo
alternativos”, explicou a professora Maria Castro. O aluno Rúben reforçou:
“Quando não tivermos muitos terrenos, é outra forma de cultivarmos comida.”
O Agrupamento de Escolas de Gondifelos apresentou o
projeto Flores – um mundo de cores e aromas, com indicadores naturais de
pH, velas e perfumes à base de plantas locais. “Os alunos adoraram a parte
prática e o contacto direto com a ciência”, destacou a professora Ana Carreira.
Na EB 2/3 de Ribeirão, os estudantes transformaram
óleo de cozinha usado em sabonetes ecológicos. “É importante para o ambiente e
para a vida na Terra”, afirmou a Alice. Para a Leonor, estas atividades “são
mais interessantes do que ter apenas um professor a explicar”, porque os alunos
têm a possibilidade de “ver, tocar e experimentar, aprendendo de forma mais
autónoma”.
Visitantes elogiam a iniciativa
O
impacto foi igualmente visível no entusiasmo do público. Rosa Miranda, mãe de
duas crianças de Ponte de Lima, descobriu a iniciativa através da internet e
não quis faltar. “Já viemos o ano passado e este ano está fenomenal. As minhas
meninas adoram fazer estas experiências em casa e estavam ansiosas por sair da
escola e virem direitinhas para aqui”, contou. Com apenas 8 anos, as filhas já
se aventuram a fazer slime, sabonetes, plasticina e tudo o que envolva
misturar ingredientes, entusiasmo que, para a mãe, é “uma forma divertida e
educativa de despertar a curiosidade pela ciência”.
Também o Rodrigo, da Escola Básica Conde de Arnoso
(Vila Nova de Famalicão), ficou surpreendido com o que aprendeu: “Descobri que
existem micróbios que vivem debaixo da terra e que, se os pisarmos, podemos
destruí-los, e isso não vai trazer nada de bom”. Depois de experimentar a
realidade virtual, confessou que “parecia mesmo real”.
Já o Tiago, aluno do Colégio D. Diogo de Sousa (Braga)
destacou a experiência ligada à realidade virtual: “Gostei imenso, foi muito
interessante ver o efeito e ter uma perceção de como são os protões a cair e
como geram eletricidade. Sabia que havia partículas a viajar quase à velocidade
da luz, mas não tinha ideia da quantidade”. Acrescentou ainda que “o resto da
exposição também foi bastante interessante”, porque encontrou investigadores
que “explicaram tudo com muita clareza”. Aluno de Ciências e Tecnologias, já
decidiu: quer seguir a área das Ciências.
Carolina, vinda de Terras de Bouro, também se mostrou
entusiasmada: “É muito espaçoso, tem muitas atividades divertidas, estou a
gostar muito. Acho que é muito importante, mesmo para o desenvolvimento da
criança e para o futuro. Ajuda na matéria, principalmente em ciências, e quando
temos um tempo livre é uma forma de entreter”. Convicta, já pensa no futuro:
quer ser bióloga marinha.
Para o Gabriel, estudante do programa de Educação e
Formação de Adultos (EFA) na Escola Secundária Sá de Miranda e natural do
Brasil, a visita foi uma estreia: “É a primeira vez que venho à NEI e estou a
conhecer muitas coisas. Sou do curso de Ciências e Tecnologias e por isso há
muita coisa que me está a despertar a atenção”, concluiu. Também o André,
colega do mesmo programa EFA, resumiu a sua impressão: “Já vi muitas coisas
interessantes e que nunca tinha visto”.
Uma
celebração europeia da ciência
Além do programa presencial, a NEI2025 envolveu
atividades preparatórias entre junho e setembro — caminhadas científicas, um Bioblitz,
oficinas de microbiologia e um Dia Aberto Virtual.
Promovida pela Comissão Europeia desde 2005, a Noite
Europeia dos Investigadores decorre em 30 países e 300 cidades europeias,
aproximando ciência e cidadãos. O programa é financiado através do Horizonte
Europa / Marie Skłodowska-Curie Actions – European Researchers’ Night, num
consórcio coordenado pela Universidade de Lisboa através do seu Museu Nacional
de História Natural e da Ciência, e que integra também a Universidade Nova de
Lisboa, representada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia, o ISCTE –
Instituto Universitário de Lisboa, a Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril,
a Câmara Municipal de Lisboa, a Universidade de Coimbra, o Laboratório Ibérico
Internacional de Nanotecnologia e a Universidade de Évora.
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