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Noite Europeia dos Investigadores bate recorde de visitantes Voltar

quarta-feira, 01/10/2025    Escola de Ciências da Universidade do Minho
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Mostra de ciência organizada pela Escola de Ciências recebeu mais de dois mil participantes.
Foram mais de duas mil as pessoas que, no passado dia 26 de setembro, visitaram a Noite Europeia dos Investigadores (NEI2025), no Forum Braga. O evento contou com a participação do Ministro da Educação, Ciência e Tecnologia, Fernando Alexandre, do reitor da Universidade do Minho, Rui Vieira de Castro, do Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), António Cunha, dos vice-reitores Sandra Paiva (Investigação e Inovação), Hernâni Gerós (Educação e Mobilidade Académica), os Pró-reitores Manuel João Costa (Assuntos Estudantis e Inovação Pedagógica) e Teresa Ruão (Comunicação Institucional), de representantes das autarquias de Braga, Famalicão e Guimarães, e de candidatos à Câmara Municipal de Braga.

Com mais de 180 atividades - entre workshops, palestras, demonstrações científicas, experiências interativas, visitas guiadas e performances artísticas - o evento contou com a participação de cerca de 900 docentes, alunos e investigadores tendo como objetivo aproximar a ciência da sociedade e promover a cultura científica.

Numa visita demorada, o Ministro da Educação, Ciência e Tecnologia interagiu com os visitantes, investigadores, alunos e docentes. Fernando Alexandre sublinhou que o espaço “fervilhou ciência por todos os poros”, destacando o recorde de mais de 180 atividades e cerca de 900 investigadores envolvidos, mostrando a NEI como uma grande mobilização nacional para a ciência.

Por outro lado, o reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, destacou que a iniciativa procura sensibilizar os mais jovens para aquilo que é a ciência e para a atividade dos cientistas, aumentando a sua apetência e interesse por este setor vital para o desenvolvimento da sociedade.

Em Braga, a iniciativa é organizada pela Escola de Ciências da Universidade do Minho
(ECUM), em parceria com o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), e conta com o apoio dos Municípios de Braga, Guimarães e Famalicão.

Este ano mudou-se para o pavilhão do Forum Braga, ocupando cerca de cinco mil metros quadrados com atividades científicas, salas de workshops, um palco para conferências, debates e performances — incluindo uma atuação da banda Rejected Grants (INL) e o espetáculo Nano Circus — e ainda uma zona de alimentação. O programa contou também com iniciativas de inscrição prévia, como as escape rooms A Última Prova e A Química é a Chave, workshops sobre microbiologia, biotecnologia e prevenção da miopia, bem como sessões de vermicompostagem e consumo sustentável.


Este ano, o evento assumiu “um significado especial”, por “criar uma ligação única entre ciência e os cidadãos”, destacou José Manuel González-Méijome. O presidente da Escola de Ciências sublinhou que coordenar o evento em Braga é assumir responsabilidade social, tornando-o numa verdadeira “festa da Ciência”, num espaço amplo, dinâmico e acessível. Enfatizou ainda que Braga se tornou num “epicentro da celebração da ciência, do conhecimento e da inovação, a norte de Portugal – e provavelmente em todo o Noroeste Peninsular”, fruto da dimensão e impacto crescente desta iniciativa.

Ciência para todos os gostos

A mudança de espaço foi bem acolhida pelos participantes, que elogiaram a organização e a dinâmica do evento. O público pôde explorar experiências e demonstrações de diversos departamentos e grupos de investigação da UMinho – das ciências exatas às sociais, passando pela saúde, ambiente e engenharia. Foram ainda apresentadas áreas dedicadas a clubes de ciência e projetos escolares, que mostraram desde sistemas de cultivo em hidroponia até sabonetes ecológicos, aromas naturais e iniciativas de biodiversidade. “Gostei mais deste espaço, porque as pessoas conseguem circular melhor e passam mais pelas bancas. Na abertura tivemos muitos alunos de escolas, e estavam muito curiosos com as experiências”, destacou o professor Carlos Tavares (Departamento de Física), que apresentou ao público o efeito termoelétrico, uma tecnologia com patente conjunta com o INL.

Uma opinião partilhada por Maria Manuela Silva (Departamento de
Química). Este ano, o departamento apostou na divulgação da investigação que está a ser desenvolvida. “Mostrámos áreas como a energia, os sensores e as células de combustível. Foi um sucesso, sobretudo junto dos mais novos. Esta mudança de espaço deu-nos mais visibilidade e permitiu interagir melhor com o público”.

Maneça Cristiano Nhanga, estudante do mestrado em Engenharia Física, participou pela primeira vez como voluntário na banca do Departamento de Química. Apresentou experiências sobre energias renováveis, células de combustível e análise química. “É a primeira vez que faço este tipo de atividade. Acho muito importante levar a ciência fora da universidade, porque motiva sobretudo os mais jovens. Vejo o entusiasmo deles, e até os mais velhos ficam interessados em perceber o que está por trás da ciência que apresentamos.”


O Departamento de
Matemática surpreendeu com várias atividades interativas, nomeadamente a exposição Experimentar Matemática. “Os miúdos ficaram espantados ao ver bolas de sabão a formar estruturas inesperadas ou uma bicicleta de rodas quadradas a andar”, contou a docente Maria Suzana Gonçalves, sublinhando que o novo espaço “permite que cada pessoa experimente com calma, sem a sensação de aperto de anos anteriores”.


Nas Ciências da Terra, as experiências abordaram água, solos e sustentabilidade. “Mostrámos que aquilo que usamos diariamente tem impacto e que é preciso mudar hábitos para garantir um futuro sustentável”, afirmou Diogo Ferreira, estudante do curso de Ciências do Ambiente.


O Departamento de
Biologia apresentou várias investigações. Na Biologia Molecular, o doutorando Pedro Fernandes trouxe uma “roleta evolutiva” para mostrar como diferentes características genéticas se fixam ou desaparecem consoante eventos naturais ou migratórios. “O público percebeu que fenómenos como cheias ou tsunamis podem eliminar características de uma população, enquanto a chegada de migrantes pode introduzir novas”, explicou.


O Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (
LIP) exibiu um mural à escala real do acelerador do CERN e dinamizou workshops de deteção de partículas. “Este espaço amplo é à medida do crescimento da NEI. Gostei muito da organização e da forma como conseguimos envolver o público”, disse Raúl Machado, investigador do LIP.


Já a Escola de Psicologia destacou a relação entre ciência e saúde. “Apresentámos o Projeto Contacto, que visa a humanização do nascimento. Aqui conseguimos ouvir as pessoas, despertar curiosidade e transmitir boas práticas na saúde materna, como o contacto pele a pele e o método canguru”, explicou Carolina Miranda.


A edição de 2025 em Braga contou também com a entusiasta participação da Escola de Engenharia, Escola Superior de Enfermagem, Escola de Medicina, Instituto de Educação, Escola de Economia, Gestão e Ciência Política, Escola de Arquitetura, Arte e Design, Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Centro Nacional de Computação Avançada / Deucalion, CITEVE - Centro Tecnológico Têxtil e Vestuário, Cespu-IPSN - Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, Universidade Lusíada - Famalicão, CeNTI - Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes, Laboratório da Paisagem, Aliança Europeia Arqus, Divisão do Ambiente e Alterações Climáticas da Câmara Municipal de Braga, Associação Cidade Curiosa, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária - Polo de Vairão e INIAV - Banco Português de Germoplasma Vegetal.

Escolas e clubes em destaque

Durante dez horas, os visitantes puderam explorar as atividades dos investigadores e apreciar os 31 projetos apresentados por escolas de Braga, Guimarães e Famalicão.

O Agrupamento de Escolas Terras do Ave trouxe um projeto de hidroponia, reutilizando um aquário escolar para cultivar legumes apenas com água e nutrientes. “A ideia foi dos alunos. Estudámos os solos e percebemos que estão saturados e então decidiram pesquisar métodos de cultivo alternativos”, explicou a professora Maria Castro. O aluno Rúben reforçou: “Quando não tivermos muitos terrenos, é outra forma de cultivarmos comida.”

O Agrupamento de Escolas de Gondifelos apresentou o projeto Flores – um mundo de cores e aromas, com indicadores naturais de pH, velas e perfumes à base de plantas locais. “Os alunos adoraram a parte prática e o contacto direto com a ciência”, destacou a professora Ana Carreira.


Na EB 2/3 de Ribeirão, os estudantes transformaram óleo de cozinha usado em sabonetes ecológicos. “É importante para o ambiente e para a vida na Terra”, afirmou a Alice. Para a Leonor, estas atividades “são mais interessantes do que ter apenas um professor a explicar”, porque os alunos têm a possibilidade de “ver, tocar e experimentar, aprendendo de forma mais autónoma”.

Visitantes elogiam a iniciativa


O impacto foi igualmente visível no entusiasmo do público. Rosa Miranda, mãe de duas crianças de Ponte de Lima, descobriu a iniciativa através da internet e não quis faltar. “Já viemos o ano passado e este ano está fenomenal. As minhas meninas adoram fazer estas experiências em casa e estavam ansiosas por sair da escola e virem direitinhas para aqui”, contou. Com apenas 8 anos, as filhas já se aventuram a fazer slime, sabonetes, plasticina e tudo o que envolva misturar ingredientes, entusiasmo que, para a mãe, é “uma forma divertida e educativa de despertar a curiosidade pela ciência”.


Também o Rodrigo, da Escola Básica Conde de Arnoso (Vila Nova de Famalicão), ficou surpreendido com o que aprendeu: “Descobri que existem micróbios que vivem debaixo da terra e que, se os pisarmos, podemos destruí-los, e isso não vai trazer nada de bom”. Depois de experimentar a realidade virtual, confessou que “parecia mesmo real”.

Já o Tiago, aluno do Colégio D. Diogo de Sousa (Braga) destacou a experiência ligada à realidade virtual: “Gostei imenso, foi muito interessante ver o efeito e ter uma perceção de como são os protões a cair e como geram eletricidade. Sabia que havia partículas a viajar quase à velocidade da luz, mas não tinha ideia da quantidade”. Acrescentou ainda que “o resto da exposição também foi bastante interessante”, porque encontrou investigadores que “explicaram tudo com muita clareza”. Aluno de Ciências e Tecnologias, já decidiu: quer seguir a área das Ciências.

Carolina, vinda de Terras de Bouro, também se mostrou entusiasmada: “É muito espaçoso, tem muitas atividades divertidas, estou a gostar muito. Acho que é muito importante, mesmo para o desenvolvimento da criança e para o futuro. Ajuda na matéria, principalmente em ciências, e quando temos um tempo livre é uma forma de entreter”. Convicta, já pensa no futuro: quer ser bióloga marinha.

Para o Gabriel, estudante do programa de Educação e Formação de Adultos (EFA) na Escola Secundária Sá de Miranda e natural do Brasil, a visita foi uma estreia: “É a primeira vez que venho à NEI e estou a conhecer muitas coisas. Sou do curso de Ciências e Tecnologias e por isso há muita coisa que me está a despertar a atenção”, concluiu. Também o André, colega do mesmo programa EFA, resumiu a sua impressão: “Já vi muitas coisas interessantes e que nunca tinha visto”.

Uma celebração europeia da ciência

Além do programa presencial, a NEI2025 envolveu atividades preparatórias entre junho e setembro — caminhadas científicas, um Bioblitz, oficinas de microbiologia e um Dia Aberto Virtual. Promovida pela Comissão Europeia desde 2005, a Noite Europeia dos Investigadores decorre em 30 países e 300 cidades europeias, aproximando ciência e cidadãos. O programa é financiado através do Horizonte Europa / Marie Skłodowska-Curie Actions – European Researchers’ Night, num consórcio coordenado pela Universidade de Lisboa através do seu Museu Nacional de História Natural e da Ciência, e que integra também a Universidade Nova de Lisboa, representada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia, o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, a Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, a Câmara Municipal de Lisboa, a Universidade de Coimbra, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia e a Universidade de Évora.

* Fotos: Facebook
* Reportagem vídeo: YouTube
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